terça-feira, 18 de agosto de 2015

Gretchen:
‘Não consigo ver a Thammy como mulher’
Por Leo Dias
Aos 56 anos, Gretchen lotou a The Week na gravação do clipe ‘Rainha do Bumbum’, produzido pelo DJ Rody. 
Na entrevista a seguir, Gretchen fala sobre fama, dinheiro, o marido português e a polêmica envolvendo a filha Thammy, que retirou os seios e lança, em breve, o livro ‘Nadando Contra a Corrente’. 
Hoje, Maria Odete, nome de batismo da cantora, chama a filha no gênero masculino.

Você está morando em Portugal atualmente. Sua vinda agora ao Brasil foi para o lançamento do clipe do DJ Rody?
Eu já vinha passar férias e aproveitamos pra fazer tudo. Não coloco minha agenda em cima de um trabalho, até porque não estou trabalhando mais. Foco minha agenda em cima daquilo que vou fazer no Brasil. Por exemplo, vim passar férias com as crianças e resolver processo de adoção da minha filha, aí uso para fazer algumas coisas profissionais.

Como está o processo de adoção de Valentina?
Tudo certo.

O Brasil é lento né?
Muito! Fazem 4 anos já, mas está em estágio final.

Você disse que encaixa sua agenda pessoal e se calhar com a profissional, ok. Mas por que você decidiu gravar esse clipe?
Esse clipe na verdade é do CD do DJ Rody. Ele que me convidou pra fazer uma participação. E coincidiu de estar perto do lançamento do livro da Thammy. Ele queria fazer algo pra coroar a minha carreira, nada a ver com nenhum lançamento meu. Ele casou a data de eu estar no Brasil para o lançamento do clipe.

Se a sua carreira está encerrada por que às vezes você faz show?
Só pra eu curtir. Devo alguma coisa pros fãs. Eu vir e fazer uma apresentação ou outra não me traz nenhum problema.

É bom para o ego né?
Nem é para o ego… É bom pra saber que a carreira foi boa, que deixou bons frutos, que as pessoas gostam, que consigo fazer pessoas felizes, nesse sentido mesmo. É bom ver uma boate lotada. É gratificante saber que você fez uma história.

No show da The Week, você falou que usa botox na boca. Por que? 
Porque acho muito engraçado o comentário que as pessoas fazem! Como achassem que eu fosse me incomodar com isso. Eu não me incomodo com nada. O que pensam sobre o que ponho, plástica que faço, botox que uso, minha boca, minha perna, minha mão… Não me interessa. Me interessa é que vou me olhar no espelho e vai me agradar.

Você vê os comentários?
Vejo e acho muito engraçado.

Você não fica ofendida?
Eu não! Você só se sente ofendida quando é algo que te incomoda. Eu não me incomodo com o que as pessoas pensam. Eu tenho uma opinião muito forte ao meu respeito. Se eu gostar, o que as pessoas pensam não me interessa. Eu gostando e meu marido gostando, tá bom.

Como é o seu relacionamento com o Carlos Marques, seu atual marido? Se casaram oficialmente?
Somos casados em três países. Na França, em Portugal e aqui no Brasil.

Mas por que isso tudo?
Ele na verdade é português, mas sempre viveu na França. Quando nos casamos a primeira vez foi na França. Depois fomos para Portugal legalizar os documentos. Eu tenho minhas coisas aqui no Brasil e ele também, então acabamos casando aqui também.

Lá na rádio FM O Dia você me contou que todos os seus relacionamentos antigos acabaram com traição. Depois disso tudo, você fica desconfiada? 
Hoje eu tenho uma relação muito madura. E outra coisa: temos praticamente a mesma idade, mesmos interesses, as mesmas vontades… Já não tem mais aquelas coisas de ir correndo pra balada.

Foi um erro se relacionar com pessoas mais jovens? 
É complicado…

Fiquei muito impressionado quando ouvi você chamar a Thammy de meu filho. 
É um processo que ainda está acontecendo. Tem horas que eu derrapo, ainda falo ‘ela’. Está acontecendo naturalmente. É um processo que ainda está acontecendo. Tem horas que eu derrapo, ainda falo ‘ela’. Está acontecendo naturalmente. Hoje não consigo ver a Thammy como mulher..

Foi um pedido dela ser chamado de filho?
Thammy nunca me pediu nada. É uma coisa natural. E sei que isso faz ela feliz.

Quanto tempo levou pra você entender tudo isso?
Leva tempo. É todo um processo. Uma coisa que a gente vai conquistando junto, tanto eu, quanto ela. Os pais conquistam junto com os filhos e chega um momento que fica natural.

No primeiro momento é negação. Até de a Thammy negar, de você negar… É inevitável, né?
É inevitável pra todo mundo, pra qualquer pai ou qualquer mãe.

