segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Bruno Gagliasso abre o jogo sobre a vida e a carreira:
 'Sou cara emotivo, choro muito'
Aos 33 anos, ator fala da relação com Giovanna Ewbank: 'Vamos fazer seis anos de casado em março, e estamos juntos há sete. Mas a pressão dos outros para termos filho é muito maior do que a nossa'

Por Zean Bravo
- Bruno Gagliasso costuma repetir que é movido a tesão. E não é difícil constatar essa afirmação depois de um tempo com o ator, que fala com o mesmo entusiasmo das férias que se aproximam após o fim de “Babilônia”, no dia 28, dos planos de construir um rancho, do casamento com a atriz Giovanna Ewbank, ou das 13 tatuagens que tem no corpo. 
De folga agora em Fernando de Noronha, um de seus lugares preferidos, Bruno trabalhou em ritmo frenético na semana passada. Ele gravou as cenas da morte de seu personagem, o cafetão Murilo, mas ainda está comprometido com a trama das 21h — o ator volta para gravar a sequência da revelação da identidade do assassino, para o último capítulo.
Aos 33 anos, Bruno abre o jogo: 'Eu me preocupo em ser verdadeiro'
Bruno já se achou péssimo ator no começo da carreira
Bruno ama seus cachorros: ele tem 5 em casa
Ator tem paixão por motos
O ator com a mulher, a atriz Giovanna Ewbank: eles querem filhos, mas sem pressão
Bruno já chegou a pesar 88 quilos e hoje está com 69 quilos: ele mudou o corpo com a prática do...Foto: Reprodução
Ator faz churrasco em Fernando de Noronha: ele vai sempre para o arquipélagoFoto: Reproduçã
Ator posa com Thiago Fragoso nos bastidores de 'Babilônia': quem matou Murilo?

Sem demonstrar cansaço depois de um dia inteiro de gravações, Bruno conversou com a Revista da TV em sua casa na terça, às 22h, o único horário que tinha disponível. Sugeriu cenários para as fotos e vibrou com o resultado quando conferiu as imagens na tela da câmera.
Aos 33 anos, o ator vive cercado por seus cachorros — o golden retriever Zeca, a cane corso Menina, o boxer Johnny, o vira-lata Favela e a labradora Peste —, objetos de design, como a coleção de caveiras ou o busto de Darth Vader, livros de arte e quadros como um assinado pelo grafiteiro Toz.
— Eu me preocupo em ser verdadeiro — afirma Bruno, que diz ter aprendido a usar sua ansiedade a seu favor: — Hoje a direciono para o que que quero.
Apesar dos problemas de audiência de “Babilônia”, Bruno jura ter feito a novela com gana e aprovou o assassinato do personagem. Autor da trama com Gilberto Braga e João Ximenes Braga, Ricardo Linhares explica que a morte não foi por acaso.
— O assassinato é o destino perfeito para um personagem trágico — conta Linhares, que classifica Bruno como “carismático e intenso”: — Ele rouba a cena. Sempre que eu “mato alguém”, ligo para dar a notícia ao ator no dia em que entrego o capítulo, para ele não ser surpreendido ao ler a cena. É um carinho. Liguei para Bruno e demos muitas gargalhadas comentando que o destino perfeito para aquele patife era a morte — lembra o autor.
A seguir, Bruno faz um balanço de “Babilônia”, das escolhas na carreira — ele conta que quer interpretar um transexual, por exemplo — e na vida.
Bruno já se achou péssimo ator no começo da carreira - Leo Martins

‘SÓ TINHA DOIS DESTINOS’
“Murilo só tinha dois destinos: morrer ou fugir do país. Também poderia ser bem interessante ele fugir neste atual momento do Brasil para retratar a realidade.”

‘ATRAVESSO A PONTE’
“Admiro quem consegue separar, eu atravesso a ponte, mas volto. Prefiro não levar o personagem para casa quando ele acabar, aí eu deixo no estúdio. Minha preparação é muito vendo filme em casa, o Sergio Penna (preparador de atores) vem para cá também, a Kátia Achcar, minha outra preparadora, é muito minha amiga. A gente sai para almoçar e fala sobre o personagem. Como não vou levar para casa? Acho clichê, cafona, falarem que não levam o personagem para casa.”

