terça-feira, 4 de agosto de 2015

Vladimir Brichta sobre papel no cinema:
"Tenho a ambição que o público me veja fazendo coisas diferentes'
Por Janaina Pereira
Conhecido pelos seus personagens cômicos na televisão, o ator mostra o lado dramático em 'Muitos Homens num Só', um Dorian Gray da sociedade brasileira, em seu novo trabalho no cinema
Apesar de ter nascido em Minas Gerais, ele se considera um autêntico baiano. Vladimir Brichta foi morar na Bahia com apenas 4 anos – após uma passagem pela Alemanha – e lá cursou Artes Cênicas - Interpretação Teatral na Universidade Federal da Bahia, dando início, assim, a seu trabalho como ator.
O sucesso na peça de teatro A Máquina, de João e Adriana Falcão, em 2000, levou Vladimir ao seu primeiro papel na televisão, na novela Porto dos Milagres, e a partir daí os convites se multiplicaram. 
Entre novelas e séries, atuou em Coração de Estudante, Sexo Frágil, A Diarista e Belíssima. Desde abril de 2011 está no ar na série Tapas & Beijos como o divertido Armane, par romântico da personagem de Fernanda Torres.
Além da TV, ele também se dedica ao cinema, onde está lançando Muitos Homens Num Só, de Mini Kerti. 
Na trama, baseada em livro de João do Rio, Brichta interpreta Artur, um homem que vive de pequenos golpes em hotéis de luxo do Rio de Janeiro do início do século XX. 
Misterioso, entre inúmeras identidades e conquistas amorosas, Artur se apaixona por Eva (Alice Braga), enquanto é perseguido implacavelmente pelo diretor do Gabinete de Identificação, Félix Pacheco (Caio Blat). 
Pelo papel, Vladimir Brichta foi premiado como melhor ator no Cine PE – o filme ganhou ainda outros nove prêmios.

Casado com a atriz Adriana Esteves, Brichta também estreia, ao lado da esposa, na função de dublador, na animação Os Minions. 
Em entrevista exclusiva para a GQ Brasil, o ator fala da carreira, da fama de seus personagens cômicos e analisa a atual situação do cinema brasileiro.
Quais as dificuldades ao fazer um filme de época?
 Ter uma temática de época deixa a linguagem diferente, e eu queria que o personagem fosse reconhecido como alguém do início do século passado, mas que gerasse empatia, tivesse frescor. Fazer este personagem me exigiu ter um gestual um pouco mais contido, e isso para mim foi um desafio, foi algo novo.

Como foi a sua composição do personagem?
Eu não queria que ele fosse o suprassumo da polidez, mas também não podia chutar o balde. Tive que achar o meio termo, mostrar esse homem apaixonado em uma época totalmente diferente. Ser espontâneo naquela época, certamente, é diferente do que é hoje.

Você ficou conhecido na TV por seus personagens cômicos. Em Muitos Homens num Só você exercita mais o drama. Como você acha que o público vai reagir?
Espero que o público goste! Eu quero agraciar as pessoas com algo diferente do que faço na televisão. Quando comecei, eu fiz várias peças dramáticas, e tudo isso ficou distante quando fui fazer televisão. Eu não tenho só a pretensão, eu tenho mesmo a ambição que o público vá me assistir no teatro ou no cinema fazendo coisas diferentes.

Você se inspirou no personagem Dorian Gray, que também circulava na alta sociedade e é bastante parecido com o Artur que você faz no filme? Inclusive há uma referência, seu personagem está lendo o livro O Retrato de Dorian Gray.
Quando eu li o roteiro eu não associei. Mas a Mini (Kerti, diretora) me falou que o Artur estaria lendo o livro, e isso ia aparecer no filme, e então pensei que realmente fazia sentido. Essa questão das aparências, de ser refém da imagem, de fato tem a ver com o Dorian Gray. No fundo, o filme fala sobre a identidade, já que o Artur tem várias faces. Acho que foi muito feliz essa referência, tem tudo a ver.

Você faz um seriado de muito sucesso, Entre Tapas e Beijos, e atualmente há uma transição forte entre cinema e televisão. Filmes estão virando séries e vice-versa, o que você pensa disso?
Acho que hoje para o ator não falta trabalho. Fazer um filme atualmente significa que esse filme vai passar em algum lugar. Pode ser que ele passe na televisão, e aí vai ser visto por muito mais gente do que foi visto no cinema. Mas o cinema ainda é uma experiência. Ir ao cinema é especial, e eu espero que isso seja preservado, que seja realmente mantido. Então eu acho legal fazer filmes para o cinema, acho importante.

FONTE/QG

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