sexta-feira, 22 de abril de 2016

Olívia Torres: 
"Vejo minhas irmãs do feminismo como parceiras"
 Por influência dos pais, um produtor de teatro e uma atriz, Olívia Torres seguiu a carreira artística desde pequena.
 Aos 21 anos, já não mora com eles. 
Nascida em São José do Rio de Preto (SP), mas criada no Rio de Janeiro desde os nove meses de idade, a Débora de Totalmente Demais está solteira – conta com a companhia da gata Catita, seu amor à primeira vista.
 E defende a bandeira do feminismo.

Por Carla Neves 

A (ARTE) 
“A arte é transformadora. É algo que engrandece o ser humano porque o faz pensar sobre o mundo, além de transmitir sentimentos e repensar padrões. Nos faz ter mais compaixão com as questões dos outros.” 

 B (BAIÃO DE DOIS) 
“Depois que virei vegetariana, é minha maior saudade. Chego a sonhar com baião de dois (arroz com feijão combinados com carne seca, queijo coalho e bacon). Lembra minha infância, quando ia à Feira de São Cristóvão e dançava forró em cima dos pés do meu pai. Me remete a uma felicidade gigantesca.” 

 C (CARNAVAL) 
“É a época mais feliz da minha vida. Já estou pensando nas minhas fantasias para o ano que vem (risos). Sou dessas que acordam às 6h da manhã para ir a um bloco longe para caramba! Me preparo, vou ao Saara (centro de comércio popular do Rio de Janeiro) comprar acessórios... Organizo minha vida em função da semana do Carnaval.” 

 D (DESENROLA) 
“Foi minha estreia no cinema, meu primeiro trabalho com câmera. Fiz antes de atuar na TV, aos 14 anos. Foi muito especial. Ganhei meu primeiro prêmio de melhor atriz no Brazilian Festival, em Miami. Lembro que ganhei junto com o Wagner Moura. Fiquei muito metida de feliz, com os olhinhos brilhando.” 
 E (EMANCIPAÇÃO) 
“Fui emancipada no cartório com 17 anos para poder ir às gravações de Amor Eterno Amor (2012) sozinha. Meus pais estavam trabalhando na época e não poderiam me acompanhar ao Projac todos os dias.”

 F (FILMES)
 “Assisto pelo menos a dois filmes por semana. Sou aficionada por cinema. Assisto para aprimorar o meu trabalho como atriz, mas também como diversão, como algo que me descontrai. Assisto todos os gêneros. Compreendo que no meu trabalho é importante estarmos sempre preenchidos de novos olhares.”

 G (GATOS) 
“Gostava só de cachorros. Achava gato o bicho mais blasé do mundo. Mas um dia fui a um pet shop e a Catita agarrou na minha blusa e não quis me soltar. Fiquei apaixonada e a levei para casa no mesmo dia. Depois aprendi que os gatos são os melhores seres do mundo. Hoje sou apaixonada por gatos. Adoro cachorro, mas os gatos nos fazem aprender sobre a convivência. Tenho vontade de ter outros.” 

 H (HORÁRIO)
 “Sou muito pontual. Sempre me organizo para chegar antes nos compromissos e não deixar ninguém me esperando. Prefiro chegar antes a me atrasar. Sou muito caxias com isso.” 

I (INTERNET)
 “Não tenho televisão e só assisto a novelas e séries pela internet. É o maior acontecimento dos últimos tempos, um espaço de democracia maravilhoso! Mas também pode ser muito perigoso, porque todo mundo tem voz. Escolho o conteúdo que me importa, as coisas que me interessam. Quanto mais pesquisamos, mais pessoas conhecemos.”

 J (JADE) 
“É minha amiga irmã. Conheço a Jade desde que tenho dez anos. A mãe dela se tornou minha segunda madrinha. Somos família. Só não tenho a chave da casa delas porque elas têm preguiça de fazer. Mas vira-e-mexe durmo lá quando ela não está. E ela dorme na minha casa. É uma pessoa com quem cresci aprendendo. Somos realmente irmãs. Lembro de uma época que sonhava com as coisas que iam acontecer com ela. Somos meio anjo da guarda uma da outra. Brigamos como irmãs. A única diferença é que não passamos 24 horas juntas.” 

 L (LUTAS) 
“Luto muay thai, mas minha família por parte de pai é toda de judocas basicamente. Tenho dois tios judocas e milhões de primos judocas. Os tios que não são judocas também lutam. Eles têm academia de judô. Me apaixonei por muay thai e luto três vezes por semana. Amo e me aprimoro. Comecei pela estética, para fazer exercício. Mas agora é vício.” 

 M (MORERÉ)
 “Fui para Moreré, na Bahia, com minha amiga irmã, a Jade. Foi a viagem mais gostosa que fiz pelo Brasil, uma experiência incrível. Ficamos acampadas com um bando de amigos maravilhosos, uns 20.” 

 N (NOITE)
 “Sou notívaga. Odeio ser assim. Adoraria acordar às 7h da manhã. Já fiz isso durante um mês da minha vida. Foi lindo, me fez muito bem, mas por causa do trabalho diminuí. Durmo por volta das 2h da manhã. Antigamente dormia às 4h. Mas quero aproveitar mais o dia. Estou nessa batalha. Hoje estou me organizando para dormir antes de 1h.”
 O (O REBU) 
“Minha participação foi pequena, fiz a filha da personagem da Cássia Kis, mas o que aprendi foi totalmente desproporcional em relação ao tempo que trabalhei. Foi um aprendizado para a minha vida inteira. Devo ter trabalhado uma semana e meia, mas parece que trabalhei durante um ano de tanto que aprendi com a Cássia. Fiquei muito orgulhosa do trabalho.” 