‘PASSO MAL E CHORO’
“Nas cenas pesadas passo mal, choro, não existe botão para desligar. Sofro até parar e pensar em outra coisa. E não me faz mal isso, é o meu processo. Não fiquei maluco por causa disso, não machuquei ninguém, não matei ninguém, não usei droga por causa disso.”

‘ESTOU PLENO’
“As coisas se assentaram. Eu me sinto mais sereno, mais seguro, mais pleno. O que não quer dizer que eu tenha perdido a minha hiperatividade. Apenas transformei a minha hiperatividade e a minha ansiedade em foco. Eu tenho controle sobre ela e a direciono para o que quero.”
Aos 33 anos, Bruno abre o jogo: 'Eu me preocupo em ser verdadeiro' - Leo Martins

‘SOU MUITO EMOTIVO’
“Sou um cara emotivo. Preciso ser, principalmente por conta do meu ofício. Eu choro muito”.

‘SEMPRE TIVE INSÔNIA’
“Tive muita insônia na época do Edu (de “Dupla identidade”, em 2014). Sempre tive muita insônia. Hoje, com a prática do crossfit, não tenho mais”.

‘SER GALÃ NÃO É UMA QUESTÃO’
“Beleza não me preocupa e nem sei se atrapalhou ou ajudou. Nunca pensei em fazer um personagem para provar algo. Não é uma questão se escrevem que sou galã. Não tenho que dizer se sou ou não. Não me incomodo”.

‘O SER HUMANO É COMPLEXO'
“Quero fazer um transexual, gêmeos, tudo o que não fiz. O ser humano é complexo, variado”.

‘EU DEIXO DE SER ATOR’
“O dia em que deixar de sentir tesão pela profissão deixo de ser ator. Além do trabalho, sinto tesão em estar com meus cachorros, pensar no projeto do meu rancho, viajar, andar de moto...”.

‘MEU MAIOR PRAZER’
“Primeiro vou para Noronha. Depois para Nova York e Londres agora nas férias. Mas isso é só o começo. Vou ainda para a Espanha. Meu maior prazer é viajar”.

‘NÃO ESTOU NESSE MOMENTO’
“Queria saber como era e comecei a fazer análise em 2012. Mas parei. O meu maior analista são meus estudos, os filmes que vejo, os livros que leio, os personagens que faço. Mas não digo que não faria análise de novo. Só não estou nesse momento”.

‘TEMOS QUE SER OTIMISTAS’
“Não acredito em 100% de felicidade ou de tristeza, nem 100% de maldade ou bondade. A vida é feita de momentos felizes”.

‘ME LIMPEI DE TUDO’
“Tive pouco tempo de preparação entre o Edu e “Babilônia”. Tinha acabado de construir o Edu com o Sergio Pena e resolvi me desconstruir com ele também. Assistimos a todos os meus últimos trabalhos e procurei me limpar de tudo que havia feito. Construí o Murilo no impulso, no calor. Edu era frio, calculista”.

‘O PAÍS PAROU’
“Muito mais importante do que ter entrado para a história da teledramaturgia (com o beijo que gravou com Erom Cordeiro para o último capítulo de “América”, de 2005) foi ter contribuído com o assunto na hora certa. Se o beijo não tivesse sido vetado, a discussão não teria acontecido. E lembro que o país parou, tinham telões na rua”.

‘NUNCA VOU ESQUECER’
“O Inácio, de “Celebridade” (2003) foi o meu primeiro grande encontro profissional. Eu ficava catatônico em cena, e minha mãe me chamava de assassino. Para aquele personagem, eu fiquei estudando de segunda a sexta, quatro horas por dia, por três meses. E durante a novela também. Eu não tive vida social naquele período. Tenho o maior orgulho disso. Ali entendi o ofício e passei a respeitar muito mais a profissão”.

‘ME ACHAVA PÉSSIMO ATOR’
“Eu me achava péssimo ator quando fiz “Chiquititas” (2000). Eu não entendia o ofício, tinha 17 anos. Fiz curso profissionalizante de teatro dos 14 aos 17, me chamaram para fazer um teste e passei. Foi uma fase de descoberta. Fui morar sozinho, mas não tinha maturidade. Depois, fiz um personagem pequeno em “As filhas da mãe” (2001).

