segunda-feira, 11 de abril de 2016

Carol Castro:
‘Se eu me preocupar com a opinião alheia, vou perder um tempo precioso’
Por Leo Dias
Carol Castro acaba de se despedir da personagem que promete mudar sua carreira. 
A partir de amanhã, ‘Velho Chico’ avança para a segunda fase e Iolanda passa a ser interpretada por Christiane Torloni. 
Em conversa com a coluna, ela fala sobre as cenas de nudez que teve que fazer (e repetir) com Rodrigo Santoro e também sobre namoro, maternidade e vaidade.

A Iolanda de ‘Velho Chico’ vai ser um marco na sua vida, não é?
 Com certeza! Eu sinto que foi muito transformador, sabe? As pessoas viram um novo trabalho, uma nova atriz… 

Como foi receber a notícia dessa personagem? 
 É uma felicidade muito grande! Por esse trabalho, pela personagem… Não tem como não usar a palavra ‘presente’. Foi um presente. 

 Não é um Papai Noel que surgiu do nada, né? Você correu atrás dele, arrancou, convenceu ele a te dar esse presente!
 Exatamente! É mostrar que eu estou aberta! Eu estava querendo muito, sabe? Ainda mais quando eu vi os créditos no primeiro capítulo. Quando eu vi a abertura com o meu nome como atriz convidada… Nossa! Aquilo para mim foi um presente. 

 E naquela hora você se emocionou?
 O primeiro capítulo eu não consegui nem assistir! Era uma choradeira generalizada. É um reconhecimento que veio com muita luta, que veio com suor. Foi muito prazeroso no bom sentido. 

 E as cenas de nudez? Você sabia desde o início que iria ter que fazer? Se preparou de alguma maneira? 
 Não sabia que aquilo fazia tão parte do universo daqueles personagens, do amor de Afrânio (Rodrigo Santoro) e Iolanda desde o início. Tenho que agradecer ao (diretor) Antonio Karnewalle, ao (diretor) Luiz Fernando Carvalho e ao (produtor de elenco) Luiz Antônio Rocha. As pessoas tinham que sentir e torcer por aquele amor, sabe? No dia da sequência que passou no primeiro capítulo, era uma câmera só porque era externa e foi em uma casa em Santa Teresa, mas era como se fosse Salvador. O Luiz Fernando não trabalha com monitor, como acontece em estúdio, onde fica o pessoal da maquiagem, o continuísta olhando para ver se está tudo certo e não sei o quê. Tem apenas um minimonitorzinho que fica na mão da continuísta de confiança dele, é claro, mas ninguém fica checando. Eu não tinha noção do que estava sendo enquadrado ali, no plano aberto ou no plano fechado. Eu sabia que em algum momento alguma coisa ia aparecer, mas nem pensei nisso, porque, se eu estivesse pensado, não teria conseguido passar metade da verdade que foi passada. 

 Por que você acha que houve essa repercussão?
 Acredito que qualquer nudez sempre chame a atenção, então ela tende a ser comentada. Mas o mais interessante e que eu já falei aqui, que a todo o tempo sempre estava sendo falado da verdade da cena, focando no trabalho. Isso para mim é o que importa.

 O quanto que você é vaidosa, Carol? 
 Eu vejo a vaidade de uma maneira mais saudável possível. Estou falando de um outro tipo de vaidade que tenha a ver com o ego. Mas era isso que eu queria falar: da vaidade física e a vaidade profissional. Foi justamente esse tipo de vaidade que eu tive que deixar de lado numa cena de nudez. O que é aquela timidez? É vaidade, de certa forma. Isso foi trabalhado para que no momento não tivesse nada que me prendesse. Muito interessante foi o momento em que o Luiz Fernando fez eu repetir a cena de nudez. Ele parou e me perguntou: “Quantos anos você tem?” Na hora eu fiquei tão perplexa com a pergunta em cena que nem tinha 32 ainda e falei que tinha 32 anos. Aí ele disse: “Então você sabe do que eu estou falando! Você já viveu muita coisa.” Eu aprendi que você tem que amar a arte em você e não você na arte. Tem que se olhar numa cena e falar: “Poxa, eu consegui contar essa história…” Esse é o jeito que eu trabalho a vaidade profissional e esta vaidade estética como mulher eu tento também não ficar refém. Eu prezo muito o natural. 

Já colocou silicone ou aplicou botox?
 Não. 

 Mas então megacremes porque a sua pele está ótima né, menina? 
 Bom… obrigada! Confesso que ao longo do tempo eu fui aprendendo a ser mais vaidosa, com rotina de passar creme, me cuidar, de fazer hidratação no cabelo a cada tantas semanas… Sempre tive uma rotina de exercícios também. 

