terça-feira, 12 de março de 2013


Cássio Gabus Mendes:
 "Com a idade, o tipo de assédio muda"
Por Raquel Pinheiro
O vilão Bonifácio de "Lado a Lado" conta como foi crescer em uma família de artistas, lembra da época em que apresentava bailes de debutantes e diz que, hoje, os fãs o abordam de uma maneira diferente de quando era jovem. 
Aos 51 anos, casado com Lídia Brondi, atriz de sucesso nos anos 80, ele fala de sua rotina fora da TV .
Adolescente, Cássio Gabus Mendes já intuía que seu caminho era a interpretação. 
Filho do autor Cassiano Gabus Mendes, morto em 1993, e da atriz de rádionovelas Helena Sanches, sobrinho de Luís Gustavo e irmão de Tato Gabus Mendes, ele cresceu na movimentação de coxias de teatro e estúdios de televisão.
 “Fui mau aluno, pinguei de escola em escola, não tinha concentração. Na minha cabeça, tudo era direcionado para eu ser ator”, lembra Cássio, que, aos 51 anos, vive o vilão Bonifácio da novela das 6 da TV Globo, "Lado a Lado".
A estreia na TV foi em "Elas por Elas" (1982), trama de seu pai. Cássio acumula sucessos como a primeira versão de "Ti-ti-ti" (1985), "Vale Tudo" (1988), "Tieta" (1989) e "Anos Rebeldes" (1992). 
Ele guarda carinho especial pela minissérie "Amazônia", de Galvez a Chico Mendes (2007).
 “Foi muito pessoal, convivi com outro universo. Sou urbano, nunca teria me imaginado indo por livre e espontânea vontade para o meio da floresta”, explica o ator, que mora em São Paulo há 20 anos com sua mulher, Lídia Brondi, de 52 anos, atriz que abandonou a carreira no início da década de 90.
 Sobre ela, Cássio, que não tem filhos, é discreto. Mas ele fala com tranquilidade sobre sua aversão às redes sociais e da época em que apresentava bailes de debutantes: “Era uma missãozinha”.
No escritório de Bonifácio, seu personagem em "Lado a Lado", há um quadro de seu pai. Ficou emocionado com a homenagem?
Antes mesmo de começarmos, a produção de arte perguntou se eu tinha foto de meu pai para colocar no cenário. Falei que ia dar uma fuçada. Um dia me levaram no estúdio e o quadro estava coberto. Fiquei tocado. Foi uma homenagem bacana. Quando estamos ali no cenário, eu dou uma olhadinha, “ó, me dá uma ajudinha aqui, dá uma luz”.

Bonifácio faz muitas maldades. Sente-se mal com cenas tão fortes?
Não tenho problema nenhum. Adoro fazer o Bonifácio e, acabou, vai ficar sempre comigo no meu coração. Gosto dos meus personagens, abraço todos eles, mas não os fico carregando comigo.

Você é de uma família do meio artístico. Ser ator foi uma vocação natural?
 Em casa, nunca houve uma referência mais tendenciosa para ir para esse lado, sempre foi solto. Fui mau aluno, pinguei de escola em escola, não tinha concentração. Na minha cabeça, tudo era direcionando para eu ser ator, algo que me fascinou desde pequenininho. Eu ficava nas coxias, via o Luís Gustavo, via os amigos do meu pai. Quando você cresce nesse ambiente, é o seu universo.

Pensou em fazer vestibular?
Tentei a EAD (Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo) de última hora, mas claro que não passei. Nessa fase de vestibular eu já queria experimentar ser ator. Desde a adolescência participava de grupos de teatro.

Qual foi o melhor conselho que recebeu em relação à profissão?
Observe, estude, ouça em cena. Isso tudo sempre foi cantado para mim. Eu e meu pai sempre convivemos muito, então, claro que se falava um pouco de trabalho. Mas santo de casa não faz milagre, você bate de frente um pouquinho em determinados momentos, que conversa é essa, deixa eu fazer minha coisa lá.
Seu pai morreu na retal final da novela "O Mapa da Mina" (1993), que ele escrevia e na qual você e seu irmão atuavam. Como foi?
Foi um momento difícil. A novela já estava no fim e tinha que fazer o trabalho, não tinha outro jeito, e ainda tinha o peso de fazer uma obra dele. A ficha não tinha caído, foi complicado. Não me lembro de ter visto o último capítulo.

