quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Wellington Muniz sobre nova fase: 
"Quando minha filha nasceu vi o que queria da vida"
Depois de 18 anos, o humorista deixou o Pânico e se aventura em um projeto solo, o programa 'A Grande Farsa', exibido no Multishow

Por Giullianna Campos
Ao receber a equipe de QUEM em sua casa, no bairro do Brooklin, em São Paulo, Wellington Muniz, de 43 anos, mais conhecido como Ceará, está enviando e-mails com sugestões para membros da produção de seu novo programa, A Grande Farsa, exibido de segunda a sexta-feira, às 22h30, no canal pago Multishow. 
“Me desculpem, hoje estou de folga, mas não consigo desligar. Acabei de ter várias ideias”, diz ele, pedindo que a repórter e o fotográfo sirvam-se da mesa de café da tarde, montada na sala de jantar da residência.
Depois de brincar com a filha, Valentina, de 1 ano, e despedir-se da mulher, a apresentadora Mirella Santos, com um beijo carinhoso, o humorista e apresentador está pronto para o bate-papo. 
Entre xícaras de café, sucos e pãezinhos, ele conta como foi a decisão de deixar, depois de 18 anos, o programa Pânico, na rádio Jovem Pan e na Band. 
“Me sentia estagnado”, diz. Ele também lembra do começo difícil, em Fortaleza, quando era um menino tímido e introspectivo que sonhava em trabalhar com humor. 
E fala, com orgulho, do novo projeto solo, no qual aposta em suas famosas imitações de Silvio Santos, Regina Casé e Sérgio Chapelin, entre outros, e na interação – de cara limpa – com a plateia. 
 Sempre foi engraçado?
Eu era uma criança muito tímida. Não falava, não me enturmava, era introspectivo, tanto que reprovei duas vezes a 5ª série. Quando meu pai percebeu isso, me tirou do colégio e me matriculou no curso de tornearia mecânica do Senai. Lá, me soltei. Falava bobagem, imitava os professores, fazia piada. Aos 16 anos, decidi largar o curso. Falei para o meu pai: “Desculpe, mas quero ser humorista. Vou trabalhar imitando as pessoas e serei um apresentador de TV”.

O começo da carreira foi difícil?
Fiz três testes para trabalhar em rádios de Fortaleza (onde nasceu e cresceu) e fui reprovado em todos. Não tinha voz, não sabia usar a dicção. Me achava o pior imitador do mundo. Então, comecei a trabalhar com o humorista Hiran Delmar fazendo shows pelos bares. Ganhava uns 30 reais de cachê. Eu era a escada dele, fazia as perguntas para ele responder com piadas. Também imitava a cantora Simone no final da apresentação e as pessoas riam muito. No meu primeiro show sozinho, de cara limpa, deu tudo errado. Foi em uma sexta-feira 13. Apesar disso, não desisti. As pancadas me ajudaram muito. Em 1997, já trabalhava em várias rádios e um radialista da Jovem Pan me ligou e me chamou para um teste em São Paulo. Depois de um mês, me mudei e comecei a trabalhar no programa Pânico – que em 2003 migrou para a TV – e criei o Paulo Jalaska (também na rádio).

Como foi sua saída do Pânico?
O programa me projetou, me catapultou. Tenho uma gratidão eterna pelo Tutinha (presidente da Jovem Pan), pelo Emílio (Surita), por todos que trabalharam comigo. Saí de lá na boa, na paz, pela porta em que entrei. Gosto de me desafiar. Sou hiper, mega, super, ultra-hiperativo. Preciso ter essa mente fértil para criar. E no finalzinho (do programa) estava me sentindo estagnado. Quando eles nos chamaram para falar sobre a renovação do contrato com a emissora, pedi um tempo para pensar. Queria levar novidade ao público, me arriscar, mudar. Quando minha filha nasceu, no dia 10 de agosto de 2014, Dia dos Pais, a peguei no colo, olhei para a minha mulher e disse: “Já sei o que quero da vida!”. Muita gente falou que eu era louco de sair, que eu ia abdicar do bom salário, do status... Mas eu acreditava que ia conseguir. Na hora em que me liberaram, no começo do ano, as propostas apareceram e eu assinei com o Multishow.

 A ideia do programa foi sua?
Sempre dizia que queria ter um programa de humor com auditório. Eu e o pessoal do canal conversamos e achamos esse formato no qual poderia continuar a fazer meus personagens e me apresentar também de cara limpa. A maioria das pessoas me conhece como o Silvio Santos, a Gabi Herpes, a Regina Ralé. Agora estou dando minha cara a tapa. Também me arrisco a fazer tipos comuns do dia a dia: mecânico, pedreiro. Fora isso, temos os quadros. Tudo acontece ao mesmo tempo. Eu apresento, saio de cena, chamo um personagem, brinco com a plateia...

Como é o processo de composição dos personagens?
Primeiramente, se eu não tenho um carinho, um respeito pela pessoa (famosa), eu não faço. A imitação é uma forma de homenagem. Nada mais é do que uma caricatura. Você pega o sotaque, alguns bordões e consegue criar a identidade do personagem. Coloco uma lente de aumento no que mais chama atenção na pessoa. Mas é preciso tomar cuidado para não exagerar. É difícil. Em alguns casos, fico vendo na TV direto para pegar os trejeitos. Aí, gravo a voz no celular. A dentadura mando fazer num protético. Os caracterizadores, maquiadores e figurinistas ajudam minha imaginação a compor. A imitação da Regina Ralé (Regina Casé), por exemplo, levou uns dois anos para ficar boa.

 Acaba pegando alguns trejeitos deles?
Acho que peguei muita coisa do Silvio Santos, porque o estudei muito. Falamos com as mãos. Tenho até um microfone igual ao dele, dos anos 60, que comprei na Alemanha.

 Está sempre ligado no trabalho ou quando chega em casa consegue descansar?
Preciso estar ligado nos 220 volts. Quando chego em casa, quero dormir, mas aí, olho para alguma coisa e tenho ideia para um quadro do programa. Quando acordo para ir ao banheiro, volto para a cama e minha cabeça liga. Quero desligar, mas não consigo. É como se fosse um carro parado, mas com o motor ligado. Estou sendo quase centralizador agora, porque participo de tudo do meu programa. Não quero ser só um apresentador de TV, quero trabalhar para o público. Quero ser um comunicador. 

E o Ceará pai, como é?
Sou um paizão que brinca, toca música, canta, faz imitações... A Mirella é uma mãe incrível, cuida bem de tudo. Troquei fralda umas três vezes, tenho medo, ela é muito sensível. Colocar um filho no mundo é uma grande responsabilidade. Sou um pai de família, trabalho muito e quero que minha filha tenha a educação que meu pai não pôde me dar. Quero que ela domine vários idiomas. Ela vai escolher o que quer ser, mas se eu descobrir que ela tem vocação para música, por exemplo, vou colocá-la na aula de piano, violão...

 Que balanço faz dos três anos de casamento?
O casamento é admiração. O amor está ali, é importante, tem que regar. Mas você não pode perder a admiração pela parceira. Admiro minha mulher porque ela tem personalidade, é espontânea, não se leva a sério. Mirella é uma excelente mulher, mãe e amiga verdadeira.

  É romântico?
 Sou mais de falar, de demonstrar. No domingo passado, cheguei às 22h em casa, cansado, tinha gravado o dia todo. Mas falei: “Vou dar atenção à minha mulher”. Levei-a para jantar e voltei quebrado. Mas você tem que se esforçar para inovar. Busco agradar as pessoas de que gosto. E ela faz muito por mim também.

FONTE/QUEM

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