segunda-feira, 9 de maio de 2016

Biel:
‘Não sou só mais um corpinho gostoso’
Por Leo Dias
Biel é um fenômeno por onde passa.
 Ele arrasta uma multidão adolescente. 
Sucesso com o chamado funk sedução, o cantor, de apenas 20 anos, se mostra maduro na entrevista a seguir. 
Biel faz aulas de canto, tem um Porsche parado na garagem e seu cachê custa R$ 50 mil por show, mas ele pede ao pai apenas R$ 15 mil de ‘mesada’ para passar o mês. 
O resto do dinheiro que recebe fica sob a administração de Seu Sérgio.
 O corpo malhado, nesse caso, é apenas um detalhe. 

 Em qual momento da sua vida que você percebeu que tinha talento para ser cantor? 
Eu ainda estou descobrindo esse talento. Na minha família eu nunca teve um cantor. Quando começou foi tudo um susto. Eu digo que a minha profissão é um pretexto para levar alegria para a galera. Essa é a maior importância do Biel. 

 Mas você se aprimorou? 
Sim! Eu comecei a estudar e hoje me considero um milhão de vezes melhor do que quando eu comecei. Não tinha noção nenhuma. 

 Quem te descobriu? 
No comecinho, quando eu lancei as primeiras músicas, foi a Viviane Queiroz, que é conhecida como a MC Pocahontas aí do Rio. Ela me chamou, queria fazer alguma coisa por mim e falou: “não estou pensando em contrato, só quero fazer alguma coisa por você”. Aí ela me apresentou o Batata, que produziu as minhas primeiras músicas de sucesso. Seu funk é o chamado ‘Funk Sedução’.

 Explica o que é ‘Funk Sedução’, Biel? 
Eu comecei fazendo ‘Funk Ostentação’, mas não me identifiquei e falei: “Eu não vou fazer putaria porque não é uma coisa que eu vou me orgulhar de fazer. Não quero ver a minha irmã, minha mãe tendo que aturar isso, porque a criação que eu tive em casa não permitia isso. 

 Qual criação você teve em casa? Me Explica? 
Os valores éticos da sociedade, né, cara? O que eu não quero para mim, eu não quero desejar para os meus filhos pequenos, eu não quero para os filhos pequenos dos outros . 

 Mas sua mãe fazia alguma coisa especificamente que você lembre até hoje que era sobre caráter que tenha marcado?
 Com certeza. Tudo que eu tive na minha vida foi por merecimento. Meu pai me deu um vidão, mas eu tinha que ter nota boa na escola. Tinha que respeitar meus professores, meus familiares… Devo tudo a eles, que me ensinaram a ser o que eu sou hoje para poder passar essa mensagem para o Brasil inteiro.

 Qual é a profissão do seu pai e da sua mãe? 
Meu pai trabalhou na noite a vida inteira. Ele começou como DJ e hoje é empresário de uma empresa de som. Minha mãe é advogada, mas não exerce a profissão. 

 E você tem irmãos? 
Tenho uma irmã de 15 anos, a Giovana. Então é uma família conservadora. 

Você classificaria assim? 
Nem tanto. A gente tinha muita liberdade em casa para conversar sobre qualquer assunto: sexualidade, drogas, violência… Isso que tornou a relação tão boa e fez a educação que meus pais me deram valer tanto. 

 Hoje você ganha mais do que o seu pai? 
Hoje, graças a Deus, eu sustento a minha família. Meu pai não trabalha mais, minha mãe não trabalha mais. Meu pai só administra a minha carreira. 

 Quando é que você perdeu a virgindade Biel? 
Foi com 15, 14 anos, eu acho. 

 Com quem? 
Com a melhor amiga. 

 Melhor amiga? Como assim? 
Como é que você começa um papo que vai terminar na cama com a melhor amiga? Cara, a gente estava se descobrindo naquela época. 

 Ela era virgem?
 Era. Foram os dois juntos.Aprendemos juntos. Sua beleza vem de onde? Graças a Deus eu não puxei o meu pai. Puxei a minha mãe (risos). 

 Teu pai é feio? 
Não, mas é careca e barrigudo. Eu puxei a minha mãe, narizinho de batata, pequeninho, bonitinho, bastante cabelo na cabeça… Se tivesse puxado mais o meu pai ia ser uma desgraça.

 E o DNA do corpo bom é de quem? Do pai ou da mãe?
 Eu sou maior que os dois. A família do meu pai inteira é baixinha. Meu pai tem 1,66m e minha mãe tem 1,68m. Eu tenho 1,74m, então eu acho que eu puxei bem a família da minha mãe.

 Já reparou que você tem muito fã homossexual? 
Já. E gosto muito, cara! Me dou muito bem com isso. A gente tem intimidade e brinca muito. 

 Como assim? 
Eles tem um astral ótimo! Os melhores shows que eu fiz na minha vida foram em boates GLS. Eles não têm medo de serem felizes e eu admiro muito isso nessa galera. E uma liberalidade sexual maior, né? É! Acho que vem daí a liberdade de curtir, de não ligar para o que todo mundo fala… 

 Você nunca teve questionamento nenhum sobre a sua sexualidade? 
Não, nunca cheguei a ter dúvidas. A vida inteira fui apaixonado por menininhas na escola… Hoje mais ainda. 

 Você sempre teve um poder alto de sedução?
 Na escola, quando pequeno, já namorava. Existia um salgadinho que vinha um anel dentro. Cada dia eu dava o anel para uma. Sempre fui assim. Percebi que a sua voz evoluiu. 