Seu irmão também é ator. Há alguma rivalidade entre vocês?
Não, a gente sempre se deu bem, mas devo ter enchido o saco dele em algum momento (risos). Contracenamos pouquíssimo e nunca fizemos papel de irmãos. Não depende da gente, mas eu adoraria.

Quais são seus hobbies quando você não está trabalhando?
 Minha vida é simples. Gosto de ler, ir jantar, cinema, teatro. Tenho muitos DVDs, agora a coleção está diminuindo porque não tem mais espaço. Adoro ler, quando alguém me recomenda alguma coisa vou lá e compro, vou trocando a pilha de livros. Vejo um filme, vou ler e durmo 4h da manhã. E sou são-paulino doente, a vida inteira fui a estádio.

 Tem grandes amigos no meio artístico?
Não vou citar um ou dois porque é injustiça. Mas faço parte de uma confraria que tem engenheiro, advogado, artista plástico, empresário. A gente fuma charutos e se reúne há anos uma vez por semana. Quem está disponível aparece. O charuto é uma desculpa para nos encontrarmos, tem gente também que não fuma.
Fuma há muito tempo?
Fui fumante de cigarro por 20 anos e parei há 17 anos. Começou a me enjoar, uma hora falei: “Chega!”. Sofri um pouco, mas duvido que eu volte. Quando parei, já fumava um pouquinho de cachimbo. Eu me dei bem com o charuto, mas fumo pouco.

Você fez 50 anos recentemente. Sente-se com essa idade?
Não entendi isso ainda (risos).

É vaidoso?
 Já fui mais. Hoje, gosto de me sentir bem e que me vejam bem. Mas não vou sacrificar nada para isso. Faço esporte para a saúde, para ter qualidade de vida, e não pela minha aparência. Até os 30 anos, jogava futebol e só. Hoje, é esteira, um pouco de musculação. É chato, e eu me forço a pular da cama.

 Você já interpretou personagens de postura ética muito forte, como o ambientalista Chico Mendes, na minissérie "Amazônia", e o estudante idealista João Alfredo, em Anos Rebeldes. É politizado?
 Procuro estar atento às coisas, ter uma visão. Mas não sou um expert ou fascinado pelo tema. Fazer Chico Mendes foi muito pessoal, convivi com outro universo. Sou urbano, nunca teria me imaginado indo por livre e espontânea vontade para o meio da floresta. Tenho medo de cobra. Adoro o campo, mas a Amazônia não é matinho que você vai e faz churrasco. Foi muito rico.

No dia a dia, é muito reconhecido nas ruas?
Acho bom ou tem algum problema (risos). Depois de tantos anos, ia ser esquisitíssimo se não me reconhecessem. Mas, com a idade, o tipo de assédio muda, isso era mais na época de "Ti-ti-ti" (1985), na década de 80.

Como foi esse sucesso todo dos anos 80?
Ah, fiz muito baile de debutante. Não era príncipe, mas apresentava o baile e dançava com as debutantes. Fazia parte da profissão, ganhava meu dinheirinho também, né? Era uma missãozinha, mas honesta. Teve momentos divertidos e momentos bem mais chatos, até que uma hora disse: “Não quero mais”. Cortei, cansei.

Já pensou em, como seu pai, escrever?
Não sei escrever um bilhete, sou horroroso, não tenho capacidade. Já tentei, mas não tenho o dom para isso. Eu não sei mandar um torpedo.

 Não é ligado à tecnologia?
Olha, nunca tive Twitter, não sei nem como funciona. Perguntei a um amigo, e ele também não sabia. Nunca tive Orkut, não tenho Facebook, não tenho nada e nunca terei. Só e-mail.

Você está casado há quase 20 anos. Há algum segredo?
Não. Há a admiração, o respeito, o amor, a cumplicidade. Não tem fórmula, se você conhecer, me avise.

 O fato de Lídia ter sido atriz e entender como é a sua profissão ajuda o relacionamento?
Não posso responder por ela. Isso é uma coisa nossa. Não tem nada a ver, primeiro você tem que ser casado com a pessoa.

FONTE\QUEM

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