E quando você lê hoje comentários preconceituosos em relação a sua filha. Eles doem mais do que sobre você mesma?
Com certeza! De mim podem falar qualquer coisa, mas falou ou mexeu em algum filho meu, aí já era. Sou leoa mesmo.

Você leu o capítulo do livro ‘Nadando Contra a Corrente’, em que Thammy fala sobre você?
Revisamos juntas e mudamos toda a história da minha parte. O que vai estar escrito é a verdade, porque nós duas acordamos. Ela falou o que pensava, o que eu pensei e nós chegamos na verdade.

Ela falou que era dançarina pra ficar perto de você
Isso sempre foi verdade. Ela fazia isso.

Ao mesmo tempo vejo a Thammy independente e obediente à mãe. Sempre foi assim?
Não é obediente a palavra certa. Meus filhos são dependentes do meu amor, sempre foi assim, todos eles são dependentes do sentimento que eu tenho por eles.

O que tem de saudade da época em que rodava o Brasil pra fazer shows?
Eu não tenho saudades de nada. Eu vivi todos os meus momentos bem vividos. Tudo o que vivi ficou naquele momento. O que passou, passou. Sou uma pessoa muito de futuro.

Você fez terapia já alguma vez?
Nunca fiz.

Você tem uma consciência tão grande sobre si mesma… 
Sabe o que é? Vi muita coisa na minha vida e sei que não quero aquilo pra mim. Como não quero, faço o oposto. Via o pessoal da Jovem Guarda com depressão, querendo se suicidar, se jogando nas drogas porque tinha acabado a carreira. Eu olhava aquilo e pensava que não queria aquilo pra mim. Vou parar quando eu achar que tenho que parar. Sempre foi assim na minha vida. Via pessoas passando por aquilo e fazia coisas diferentes.

Hoje a música paga melhor do que naquela época. Uma pessoa que fizesse a quantidade de sucesso que você emplacou, estaria multimilionária. Em relação a dinheiro. O quanto você gastou? Foi perdulária?
Eu nunca economizei. Vivi meus momentos, gastei o que tinha que ser gasto e guardei o que tinha que ser guardado. Eu não sou milionária, mas tenho minhas coisas.

Dos casamentos, você saía de casa com seus filhos…
Sim, esse sim era meu patrimônio.

Você acabou perdendo muito dinheiro, né?
Muito, mas isso nunca me preocupou. Quando eu vou atrás de recomeçar e reconquistar, consigo tudo melhor.

Se Deus tivesse te dado opção de, ao invés de ter uma carreira artística como você teve, encontrar seu amor… Preferia ter encontrado o homem da sua vida antes de ser a Gretchen ou depois?
Sem sombra de dúvida, gostaria de ter encontrado antes e não ter tido a carreira artística.

É mesmo? Então você é uma pessoa que vive pelo amor e não pelo sucesso e pela carreira?
Eu sabia que o dia que eu encontrasse a pessoa certa não ia querer mais viver nessa vida. Porque essa vida profissional só preenchia o que não tinha emocionalmente.

Não acredito que você não faça terapia. Tem uma clareza de pensamento muito grande, gata, desculpa. Quando se tocou que o Carlos era o cara da sua vida?
Quando ele me conheceu sem saber quem eu era, se interessou e se apaixonou por mim sem saber quem eu era. Só veio a saber quando tínhamos um compromisso sério, mas conviveu comigo muito tempo sem imaginar e isso pra ele é um incômodo. Ele não convive com a Gretchen. Ele apoia, mas não é uma coisa que ele ame de paixão.

Você acha que seus exs se envolveram com a Gretchen e esse se envolveu com a Maria Odete?
Com certeza. O único homem que descobriu a mulher que eu sou foi ele. O único home que casou comigo foi ele. Os outros eram com a Gretchen.

Quantos filhos moram la na Europa?
Lá estão dois pequenos. Diariamente tenho que falar com todos. Só pra dizer que me ama, que está feliz, que não esta feliz… Todos os dias tenho que ter noticias deles. Eu não consigo desligar o telefone na hora de dormir preocupada se algum deles pode precisar de mim em algum lugar do mundo em algum momento.

Você pretende morar no Brasil com ele?
Não, não pretendo. Ele ama o Brasil, por ele viveria aqui. Acha que temos um país que não damos valor, tem paixão pelas frutas, pela terra, ele é apaixonado pelo Brasil. Mas ele sabe que não é o momento. Tem muita coisa pra consertar aqui, temos duas crianças pequenas e temos muito medo.

Qual a mensagem que você deixa pro público que vai ler seu almanaque? 
Procure sua felicidade onde você estiver, sendo dona de empresa ou uma varredora de rua. Ser feliz é o que realmente importa.

FONTE/ODIA

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