Você fez aulas de canto e está mais afinado, algo que no funk as pessoas não ligam muito. O funkeiro pode ser desafinado, cantar mal, mas o importante é fazer sucesso. Me explica isso?
 Infelizmente porque o funk hoje é a maneira mais fácil de se ganhar dinheiro. É só você ir, cantar meia dúzia de palavrões, falar que ostenta… A voz do cantor é em cima de batidão, não tem arranjo musical… Quando decidi fazer o pop e abrir meu estilo musical, tive que aprender para entrar nessa praia. Estou aprendendo muito. Não vou falar que eu canto para cacete… Acho que é um conjunto: tem a sensualidade das letras e o jeitinho carismático que todo mundo gosta. A galera se identifica com o trabalho em si e não só com a música. Estou aprimorando e sendo muito criticado. Mas é uma crítica construtiva. 

 Você começou com o funk ostentação, né? 
Foi! Era a vertente do funk que estava mais em alta na época. Fiz um clipe ostentação da música ‘Tô Tirando Onda’, que tem 30 milhões de acessos, mas eu nem canto mais em show essa música porque eu não me identifico. 

 Te incomoda as comparações com o Justin Bieber? 
Não. Acho acho que a comparação vem pelo fato de nós dois trabalharmos para o público adolescente.

 Qual o seu problema com o Duduzinho, Biel? 
Nenhum.

 Ele é que tem problema com você?
 Aí já não sei. A gente não é amigo, Leo. Aí a galera costuma falar que quem não é amigo é inimigo. A gente não é amigo. Isso eu posso afirmar. A gente nunca se viu muito, só em eventos da gravadora, mas eu admiro o trabalho dele. Tinha uma música que um passa pimenta o outro passava açúcar… 

Não tinha isso? 
Não, ele cantava “normal, mamãe passou açúcar em mim”, e eu “açúcar o caramba, mamãe me passou pimenta”! Mas a música dele não foi o primeiro layout da música ‘Mamãe passou açúcar em mim’.

 Então não foi uma provocação sua? 
Com certeza que não! Tem uma música mais antiga que a dele, que falava ‘era bebê não tinha talco, mamãe passou açúcar em mim’. 
 Você se arrependeu de ter publicado aquela foto sua de cueca no Snapchat?
 O Instagram apagou por causa da política de privacidade. Aí pensei: já que o Instagram apagou é porque deve estar muito forte mesmo. Vou tirar do Snap também. 

 O que a gravadora fala para você não fazer? 
Hoje em dia, não muito mais coisa, mas antigamente eles falavam para não postar tanta foto sem camisa, porque eu não era um modelo. 

 E hoje?
 Hoje eu acho que eu consegui conciliar muito bem os dois: o apelo sensual e a música.

 Quer dizer, hoje você não é mais só um corpinho gostoso, Biel? 
É. Não sou mais só um corpinho gostoso. 

 Quem você admira? Em quem você se espelha? 
Leo, eu não sou amigo, mas tenho contato com o trabalho dessa pessoa por ser da minha gravadora. Seria muito legal seguir os passos da Anitta. Ela saiu da Furacão e hoje é a maior artista pop do país, com o maior cachê de artista pop do Brasil! Me espelho muito na trajetória dela. 

 Qual o seu maior risco na sua carreira para você?
 Eu acho que é se perder, porque o que faz a carreira de um cantor é a música. Tenho medo de me perder no segmento. Meu carro-chefe hoje é ‘Química’ e no CD eu não tenho outra ‘Química’. Estou trabalhando a música ‘Melhor Assim’, mas outra ‘Química’ eu não tenho. Tenho um funk muito bom que é o ‘Pipa Avoada’ e uma música romântica que é ‘Romeu e Julieta’, que é muito boa. Entendi. 

Você tem a percepção clara de que outro hit como aquele no seu CD você não tem, né? 
Não, mas pode ser que vingue. A verdade é que no molde de ‘Química’ eu não tenho outra . 

 Eu quero saber o que você já conseguiu comprar com o seu dinheiro?
 Eu paguei as contas da minha família. O último tratamento da minha mãe que o plano de saúde não cobriu e a gente teve que arcar com tudo. Foi muito dinheiro, Leo. 

 O que é muito dinheiro para você? 
Eu nem sei ao certo, meu pai que administra tudo. Para você ter uma noção, eu peço para o meu pai R$ 15 mil por mês. Eu não gasto mais que isso, não tem por que eu mexer e movimentar mais dinheiro. 

 Então você tem um faturamento e pede ao seu pai tipo uma mesada. Enquanto isso, ele vai administrando o resto do dinheiro que você ganha? 
Isso. Se eu quisesse tudo, ele me daria tudo, mas eu não me considero maduro o suficiente para administrar isso tudo. 

O carro foi comprado com o seu dinheiro? 
Hoje eu tenho o meu carro que é uma realização imensa na minha vida. 

 Qual é o carro? 
Eu tenho um Porshe (que custa mais ou menos R$ 300 mil).

 Você já tinha casa própria? 
A gente tem muitas terras que o meu avô deixou de herança para o meu pai. 

Então você nasceu rico, Biel?
 Nem tanto assim. Meu pai sempre me deu um vidão, graças a Deus a gente tem uma estrutura muito boa hoje. Se acontecer alguma fatalidade hoje a gente tem como sobreviver. Isso me dá mais tranquilidade para eu trabalhar e não ficar tão pressionado.

FONTE/ODIA

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