‘NUNCA VI TESTE DO SOFÁ’
“Nunca vi e acredito que não existe isso de teste do sofá. Pelo menos com quem eu conheço nunca aconteceu. Acho que é muito mais mito. Ouço falar de longe, mas quero nomes (risos)”.

‘ENGORDO SE PRECISAR’
“Eu tive que me desconstruir do Tarso (de “Caminho das Índias”, de 2009, em reprise atualmente) para fazer o Berilo, de “Passione” (2010). O personagem era um conquistador, tinha duas mulheres, era um bon vivant italiano. Na novela tinha (Reynaldo) Gianecchini e Cauã (Reymond), que eram galãs de fato. Pensei: “Vou engordar e vou ser conquistador na lábia”. E comecei a engordar muito, muito e muito. Cheguei a pesar 88 kg. O meu peso é 68 kg. Eu tinha vergonha porque foi difícil para emagrecer. Mas o meu corpo está em função do trabalho. Se tiver que engordar de novo por um bom papel, eu engordo, ou se tiver que emagrecer, fico raquítico. Estou adorando praticar o crossfit, mas amanhã posso fazer um personagem que não combine com isso”.

‘HÁ VÁRIAS MANEIRAS DE SE EXPOR’
“A gente queria ter umas fotos nossas (sobre o ensaio sensual que fez com Giovanna para duas revistas), pintou o convite e topamos. Há várias maneiras piores de se expor. Temos ótima relação com nossos corpos. Nunca fui tímido. Você não precisa tirar a roupa para se expor, pode ser expor muito mais com palavras”.

‘APRENDI A NÃO TER PESSA’
“Vou fazer seis anos de casado em março, e estamos juntos há sete. Mas a pressão dos outros para termos filho é muito maior do que a nossa. Filho vem na hora certa. Acredito em sincronicidade, tenho até essa palavra tatuada no braço. Eu hoje aprendei a não ter pressa”.

‘PODE MUDAR À VONTADE’
“Novela é obra aberta. O importante é que o DNA do meu personagem estava bem construído. A trama pode mudar à vontade. O que não pode é Murilo, cafetão, vilão, ficar bonzinho de fato. Mas fingir que está bonzinho, tudo bem, ainda mais ele sendo um sacana.”

‘NÃO RECLAMEI’
“Eu não reclamei quando o Murilo parecia ter ficado bonzinho. As pessoas transformam o que é comum nos bastidores numa outra realidade. O que acontecem são discussões para se chegar a um acordo de como fazer. Isso é muito comum, tem todo dia. Você vai com uma ideia, o diretor sugere outra, a atriz sugere outra coisa. E tudo é conversado. O próprio Ricardo Linhares esclareceu que Murilo nunca deixou de ser vilão.”

‘O ELENCO É UNIDO’
“Isso nunca existiu (sobre os boatos de desentendimento entre atores da novela). Posso dizer que é o elenco mais interessante e unido com quem eu já trabalhei, de verdade. E olha que eu já fiz muita coisa. Todo mundo que está nesta novela tem um comprometimento com a arte e a profissão. Como é bom estar do lado de uma Fernanda Montenegro, de uma Nathalia Timberg, da Luisa Arraes, que é uma atriz nova e está dando show. Chay (Suede), que menino focado, talentoso!”

‘É MUITO MAIS SÉRIO’
“Não há dúvida que a gente está vivendo num momento de conservadorismo extremo. Mas isso começou bem antes da novela, foi lá em Brasília, no Congresso, com Feliciano, com Eduardo Cunha. É muito mais sério do que a gente pensa. “Babilônia” teve um papel fundamental ao mostrar a realidade, e isso ninguém pode tirar da novela. O grande ponto positivo da novela foi fazer as pessoas pensarem e discutirem sobre isso.”

‘POR QUE VOU ME PREOCUPAR?’
“Eu me preocupo em ser verdadeiro e não vivo para os outros. As pessoas julgam tanto. Por que vou me preocupar em ser julgado? Acho que se for verdadeiro ninguém vai me julgar por isso. A minha preocupação é ser coerente com a minha maneira de ser”.


FONTE/OGLOBO

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