 P (PLANO COLETIVO) 
“É a companhia de teatro da qual faço parte. Estamos juntos há quase três anos. Devemos filmar nosso primeiro longa esse ano e estamos com um projeto de peça para o ano que vem. Sou eu, a Aline Fanju, o Bernardo Marinho, o Igor Angelkorte, a Renata Guida, a Raquel Alvarenga, o Guilherme Dellorto, o Pedro Nercessian, a Camila Molica, o Pedro Henrique Monteiro e a Juliana Terra. É um projeto de vida. Construimos, estudamos, somos muito parceiros. Sou muito feliz de estar com essa galera por quem sinto tanta admiração.” 

 Q (QUÍMICA) 
“A Débora (de Totalmente Demais) é uma química e essa é a maior diferença entre nós. Quando me disseram que ela seria química, a primeira coisa que perguntei foi: ‘vou ter que aprender?’ (risos). Porque sou uma negação em química. Ia bem nas matérias do colégio, só em química que ficava em recuperação todo semestre. E não era por falta de vontade de querer passar e de entender. Não entrava na minha cabeça! Existia um bloqueio. Sempre fui boa em matemática e razoável em física, mas química sempre foi uma grande dificuldade. Quando me deparei com a Débora, achei uma ironia maravilhosa.” 

 R (RISCO)
 “Sou uma pessoa consciente, sei dos riscos de tudo na vida, mas não me paro por conta deles se eles forem apenas um medo. Não tenho medo de me arriscar. Por exemplo, estou morando sozinha. Saí da casa dos meus pais com 21 anos. Fui porque queria muito, sabia das dificuldades e tudo mais. Mas não tenho medo de novas experiências. Protagonizei meu primeiro filme aos 14 anos, não tive medo. Obviamente que o medo existe no fundo. Mas não faço com que esses riscos me paralisem.” 

 S (SORORIDADE)
 “Sou feminista e, para mim, sororidade é uma palavra muito importante. Sororidade é compreender todas as mulheres como irmãs que se apoiam em uma luta por igualdade. Tenho um grupo de amigas feministas no WhatsApp e é uma delícia. Todo mundo se apoia, se vê como irmã e usa a força que recebe das outras para ser melhor e crescer a cada dia. Vejo todas as minhas irmãs do feminismo como parceiras: as mulheres negras, brancas, trans, lésbicas.” 

 T (TEATRO)
 “Nasci basicamente no teatro. Meu pai, Lucas Mansor, é produtor de teatro, e minha mãe, Sofia Torres, atriz. A primeira peça que fiz tinha 6 anos. Meus pais são separados. Quando ficava com meu pai no final de semana, ele sempre tinha peça. Ficava com ele na coxia, brincando de ser contrarregra, mais atrapalhando do que ajudando. Mas achava a coisa mais maravilhosa do mundo. Aprendi muito vendo. Me lembro de ter escolhido essa profissão ainda pequena por causa da mágica da coxia.” 

 U (UNIVERSIDADE)
 “Comecei duas. Entrei na faculdade de filosofia aos 17 e cursei por um mês. E não consegui continuar porque os horários eram muito conflitantes. Estava ensaiando, fazendo novela. Preferi trabalhar a continuar a faculdade naquele momento. Preferi trancar para depois voltar. Mas nunca consegui porque minha vida felizmente tem sido muito contente de trabalhos, uma constância boa. E também de desinteressei um pouco por filosofia. Comecei a fazer outros cursos por fora e fez vestibular para Dança. E a mesma coisa aconteceu. Comecei a ensaiar para uma peça e não consegui conciliar. Mas sonho em fazer uma faculdade porque quero.

 V (VEGETARIANISMO) 
“Sou vegetariana e estou batalhando para ser vegana. Já não tomo mais leite e derivados. Não como carne vermelha nem frango. Mas ainda como peixe. É uma decisão totalmente ideológica. Vi um documentário chamado Cowspiracy, produzido pelo Leonardo DiCaprio, que fala como a pecuária está ajudando a fazer com que o nosso mundo adoeça muito. Descobri que se você comermos um dia como veganos economizamos 4 mil litros de água! Quando vi essa notícia fiquei muito desesperada. Falei: ‘vou ser vegana agora’. Só que é um processo. E o mundo não está preparado para veganos. É muito difícil comer como vegano na rua.” 

 X (XOTE DAS MENINAS) 
“A primeira música que aprendi a cantar foi o Xote das Meninas, do Luiz Gonzaga. Inclusive já cantei numa participação que fiz no show de um músico chamado Edinho Queirós. Amo essa música e amo Gonzaga.”

 Z (ZODÍACO) 
“Acredito muito em astrologia. Sou muito interessada. Sou geminiana, com ascendente em áries e lua em touro. Gosto muito de conversar e aprender sobre isso. Nunca fiz nenhum curso, mas acompanho um site de astrologia chamado Mapeando Maína Mello, que é gênia. Sempre converso com as pessoas sobre isso e tento aprender mais dos signos, dos outros planetas. Acredito que tudo influencia a gente, principalmente o lugar onde os planetas e as estrelas estavam no seu nascimento. Isso realmente deve ser definitivo. Por tudo que leio e aprendo isso me faz acreditar mais.”

FONTE/QUEM

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