quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Guilhermina Guinle:
 "Fico triste com a geração atual, é descartável"
Depois de um ano e meio fora das telinhas, a atriz interpreta a dondoca Pia em 'Verdades Secretas'

Por Valmir Moratelli
Tucanos, sabiás, cutias e macacos-prego parecem observar de longe, do alto dos jacarandás e óleos-pardos, a sessão fotográfica com Guilhermina Guinle, de 40 anos.
 Mas quem se aproxima mesmo é um cachorro que ronda a vizinhança atrás de comida e carinho. 
A residência, cercada pelo verde da Floresta da Tijuca, é da fotógrafa Mabel Arthou, amiga da família Guinle. 
Foi sugestão da atriz que o encontro acontecesse ali. Remete ao passado. “Você chega aqui e encontra essa paz toda! 
Frequento esta casa desde os meus 4 anos, faz parte da minha história. Eu, que morei a vida inteira em São Paulo, que sempre precisei andar duas horas para chegar a um lugar com verde, adorava vir ao Rio visitar este canto da cidade”, recorda Guilhermina, que chega carregando uma sacola. 
“Trouxe queijo camembert e damascos secos para animar nossa matéria”, diz, sorridente.
Sua empolgação tem motivo. Afastada da TV desde setembro de 2013, quando deu à luz sua primeira filha, Mina, do casamento com o advogado Leonardo Antonelli, irmão de Giovanna Antonelli, a atriz está de volta. 
“Eu estava com saudades! Me divirto e ainda aprendo com as pessoas com as quais convivo”, comemora. 
Ela interpreta a dondoca paulistana Pia em Verdades Secretas, novela das 11 da TV Globo. 
O drama familiar gira em torno da tentativa da socialite e de seu ex-marido na trama, Alex (Rodrigo Lombardi), de manter a filha (Agatha Moreira) longe das drogas e da prostituição no mundo da moda. 
Em meio a isso, Pia traz para casa seu namorado, o personal trainer Igor (Adriano Toloza), com quem vive um tórrido romance.
 Já nos primeiros capítulos ela apareceu numa cena quentíssima, fazendo sexo com ele no chuveiro.
Guilhermina tem um jeito reservado de ser, mas não foge de assuntos polêmicos. 
“Vejo essas pessoas da época da minha mãe, dos anos 60, achando nossa geração totalmente careta. Naquele tempo, havia a maconha. 
Hoje, as pessoas estão tomando gotinha (de remédios de tarja preta) no café da manhã. A droga química é complicada. 
Tem muito jovem usando isso. Fico preocupada com o que vai acontecer na geração da minha filha”, afirma.
MATERNAL
Ao falar da reviravolta dada por sua vida nos últimos meses, depois da maternidade, Guilhermina parece voar. 
Como as dezenas de pássaros que circulam pelo vasto quintal da mansão. Seus olhos vão junto. “É um momento único. 
Essa fase de ter um filhinho, amamentar, acompanhar os primeiros meses... Cada mês é uma descoberta. Só quando se é mãe se entende a importância disso. 
Tive leite até o quinto mês, mas gostaria de estar amamentando até hoje. Sei de mães que têm de parar com isso para voltar ao trabalho, deve ser de cortar o coração”, lamenta.
O que a maternidade  mudou em sua vida? A pergunta fica matutando por alguns segundos em sua cabeça. 
“Aquela frase meio clichê de que se fica menos egoísta começa a fazer sentido. De repente quero dar todo o tempo que sobra para ela”, responde.
 O repórter pede um exemplo prático: “Gravei (cenas) externas em São Paulo e não levei minha filha, porque o pai quis ficar no Rio. 
Acordei no domingo, a família está toda em São Paulo, tenho amigos da vida inteira lá, desde os 7 anos de idade. 
Estava de folga. Imagina se não ia ficar na cidade, marcar um almoço... Mas não! Eu não aguentei, voltei para o Rio! É outra forma de pensar as prioridades”.

