segunda-feira, 18 de abril de 2016

DJ Tubarão:
 ‘O funk se divide entre antes e depois da Xuxa’
Por Leo Dias
 O nome dele é José Ramon, mas o país todo o conhece como DJ Tubarão, um dos maiores nomes do funk carioca, dono de um currículo invejável. 
Tubarão já fez 12 turnês pelos Estados Unidos, quatro pelo Japão, duas pela Europa e uma pela Austrália. 
Hoje é o DJ residente do maior baile de funk do Brasil, a ‘Favorita’ e do programa ‘Funk-U’, líder de audiência das tardes da FM O DIA. 
Prestes a lançar um CD, na próxima quarta-feira, véspera de feriado, no Clube Monte Líbano, Tubarão fala um pouco de sua vida e analisa a história do ritmo musical que é a cara da juventude carioca. 
 O que vai ter na quarta-feira? 
É o lançamento do seu CD? 
A gente vai fazer o lançamento do CD na rádio FM O DIA, num especial. E à noite vamos lançá-lo para a galera na festa ‘Funk You’.

 E como é esse CD? 
 A primeira ideia era fazer o DVD, só que depois a gente sentou e achou melhor primeiro fazer o CD. Então eu reuni os artistas da Warner, como Anitta, Duduzinho e Buchecha, e chamei uma galera que não faz parte da gravadora, como o Nego do Borel e o Maneirinho. E ainda ficou gente de fora porque não dava para colocar todo mundo. Começamos a fazer a seleção do repertório e ver que música se encaixa com quem. 

 O que é preciso para fazer sucesso no mundo do funk?
 Tem que ter sorte. 

 Sorte? 
 É. Tem que ter sorte, estar na hora certa, no lugar certo… Tudo isso aliado a talento e competência. 

 É preciso ter mais sorte ou talento? 
 Os dois andam casados lado a lado, mas acho que o talento é muito mais necessário do que a sorte.

 Já viu gente sem talento fazer sucesso no funk? 
 Ah, já! Existem vários artistas de uma música só! A música vende, fica avassaladora, fenomenal e depois dá aquela sumida.

 Nesses 25 anos de carreira já viu muita gente surgir e desaparecer, não é? 
 Já. Lancei muitos! Claudinho e Buchecha foram os primeiros a tocar em rádio, em 1995. MC Marcinho fui eu que levei para fazer o programa da Xuxa, Marcio Goró também foi lançamento meu na época… É tanta gente que eu já até me perdi. 

 O que a gente vê no funk hoje é que esses caras são lançados como MC e depois abandonam o MC?
 As pessoas estão tentando se distanciar do funk com essa atitude?
Há algum tempo, o funk é um ritmo que toca em todo Brasil e eu posso falar isso com toda a propriedade porque eu já toquei em todos os estados brasileiros, mas ainda hoje existe muito preconceito com o MC. Quando o cara entra no funk, ele começa como MC e depois ele tenta tirar um pouco do MC, deixar só o nome próprio. Só que não adianta muito, né? Uma vez funkeiro, sempre funkeiro. Igual ao Flamengo: uma vez Flamengo, sempre Flamengo. 

O preconceito com o funk está diminuindo? 
 Está! Antigamente, o MC ia tocar em grandes casas noturnas e era proibido tocar funk. Só podia tocar no encerramento, lá para as 4h da manhã. Hoje em dia, não. Agora as casas são recorde de bilheteria com o funk. Mas existe aquele pé atrás com o MC. 

 Qual foi a importância de pessoas como Xuxa Meneghel e Carol Sampaio para o funk? 
Eu costumo falar que existe um divisor de águas. O funk se divide entre antes e depois da Xuxa. O funk sempre foi um movimento forte, mas não era da classe consumista. Ele era da periferia. Depois que a gente fez o programa da Xuxa na Globo, que eu fui convidado através do DJ Marlboro, ela vira e fala: “Sou funkeira mesmo. Quem gostar, gosta, quem não gostar…”. Isso aconteceu em 1994 e foi um divisor de águas. 

 Então Xuxa nacionalizou o funk? 
 Com certeza que ali foi o pontapé inicial porque outras pessoas passaram a olhar o funk com outra cara. Foi aí que começou a surgir o funk nas boates. Marlboro e eu começamos a fazer baile, eu na Circus…

 E a Carol Sampaio hoje com o ‘Baile da Favorita’ expandiu mais o funk. Você não acha que a Carol fez com que a elite passasse a gostar do funk? 
 O pessoal sempre gostou de funk. Eu sempre toquei em casamento e aniversário de celebridades muito antes de existir o ‘Baile da Favorita’. Todo aniversário da Carol tinha show com MC Marcinho, MC Sapão, sempre teve DJ Marlboro e DJ Tubarão. Um dia ela me ligou falando: ‘Estou com a ideia de fazer o Baile da Favorita’. No segundo baile já foi aquela coisa avassaladora. Daí em diante, ela trouxe a alta sociedade para curtir o baile funk. Você passa na pista, olha para o lado e vê a Carol Castro dançando. Olha para o outro lado está a Juliana Paes no camarote. É aquela coisa de todo mundo misturado. Cada vez mais o funk está exigindo dos cantores uma qualidade vocal. 

