segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Arnaldo Antunes, sobre novo livro: 
'Se explicar muito estraga os poemas'
Por Guilherme Scarpa
“Agora aqui ninguém precisa de si” é o livro que trouxe Arnaldo Antunes ao Rio, anteontem, na Travessa do Leblon, para uma noite de autógrafos. 
“A poesia vai muito bem, obrigado”, disse ele ao público que, antes de formar uma imensa fila, assistiu a um bate-papo entre o músico e o poeta André Vallias.
“É uma arte minoritária, que revitaliza a palavra amor, por exemplo. Ela anda muito gasta”, disse Arnaldo. 
“O último livro do Leminski ter virado best- seller só reforça a ideia de que a poesia é uma resistência à estagnação”, continuou ele, que também fez uma análise sobre a crise atual no país.
“Parece uma briga entre o poder, e ninguém pensa no povo, sabe? Pensar na ingovernabilidade é muito ruim. 
Espero com otimismo que essas operações higienizem a administração”, disse. A respeito do tema do livro em si, Arnaldo foi econômico.
 “Acho que se explicar muito estraga os poemas”. Também contou que eles foram revisados, em sua maioria, à mão.
 “A sensibilidade muda da tela para o papel. Imprimo e remonto, gosto da coisa material”, explicou. 
Depois de 40 minutos de conversa, Arnaldo desceu para começar a autografar os exemplares.
 Do primeiro ao último — e foram muitos —, o autor se levantava da cadeira para dar um abraço em quem quer que fosse antes de devolver o livro autografado. 

FONTE/OGLOBO

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