Como é que está o namoro com o violinista Felipe Prazeres? 
 Está ótimo! Só tenho a agradecer e ser feliz. Estou curtindo muito o momento, muito grata por tudo o que está acontecendo na minha vida.

 Você não queria ser mãe, Carol?Adiou os planos? 
 Quando eu era mais nova, bem menina mesmo, naquela fase de primeiros instintos maternos, eu achava que eu seria mãe antes dos 30 anos. Hoje, com 32 anos eu não tenho mais pressa. Penso sobre isso, almejo, mas eu vejo o momento que eu estou vivendo agora profissionalmente… Não cabe ter um filho ainda, sabe? Estou almejando tantos lugares… Mas com certeza o dia que acontecer eu vou viver isso e agradecer como nunca!

 Acha que vai ter um momento em que você vai sentir necessidade? 
 Acho que isso vai acontecer naturalmente. Confio muito no curso da vida e naquela frase: “o que é seu está guardado”. Lido com a vida dessa maneira. Mas confesso que eu sou uma pessoa ansiosa… De querer saber o dia de amanhã… 

 Mas o que eu percebo também é que você é verdadeira com os seus sentimentos. Você não leva um casamento ruim adiante (Carol se casou duas vezes) em nome de uma imagem, não é? 
 Sim. 

 Você está sempre em busca da sua verdade, mas você talvez pague um preço por isso… Ou não? 
 Não sei… Eu tento realmente ir por esse caminho. Eu procuro sempre ver o lado bom das coisas… Se eu me preocupar com a opinião alheia, vou perder um tempo precioso. Eu até escrevo de vez em quando no Instagram, gosto de escrever e externar às vezes o que penso. Durante muito tempo, eu tinha vergonha de mostrar. Com a maturidade, você vai procurando sua verdade, o que te faz bem. Isso é o que importa.

 Você é míope? 
 Eu tenho miopia e astigmatismo. 

 Mas o grau é alto, né?
 Acho que eu tenho 2,5 ou até um pouco mais. Mas vou te falar que é suficiente para eu não reconhecer alguém do outro lado da rua. Também não consigo dirigir à noite sem óculos porque fica tudo embaçado mesmo. Eu coloco grau no óculos de sol. 

Você não usa lente? 
 Não consigo… Meus olhos são sensíveis. Não sei se foi por eu ter tido uma conjuntivite viral na época em que fazia ‘Mulheres Apaixonadas’. Fiquei um mês com a doença nos dois olhos. 

 Verdade que já foi gaga? 
 Quando eu era novinha, com uns 3 ou 4 anos, lembro que eu era muito ansiosa. Eu pensava muito rápido e não conseguia falar na velocidade em que eu pensava. Às vezes, eu travava. 

 Em 2005 e 2006, você desfilou como rainha de bateria do Salgueiro. Em 2008, voltou como musa. Sente falta do Carnaval? 
 Toda vez que vou assistir ao desfile na Sapucaí, eu me emociono e choro. Foi uma coisa que me marcou muito. Eu tenho muito carinho e penso numa volta, mas como é uma coisa que requer muita dedicação, eu só me vejo fazendo aquilo de novo se eu tiver tempo de viver isso. 

 Me dê um motivo de arrependimento na sua vida? 
 Não costumo me arrepender de nada, eu acredito que tudo que acontece é válido, é experiência… Acho que me arrependo de não ter ido mais vezes visitar a minha avó em Natal. Eu sempre vejo o lado bom das coisas. De arrependimento, acho que só esse da minha avó. 

 Se você fosse apresentar seu currículo, a Iolanda de ‘Velho Chico’ estaria como destaque, né?
 É porque é um trabalho que está tão bonito, que é tão bonito de participar, está sendo tão bonito de vivenciar… As pessoas estão extasiadas. É um trabalho em equipe! Essa é uma coisa que eu aprendi muito com o Luiz Fernando Carvalho: aquele ateliê dele não é apenas um lugar. É uma tela artística! Um lugar onde ele mistura tudo. Ele coloca costureiras ali costurando uma fileirinha e você tem que passar por elas para chegar na sala de produção. Ninguém está tendo destaque individualmente, sabe? Aquela pessoa que limpou aquele chão com carinho e amor é tão importante quanto o iluminador. Então, se eu tive algum tipo de êxito neste momento, eu vejo que está toda a equipe envolvida nisso. Desde quem limpou o chão, a maquiagem, imagem, maquinaria, cenografia… Foi realmente um trabalho feito em conjunto desde o início, e isso é uma coisa que eu nunca vivi antes! É por isso que todo mundo está ali tão presente em cena. Tenho orgulho de ter conhecido e de ter estado com todas essas pessoas nesse trabalho tão bonito.

FONTE/ODIA

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