Hoje existe um processo de qualidade melhor? 
 Antigamente, as coisas eram feitas sem estrutura. Hoje, se você não tiver qualidade não vai para a frente. O funk hoje é taxado como a música eletrônica brasileira, então ele teve que se aperfeiçoar, senão, não ia tocar nas rádios. 

 Quem você sempre soube que seria um sucesso? E quem você quebrou a cara? Perlla era para ser a Anitta hoje, não era? 
 Certo, mas eu não sei da vida da menina. Não sei o que aconteceu na vida dela para de repente ter sumido, pode ter sido um problema de família. Mas se ela tivesse hoje continuado o caminho que ela estava, com certeza seria um sucesso. O MC Koringa é um sucesso! Conheço o Koringa há muito tempo, desde a época em que ele era açougueiro e já cantava. A própria Ludmilla também. São pessoas que a gente olha e vê que vai dar certo, entendeu? 

 Vamos falar da Anitta. Ela é funkeira hoje? 
 Eu acho que continua sendo porque ela curte o funk. No aniversário dela tem que tocar funk. Para mim, ela continua sendo funkeira independente do que falam dela. Anitta é um fenômeno em tudo o que faz. 

 O que a Anitta tem de diferente das outras? 
 Não sei, mas é muito surreal. A gente ouvia Anitta há muito tempo e ela continua sendo a mesma pessoa. 

 Você não acha que ela é muito focada? 
 É verdade! Ela é totalmente focada. O grande sucesso dela também deriva disso aí. Ela respira o trabalho dela. Se ela tiver que ir para o Japão, pegar um voo de 26 horas, fazer dois shows e voltar para o Brasil e ficar três dias virada, ela vai fazer. 

 Existe uma guerra entre os DJs? Ou há lealdade? 
 Olha, Léo… Eu acho que guerra não existe. Cada um faz o seu trabalho e tenta se destacar da forma que consegue. Eu me dou bem com todo mundo. Ligo para o Dennis, almoço com o Marlboro… Não tenho nenhum tipo de problema com ninguém. Costumo dizer que, em matéria de DJ, o Marlboro é o Pelé do funk. Não tem jeito. O Dennis é o Neymar, porque é o que está mais em evidência hoje . 

 E você? Você é quem?
 As pessoas já falaram que eu sou o Ronaldinho Fenômeno. Tudo tem a sua época, a sua fase, né? 

 Você se casou com uma dançarina né? Isso. Ela era sua dançarina? 
 Não, Julie é psicóloga formada, pós-graduada e sempre gostou de dançar. Ela fez faculdade, trabalhou em uma empresa muito grande… Só que é aquela velha história, né, Léo? O cara às vezes faz, tem diploma, mas não ganha tanto quanto ele gostaria de ganhar ou merece. Ela sempre gostou de dançar e então foi dançar com o Marcinho. Em um mês de show com o Marcinho, ela ganhou mais do que três meses trabalhando de psicóloga. Aí ela resolveu largar a profissão de psicóloga e ficou a dança. Foi quando a gente se conheceu. Namoramos um ano, terminamos o namoro… Aí ela foi para o concurso do É o Tchan, passou e dançou no É o Tchan por três anos. Um dia eu cheguei em casa de madrugada, bêbado, e resolvi escrever um e-mail para ela. Ela respondeu, a gente voltou a se falar, aí a gente se encontrou e aquele amor adolescente acendeu de novo. A gente voltou, ela saiu do grupo, voltou para o Rio, a gente se casou e hoje ela dança comigo nas minhas apresentações. 

Mas você é ciumento?
 Eu tenho ciúme até certo ponto. Gosto de vê-la dançando. Acho bonito, mas não gosto de falta de respeito. Aí eu viro bicho, né, cara? Não tem jeito. Mas não é ciúme porque eu já conheci ela assim. 

Você é mais ciumento que ela, né?
 Acho que eu sou. Os dois são, só que eu não costumo demonstrar muito

 Mas o assédio em cima de você deve ser muito, né? 
Bastante… Onde eu chego as pessoas pedem para tirar muita foto. 

 Sempre foi assim?
 Sempre foi assim. Eu vou pagar o pedágio na Linha Amarela, o cara da cabine fala: “E aí, Tubarão? Beleza?”. Aconteceu até uma coisa engraçada. Uma vez eu fui viajar para o exterior e cheguei faltando pouco para embarcar. Se fosse uma situação normal, eu não teria embarcado mas aí o cara me conheceu, me botou na frente de todo mundo e eu consegui embarcar. 

 Qual é o seu nome de batismo que eu não sei? 
José Ramon. 

 E você nunca usou o José Ramon? 
 No começo era José Ramon. 

 E como virou Tubarão? 
 Quem começou foi o Marlboro. Ele me chamava de Ramon Tubarão. A gente fazia uma matinê no Scala e colocaram no flyer DJ Marlboro e DJ Ramon Tubarão. Quando a gente foi para a Xuxa, ele me apresentou para a Marlene Matos e ela disse: “Não. A partir de hoje é só Tubarão. 
Quantos Ramons existem por aí? E quantos Tubarão tem?”. Aí ficou Tubarão. 

FONTE/ODIA

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