domingo, 26 de julho de 2015

Mariana Xavier:
‘Sou muito mais que um número na balança’
Por Leo Dias
Mariana Xavier, a Claudete de ‘I Love Paraisópolis’, ganhou o Brasil como a adolescente gordinha Marcelina, no filme ‘Minha Mãe é uma Peça’. 
Bem resolvida, ela não liga para piadas sobre seu peso e conta que não está disposta a encarar dietas pesadas para entrar no padrão de beleza da TV.
 Apesar de ser fogosa na trama, Mari não namora sério desde 2008 e sonha em conhecer um grande amor.
A sua novela anterior foi ‘Além do Horizonte’, a novela não teve uma boa audiência. Como foi?
Eu não poderia ter tido um começo melhor. Era um ambiente maravilhoso de trabalho e eu tive muitas oportunidades como atriz.
 Jamais pensei que na minha primeira novela, teria uma personagem que tomaria a proporção que tomou, porque cresceu loucamente. 
No fim da novela eu tinha quatro cenas no mesmo capítulo. O casamento do último capítulo da novela, foi o meu, não o da mocinha.

Como reflete nos estúdios, para vocês atores,  uma baixa audiência?
Não sei se sou uma pessoa de muita sorte ou merecimento e tenho dado muita sorte de estar em um lugar bacana de se trabalhar. Embora o Ibope seja bom ou ruim, nunca deixaram isso se refletir no nosso estado de espírito. Nunca chegou uma pressão que estava dando errado.

Qual a parte boa de ser gorda?
Não precisar ficar neurótica se privando de tudo que é gostoso na vida.

A gordura faz com que você circule melhor entre personagens de 15 e de 25. Fica com a mesma cara, estou errado?
Acho que não, acho que em geral sim. As pessoas mais gordinhas parecem mais jovens. Talvez porque tenha muito preenchimento e não aparecem tantas rugas (risos). Eu tenho uma genética boa de idade, meus pais são muito jovens.

Dizem que o humor do Paulo Gustavo é bullying. Faz muito sucesso, eu gosto, você gosta desse tipo de humor?
Eu de uma forma geral entendo como humor e não de forma agressiva. De forma geral não me incomoda. Não me sinto ofendida pessoalmente pelas piadas desse humor bullying não. Quando você vê que é humor, dá uma aliviada. O tom muda tudo.

A Preta Gil processou o ‘Pânico’ pelas piadas referentes ao peso. Você processaria?
Só cada um pode entender porque, onde foi piada e onde ofendeu. As pessoas brincam muito comigo por causa do filme “Minha Mãe é uma Peça”: “Você está imensa”, brincam. De vez em quando entra alguém no meu Instagram e brinca: ‘Tá imensa’. Mas sei que é referente ao filme. É diferente de escreverem: “Sua gorda escrota”, entendeu? Tem que ser avaliado caso a caso.

Já te ofereceram cirurgias para emagrecimento, como operação bariátrica? 
Não. Já me ofereceram personal trainer e já teve médico querendo me acompanhar em tratamentos de reeducação..

Mas já pensou?
Não. Até os 26 anos eu não era gordinha. Nunca fui muito magra, tinha coxa, peito, bunda. Estava na média de manequim 38/40.

Para o mundo normal você não é gorda. Para o mundo dos artistas, sim.
É isso. Quando eu gravava ‘Vídeo Show’ ia para Madureira e ficava no meio da galera as pessoas diziam: “Nossa! pensei que você era mais gorda. Você é normal”. Era muito engraçado, porque as magras da TV são muito magras. Nunca fui magra nesse padrão e nunca vou ser. A menos que me disponha a ser uma pessoa muito neurótica e eu não sou. Para eu ficar daquele jeito, tenho que parar de comer totalmente, malhar várias horas por dia. Eu não estou disposta a isso. Que fique claro que não estou fazendo apologia a gordura, nada disso. Eu não me orgulho de ser gorda, eu me orgulho de ter a consciência de que meu peso não mede o meu valor. Sou muito mais que um número na balança.