TRAJETÓRIA
Guilhermina se mostra determinada. Era hora de ser mãe. “Eu poderia ter engravidado mais cedo e agora teria uma filha grande. 
Mas achei interessante ter sido mãe quando já estava mais velha. Não tenho mais aquela ansiedade, já fiz tanta coisa!”, diz ela, que enumera em seguida várias fases de sua vida. 
“Estudei em escola americana e terminei o curso aos 16 anos. Fui morar fora e estudar cinema. Depois, voltei e comecei a trabalhar aqui. 
E até acho que fiz as coisas cedo. Com 17 já estava morando sozinha. Fui estudar teatro em São Paulo e já me chamaram para fazer uma peça aos 19. Nunca mais parei de trabalhar.”

CASAMENTOS
Além de Leonardo, com quem está há três anos e meio, a atriz teve outros três relacionamentos – com Fábio Jr., José Wilker (1944-2014) e Murilo Benício.
 “Consigo manter a amizade depois que termino, e olha que tenho bastante ex!”, diverte-se.
 “Apesar de meus três casamentos, acredito em amor eterno, porque tenho exemplos dele perto de mim, de pessoas casadas há anos, e que são felizes. 
Fico triste com a geração atual, que é um pouco descartável, do ‘não está bom e tchau’. As pessoas não batalham a relação”, analisa. 
Nesse ponto, Guilhermina se define como uma mulher tranquila. “Sou muito easygoing. Então meus relacionamentos são bons. 
Vou ter sempre boas recordações das minhas relações, e eles também. Nunca terminei por brigas ou crises”, revela.
Quando foi vista conversando no aeroporto com o ex-enteado Fiuk, filho de Fábio Jr, comentários curiosos invadiram as redes sociais.
 “Me chamaram de ex-madrasta! Me choca pelo termo (risos). Ainda mais quando se vê o Filipe (Fiuk), que eu peguei no colo com 2 anos de idade.”
 Os casamentos passaram, mas a relação de amizade ficou. “A Tainá e a Cleo Pires (filhas de Fábio) são queridas, amáveis e carinhosas! 
Dizem que é sempre bom me encontrar! Foram cinco anos convivendo com eles. Ficou uma coisa boa, com carinho.”
POLÊMICAS
De volta à temática que ajuda a abordar na trama de Walcyr Carrasco, a atriz diz que passa longe das drogas. 
“Não sou ligada em drogas nem bebo álcool. Já tentei e experimentei bons vinhos, mas não suporto o gosto. Minha mãe adora uma cerveja gelada na beira da praia, e penso que deve ser uma delícia. 
Eu tentava tomar caipirinha, mas me perguntava para que insistir numa coisa de que nunca gostei”, afirma. 
Questionada se defenderia a legalização da maconha, por exemplo, ela pondera: “Isso é bem delicado. 
Tenho uma amiga que trabalha na ONG do (ex-presidente) Fernando Henrique Cardoso. É interessante. 
Não sou contra. Adoraria um mundo em que as pessoas soubessem usar de uma maneira incrível desde um Santo Daime até um LSD”, opina.
Sobre o aborto, assunto previsto para entrar em breve em Verdades Secretas (Pia deverá abortar), Guilhermina é firme.
 “É um assunto do qual não falamos muito, mas sabemos que existe. Para começar: sou a favor em casos de estupro, nem questiono. Não sei por que tem de existir uma lei para debater esse tema!”, exclama.

HERANÇA
Convites para posar nua surgiram desde sempre em sua trajetória profissional. “Nem ligo. Nunca dei ouvidos. 
Não é para mim”, comenta a atriz, que mantém ótima forma aos 40 anos. Ela se preocupa apenas em deixar um legado para a filha: a educação.
 “As pessoas acham que ‘berço’ é um termo de gente rica, e não é. Educação de berço significa ensinar desde o berço. 
Deixar lá, chorando, não tirar, esperar um pouco. Os pais se culpam muito. Tem uma música do Renato Russo que diz: 
‘Você culpa seus pais por tudo/São crianças como você’. Somos reflexos disso para a vida toda.”

FONTE/QUEM

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