sexta-feira, 22 de abril de 2016

Antonio Fagundes: 
“Ainda bem que não sou ciumento, porque o ciúme deve doer muito!” 
 O ator namora Alexandra Martins, 30 anos mais nova que ele, e garante: não rola qualquer insegurança.

Por Daniel Vilela 
A sorte anda ao lado de Afrânio, de Velho Chico. 
Na primeira fase, o personagem foi interpretado por Rodrigo Santoro e, agora, é feito pelo mestre Antonio Fagundes!
 “Pena que o tempo não foi muito gentil com ele”, brinca o consagrado ator, ao se comparar com o colega galã, que hoje brilha também em Hollywood.
 Fagundes, aliás, é uma espécie de amuleto quando se trata do autor Benedito Ruy Barbosa.
 A parceria dos dois vem de longa data.
 Entre as novelas dele das quais o ator participou estão Renascer (1993), O Rei do Gado (1996), Terra Nostra (1999) e Esperança (2002). 
Todas fizeram o maior sucesso. Se depender do ídolo, Velho Chico vai seguir bombando. 
“Tenho certeza de que Afrânio será antológico”, dispara Fafá, como é carinhosamente chamado pelos amigos.  
Na entrevista a seguir, o astro fala sobre a trama, o reencontro com Christiane Torloni, com quem fez A Viagem (1994); do romance com a atriz Alexandra Martins e do futuro do país. 
O que o seu Afrânio vai preservar do interpretado por Santoro na primeira fase? 
 Ele continua um apaixonado. Tanto pela Iolanda (agora vivida por Christiane Torloni) quanto pelo poder. Claro, ainda estará envolvido nas disputas políticas de Grotas.

 Acompanhou o passado dele? 
 Assisti a cada capítulo. Mas acompanharia mesmo se não fosse do elenco, porque um trabalho de Luiz Fernando Carvalho (diretor) é sempre digno de ser visto. Junto com o Benedito, mais ainda. 

 Foi bom dividir o herói com o Rodrigo?
 Todas as vezes que a gente se encontrava, eu brincava dizendo: sou o Rodrigo de amanhã! 

 E como é trabalhar mais uma vez com o Benedito? 
 Fizemos tantas coisas boas... Sempre é um prazer! Nem faz tanto tempo, estávamos com Meu Pedacinho de Chão (2014). Espero que ele se lembre de mim sempre, nem que seja para fazer um velhinho bruxo (risos). Todas as parcerias entre vocês deram certo. 

Considera-se o pé de coelho da sorte dele? 
 Olha, esse coelho tem é muito pé (risos). Além de mim, o Benedito pode contar com o Luiz Fernando e esse elenco maravilhoso. E, por falar em sorte, vou contracenar com a Christiane, um par antigo, que adoro! Então, pelo visto, o sortudo em questão é outro... Se você reparar, em tudo o que fiz, vai ver que tive sorte. Resultados, personagens inesquecíveis... O grande sortudo sou eu mesmo, já que me chamam só para coisas boas. 

 Você e Christiane não contracenam há 22 anos, né?
 Isso mesmo, desde A Viagem, uma novela que falava sobre reencarnação. Esse amor que a gente vai viver agora talvez seja um reflexo de nossas vidas passadas na TV (risos).

 Sua namorada, Alexandra Martins, chama atenção por onde passa. Tem ciúme? 
 Estamos ótimos. Ainda bem que não sou ciumento, porque o ciúme deve doer muito. 

 A cobrança por audiência chega a incomodar?
 Minha perspectiva é a de fazer o melhor que posso. Ninguém faz nada para ir mal, para dar errado. Algumas novelas não atendem à meta estipulada, mas isso é normal. Faz parte da vida da gente. Até em um casamento é assim, e olha que é uma pessoa só (risos). Imagina agora com milhões. 

 Não se sente cobrado para que a novela continue um sucesso na segunda fase?
 A responsabilidade existe sempre. A expectativa é de acertar. Rezo para o público embarcar com a gente (risos). 

Qual de seus papéis na TV guarda com maior carinho? 
 Já fiz coisas tão gostosas em todos os gêneros... Fui da aventura em Carga Pesada (1979 e 2003) ao drama de Dancin’ Days (1978). Dos centros urbanos de Vale Tudo (1988) até o interior em Renascer (1993). E ainda fiz comédia. Tenho um prazer grande em trabalhar. 

 Velho Chico já teve cenas bem quentes. Pode incomodar os conservadores?
 Hoje, com a internet, pode-se acessar coisas tão mais fortes... E ninguém tem controle. Os pais, infelizmente, não estão sabendo educar seus filhos. E, assim, acabam jogando tudo nas costas do estado. Para mim, a classificação indicativa que deveria existir é o diálogo. “Papai, posso ver?” “Ah, pode”. Ou “não, tá na hora de dormir”. Criei meus quatro filhos assim, estão todos muito bem, recomendo a todo mundo fazer igual.

 Acredita que era a hora de uma novela nos fazer olhar para o interior do país?
 Tivemos uma sequência longa de novelas urbanas. Acho ótimo poder sair de um ambiente e passar para outro. O público estava sentindo falta disso. Dá um frescor, um respiro calmo e gostoso, uma sensação de novidade, porque são cores, formas e ângulos diferentes. 

Durante a festa de lançamento, você brincou que se sentia igual ao deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), rodeado de microfones. Ele é uma inspiração para o lado político do Afrânio? 
 Espero que não tenha que me inspirar nele para nada. A gente tem que falar do país, mas sem ver o outro como inimigo. O Benedito faz isso muito bem. 

Pode explicar melhor? 
 O que há são adversários. Pessoas que pensam diferente. Em uma época tão cheia de preconceito, de extremismo, acho que precisamos disso neste país. Menos inimigos e mais adversários. Em vez de ter ódio, ouvir o outro, porque, às vezes, todo esse rancor se vai depois de uma conversa na mesa de bar.

FONTE/TITITI

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