Faltam pessoas normais na TV? É lugar pra gente linda, magra e que teve sorte? 
Não é lugar só de gente linda e graças a Deus, de tempos pra cá, temos visto gente mais normal. Mas é lugar de gente linda também. É lugar de todo tipo de gente. Falta que parem de escalar gordo só quando pedem para ser gordo, só quando está no roteiro que seja gordo. A minha personagem já é uma grande conquista nesse sentido.

Em relação a sua vida pessoal sobre pegação e sobre sexo….
Não pego ninguém, Leo. A sorte é que estou beijando na novela (risos)

Qual foi a última pegação?
Tem muito tempo já. Estou falando sério. Sou muito devagar com isso. Fui a última das minhas amigas a beijar na boca, a última a perder a virgindade. Sempre fui muito tranquila com isso, de verdade. Sempre passei longos períodos sem ficar com ninguém.   Fui casada uma vez, morei junto durante dois anos. Me separei no final de 2008 e desde lá não tive nenhum relacionamento de verdade com rótulos de relacionamento. Não estou dizendo que não pego ninguém desde 2008, mas desde lá não tenho namoro. Queria muito, porque não nasci pra pegação. Não consigo sair e beijar um monte de gente. A única vez na minha vida que eu beijei duas bocas na mesma noite, tinha 18 anos, me senti péssima. “Por que fiz isso? não acrescentou nada na minha vida”. Sou muito caretinha.

Qual seu tipo de homem?
Que entenda as minhas piadas e não assassine a língua portuguesa.

Erro de português te broxa?
Se for muito grande me broxa muito, não consigo nem continuar a conversa. Gosto de homem grande porque gosto de me sentir protegido. Que seja mais largo que eu, maior. Mas acho que quando a gente bate o olho e sente alguma coisa, não tem essa. Acho que é energia.

Qual o seu objetivo de vida?
Eu acredito muito que quando a gente está fazendo as coisas do jeito certo, de acordo com nossa consciência, sem passar por cima de ninguém, as coisas entram em um fluxo natural e vão acontecer pro seu bem. Não traço grandes metas e meu sonho é o que está acontecendo nesse momento, viver da minha profissão. Gostaria muito de encontrar alguém bacana, parceiro, para crescer junto, tenho vontade de ter uma família. Não sei se ter um filho natural, sempre fui muito medrosa, mas eu dizia que eu ia adotar. Acho que meu filho por vias naturais está um pouco difícil. Adoraria encontrar um cara muito legal para pidir e multiplicar tudo. Mas não vivo em função disso.

Se pudesse escolher entre grandes papeis na sua vida ou um grande amor para sempre. O que é mais importante?
Acho que um grande amor para sempre. Claro que toda atriz deseja um grande papel na vida. Mas nesse ponto não sou tão ambiciosa. Se esse grande papel acontecer, será maravilhoso. Tenho procurado fazer de cada oportunidade um grande papel. Não preciso ser milionária. Sou muito simples. Tenho um corsa 2008. Não é uma prioridade trocar de carro. Prefiro ter dinheiro guardado para pagar minhas contas, do que ostentar carro chiquérrimo. Esses dias meu carro estava na oficina, peguei um ônibus. Não gosto de rasgar dinheiro e acho importante fazer coisas normais para me lembrar de onde eu vim e que eu sempre posso precisar voltar para lá.

Só para encerrar, espiritualmente gostaria de ter nascido linda, magra, com 1, 80 metro e 60 quilos? 
Não nasci gorda. Fiquei gorda. Se sou gorda é uma responsabilidade minha.

Qual será o desfecho de sua personagem?
Não tenho ideia e sou surpreendida a cada novo bloco e falo meu Deus. Não tenho menor noção. Queria que ela fosse desmascarada e virasse dançarina de pole dance no bar do Grego. Torço que ela fique com o Raul. Não estou pegando ninguém fora da novela, mas na trama estou pegando bem (risos).

FONTE/ODIA

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