sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Daniela Mercury sobre os 50 anos:
 "Nunca vou estar presa ao tempo"
Cantora fala sobre show comemorativo, onde mostra versões mais suaves de seus sucessos, e sobre a chegada aos 50

Por Bruno Segadilha
Daniela Mercury comemora seus 50 anos mostrando versões mais suaves de sucessos de sua carreira, como Pérola Negra e O Canto da Cidade no show Daniela Mercury: A Voz e o Violão. 
“Essa idade é um trampolim mais alto para as minhas invenções”, explica sobre a novidade em suas apresentações. 
Mas não espere que a baiana fique parada. Mesmo sem os aparatos nem a enorme estrutura de seus shows, ela garante que nunca será uma artista que se apresentará sentada em um banquinho. 
“Quem disse que meu violão ficará comportado?”, provoca. Ela também rejeita o rótulo de intimista. “Eu não gosto de repetir clichês. 
Diria que é uma fase realista, é um momento de me deparar com a verdade, de desnudar as canções e de desnudar a mim mesma. Mostrar por que estou aqui como artista”, explica.
 Por que fazer um show só com voz e violão?
 Neste momento da minha carreira, queria algo diferente, que eu ainda não havia feito. E, às vezes, inventar não significa colocar elementos, mas retirar. Eu queria dar outro olhar para as minhas canções, além de reunir um repertório que mostrasse as minhas influências. Então, este show reúne também sambas de batida afro, tudo isso com violão, o que é um desafio enorme. Interpreto também O Bêbado e a Equilibrista, que cantei muito no começo da minha carreira, Desafinado...

  Você vai cantar seus sucessos também?
O primeiro desafio desse projeto, aliás, foi não fazer um show só com canções minhas. Mas, sim, esse espetáculo tem muitos sucessos da minha carreira. Tem O Canto da Cidade, Pérola Negra, Nobre Vagabundo, À Primeira Vista, Como Vai Você, Meu Plano, que eu tenho dedicado a Malu (Verçosa, sua mulher)...

Esse show mostra uma faceta mais intimista, talvez uma nova fase?
Eu não gosto de repetir clichês. Diria que essa é uma fase realista. É um momento de me deparar com a verdade, de desnudar as canções e de desnudar a mim mesma. Porque voz e violão mostram a intimidade das canções. A ideia é mostrar por que estou aqui como artista. Gosto de me desafiar e de me colocar sempre na berlinda. O artista é um provocador, mas não pode ser um provocador sem provocar a si mesmo primeiro. E eu estou fazendo isso comigo.

Sente falta de dançar no palco?
Não acredite que vou ficar quieta! Quem disse que meu violão estará comportado? Em vários momentos vamos ter algumas invenções! Vou usar um vestido estampado, feito para o Carnaval: é impossível não dançar! Eu canto para dançar, e um instrumento já me basta. Por isso, vou passear pelo palco. Não vai ser um show convencional de voz e violão, porque banquinho acho que não vou usar nunca na vida. Nem morta! Estou fazendo 50 anos, é a idade da transgressão, e outro mundo se abre!

Por falar nisso, como encarou a chegada dos 50 anos?
A vida tem pontos marcantes, mas é um caminho para o infinito, principalmente para nós, artistas. A gente está em contato com a liberdade da imaginação. Ainda não entendo o que é o tempo, não sinto nenhuma limitação. Eu me sinto cheia de vontade de realizar muitas coisas, como se estivesse começando a vida. Por isso, nunca vou estar presa ao tempo. É uma sensação gostosa, de que posso voar ainda mais. Essa idade é um trampolim mais alto para as minhas invenções!

E qual o saldo desse tempo?
Já fiz tanta coisa, parece que vivi muitas vidas. Tenho filhos lindos, uma esposa maravilhosa, sou superapaixonada por ela e pela vida. Sou cheia de vida, de sonhos, de desejos. Tudo que já fiz está feito. Agora, tenho um bocado de coisas para fazer ainda. Estou feliz de ter construído uma carreira, de ter conquistado a confiança, o respeito e o carinho do público. É um balanço de axé que faço. Fiz o mundo sambar, devolvi o samba ao Brasil. Tenho muito a celebrar. Quero quebrar paradigmas.

FONTE/QUEM

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