quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Agatha Moreira:
‘Eu sei que o book rosa existe, mas essa palavra fui conhecer bem tarde’
Por Leo Dias
Em seu terceiro papel na TV, Agatha Moreira está dando um show como a adolescente rebelde Giovanna, em ‘Verdades Secretas’. 
A atriz, que foi modelo internacional, sabia da existência do BOOK rosa, apesar de nunca ter recebido proposta para fazer programa.
 “Era uma coisa muito discreta mesmo”, diz. Oposto da personagem, ela é tímida, pé no chão e nunca foi de pegar geral na escola.

Como surgiu o convite?
Não foi convite, foi um teste. Tinha saído de ‘Em Família’ e estava fora do ar. Fiz um teste sozinha, mas sabia que tinham outras meninas em outros horários. Depois eu fiz um segundo teste com a Camila (Queiroz) e quando eu soube que ia contracenar com ela pensei: “Que ótimo a gente já se conhece”.

Como é a sua relação com seus pais?
Se eu falasse alguma das coisas que a Giovanna fala para a mãe dela, minha mãe já tinha quebrado meus dentes.

Seus pais assistem as cenas picantes da Giovanna?
Sempre morei com meu pai. Ele tem 74 anos é é sistemático ao extremo. Dorme às 21h, acorda às 5 da manhã, tem todo esse sistema dele. Ele não vê ‘Verdades Secretas’, mas fica todo feliz quando ele me encontra no jornal e revistas.

A Giovanna é bem diferente de você. Ela veio de família rica e não lutou para entrar na moda como você. Como foi viver esse outro lado?
Foi uma das grandes dificuldades. A Giovanna desde o inicio sempre foi um desafio, porque tudo nela é muito distante de mim. Tive que buscar referências em livros e filmes.

Além do poder aquisitivo, quais as diferenças mais gritantes entre você e a personagem?
Ela é às vezes um pouco fora do tom. Ela não tem noção das consequências do que ela faz e é capaz de passar por cima de todo um mundo para conseguir o que quer.

É seu terceiro papel na Globo e primeiro papel mais desafiador, certo?
Cada um teve seu nível de dificuldade. Quando fiz ‘Malhação’ eu ia totalmente inexperiente e fiquei protagonista durante um ano. Você já chega insegura em um caso desse. Logo depois, atuei em uma novela das 8 do Maneco, também já foi uma grande responsabilidade. E agora estar em uma novela das 23h com uma personagem como a Giovanna, é um outro desafio.

Você passou perrengue como modelo?
Sim, bastante perrengue. A gente recebia dinheiro semanal para comer e pegar ônibus. E aí na hora que apertava, eu usava o cartão de crédito da minha mãe. Mas aí roubaram o cartão e o meu celular e eu em outro país. Não tem como imaginar o que é morar oito meninas em um apartamento de dois quartos. Já modelei no Chile, Miami, Peru, Japão, Coréia do Sul e Nova York. Comecei a viajar com 17 anos e minha mãe queria que eu terminasse o colégio para começar a viajar. Foi aí que tive um grande conflito: não sabia o que queria fazer da vida, não queria prestar vestibular e me achei no direito de não escolher. Ter encontrado o teatro foi uma grande realização pra mim.

Ganhou muito dinheiro?
Não, eu nunca consegui ganhar muito dinheiro como modelo. Ganhava o suficiente para me sustentar.

Como está achando a forma com que se está abordando o BOOK rosa? Já tinha ouvido falar nele?
Eu sei que o BOOK rosa existe, mas essa palavra fui conhecer bem tarde. Eu nem sabia que essa expressão existia. Era uma coisa muito discreta mesmo.

Mas sabe que existe porque alguém te propôs algo ou já viu alguma amiga fazendo?
Por fofoca mesmo. Tipo : Fulana de tal foi jantar com um monte de modelos e empresários e enfim, nunca imaginei que depois desse jantar rolava algo e rolavam essas fofocas. Eu não via maldade e não morei, que eu saiba, com alguém que fizesse isso e também nunca recebi um convite.

Conheceu alguma Fanny?
Não, Deus me livre!

Pegando carona na personagem da Grazi Massafera, que se envolve com drogas, na sua vida de modelo você viu muito isso?
Não. Tinham algumas meninas muito magras e diziam que ou elas estavam se drogando ou não estavam comendo. Tinham aspecto de doente. Eu sempre ouvi fofocas de meninas que usavam cocaína. Mas não era ninguém que convivia comigo. A única coisa que via de esquisito, era o uso do cigarro, café e coca diet.

Você já passou fome?
Jamais, sempre fui uma draga. Meu apelido no colégio era Pacman (aquele jogo de Atari em que o bichinho não para de comer).

Não engordava?
Não. Mas agora a idade vai chegando e não estou podendo aloprar muito. Não é que eu possa comer no Mc Donald’s todo dia, mas me dou o direito.

Sofreu bulliyng na escola por ser magra e alta?
Sempre fui a gordinha das modelos, sempre tive muito quadril, mas lidei muito bem com isso. Eu tinha total noção de que o meu quadril era grande demais. O padrão era 89 cm e eu devo estar com 96. Naquela época eu tinha 93, 94 e para mim, não fazia a menor diferença. Se eu estava trabalhando, então ok, pode falar o que quiser que vou continuar comendo meu Mc Donald’s.

Ficar nua foi uma missão difícil?
Eu achei que eu fosse ter muita muita vergonha, porque eu sou tímida. Mas na hora que dá o: “gravando”, você nem pensa em nada, a timidez fica da porta pra fora. O Gianecchini (Reynaldo) é aquele amor de pessoa me deixou super confortável. Ele é muito generoso, a gente se dá muito bem.

Posaria nua. Recebeu propostas?
Não recebi, mas não posaria. Não é minha praia.

A Giovanna faz tudo por dinheiro. O que você não faria por dinheiro nenhum?
Muitas coisas.Inclusive o tal BOOK rosa (risos).

Você namora há três anos o cineasta e diretor Pedro Nicoll, sempre foi de namorar sério?
Sempre. Nunca peguei geral. Pode perguntar a qualquer um da minha família.

Ele sente ciúmes das cenas mais picantes?
Pedro é meu coach, ele é um ótimo diretor e muito crítico. É normal sentir algo estranho vendo as cenas, eu me sentiria um pouco esquisita, mas ele assiste.

Você está no ‘Dança dos Famosos’, que estreia hoje. Como está sendo a preparação?
Eu sempre quis fazer a dança. Sempre assistia vários amigos e torcia. Acho muito legal para o ator porque traz coisas novas. Ali você aprende a ter uma consciência corporal maior, aprende vários ritmos. De certa forma, está fazendo um exercício que faz bem para o seu corpo e dançar faz bem para a alma também.

FONTE/ODIA

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