segunda-feira, 11 de abril de 2011

Herson Capri:
'Impunidade tem que
Por Paulo Ricardo Moreira
Na pele do desonesto banqueiro Cortez em ‘Insensato Coração’, Herson Capri espera que a trama sirva de alerta contra a impunidade no País. O vilão será preso por falcatruas, mas logo libertado. Na vida real, o ator torce para que homens como seu personagem acabem atrás das grades. Na trama, ele acha que o empresário também é capaz de matar.

— O que você está achando do Cortez? O personagem superou suas expectativas?
— Estou muito feliz com a repercussão junto ao público, embora ele seja um vilão. Cortez é um personagem rico, cheio de cores, nuances... e falcatruas. É gostoso fazer um trabalho assim, porque o texto é muito bem escrito. Certamente, é um dos melhores personagens que já fiz na vida.

— Cortez vai ser preso por causa de golpes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e remessa ilegal para o exterior. O que acha de os autores abordarem esse tipo de tema?
— Acho bacana que o assunto seja falado e divulgado para conscientizar as pessoas e mostrar que isso deve ser combatido. Existe um grau de impunidade nesse tipo de crime que a gente espera que acabe um dia. Afinal, é dinheiro que sai do País e que deveria ser revertido para o povo. É importante que a ficção dê espaço para temas da atualidade, da vida real, e os autores fazem isso muito bem.

—O personagem não fica na cadeia por muito tempo. Como você lida com a possibilidade de pessoas como o Cortez ficarem soltas, enquanto outras que cometem crimes mais leves ficam presos?
—Nosso País é tão maluco que delegado que prende rico pode perder o emprego. Se a novela trabalhar com a hipótese de Cortez ficar impune, isso deve servir de alerta, porque o cara rouba e consegue se safar. É importante mostrar que quem não tem dinheiro dança, vai preso.

— Você torce para que o personagem seja punido?
— Prefiro esperar o que os autores mandam no texto. Escrever seis capítulos por semana não é fácil, equivale a um romance por semana. Tenho grande admiração por quem faz isso. Quem sou eu para interferir num trabalho tão bem feito?! Na vida real, quero punição para homens como Cortez. Na ficção, espero pela decisão dos autores. Se ele se der bem, vai causar muita indignação. Mas não seria a primeira vez, porque o personagem de Reginaldo Faria deu uma banana no final de ‘Vale Tudo’. Se for punido, vai ser bacana.

— A relação de Cortez com a Natalie (Deborah Secco) parece que agradou ao público. Ficou surpreso?
— No começo, sentia uma certa conivência dos homens com o comportamento de Cortez. Alguns diziam: “Pega ela, sim!”. É uma coisa meio maluca, porque há um machismo muito grande. Acredito que existem homens por aí que levam uma vida dupla como ele, conciliando duas mulheres, uma amante e outra em casa. Fiquei chocado com a reação das pessoas.

— Clarice (Ana Beatriz Nogueira) morre num acidente de carro depois de denunciar Cortez à polícia. Ele seria capaz de matar a própria mulher?
— É possível, sim, que ele esteja envolvido na morte da mulher, porque ele passa por cima de qualquer um para conseguir o que quer, paga R$ 2 milhões por uma auditoria falsa, mente, engana... É capaz de tudo. Aí está o grande barato da novela. Para mim, não seria surpresa se ele matasse.

— Além da novela, você está na peça ‘Conversando com Mamãe’, em cartaz no Teatro Fashion Mall. Você está conseguindo conciliar as duas coisas numa boa?
—É um espetáculo muito prazeroso e divertido, o público gosta muito. Além disso, tenho uma companheira extraordinária, que é a Beatriz Segall. Não sinto peso por fazer teatro e novela ao mesmo tempo, não. Acho até que o teatro me faz melhorar como ator na TV. Os dois se complementam.

— No filme ‘As Mães de Chico Xavier’, você vive um produtor de TV que tem um filho com problemas de drogas. Você é espírita? O que acha desse tema?
— Não sou espírita e nunca me aprofundei nisso. Meu pai e minha mãe eram ateus, mas estudei em colégio de freiras, tive contato com a religião católica. Não sigo uma religião, não acredito, mas respeito todas. É contraditório, porque, às vezes, faço um pedido, agradeço... Não levantaria a bandeira de nenhuma porque tenho críticas a todas. Mas não vejo problema em fazer um filme que faz a propaganda espírita.

— No ano passado, ‘Chico Xavier’ foi um sucesso de bilheteria. Acha que a nova produção pode repetir a façanha?
— A expectativa é muito grande. É um tema bom para o cinema. Estamos no País mais católico do mundo, onde as pessoas também frequentam outras religiões. O espiritismo também é muito forte aqui. Só sinto falta de mais histórias do Brasil no cinema.

FONTE\ODIA

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