sexta-feira, 20 de maio de 2016

 Flávio Canto sobre aposentadoria do judô: 
"É uma vida que morre"
 Apresentador do programa 'Balada Olímpica' e comentarista da Globo, o judoca Flávio Canto, medalhista olímpico em Atenas 2004, diz que entrou no esporte para aprender a se defender 

Por Valmir Moratelli com Paula Laureano 
 Medalhista olímpico no judô e comentarista do Time de Ouro Olímpico da TV Globo, Flávio Canto faz questão de afirmar: “Não existe ex-judoca!”. 
Aposentado desde 2012, diz que nunca esquecerá os valores de seu esporte, como determinação e humildade.
 Aos 40 anos, divide sua rotina entre o Instituto Reação (ONG criada por ele em 2003 para ensinar o esporte a jovens carentes do Rio) e o trabalho na televisão – ele também apresenta os programas Balada Olímpica (na Globo, ao lado da jornalista Carol Barcellos) e Sensei Combate (no canal a cabo SporTV). 
O tempo livre dedica à namorada, a jornalista Alice Bento. 
 A ONG ajudou Flávio a lidar com a aposentadoria.
 Desde sua criação, ele dividia o sonho de ser campeão olímpico com o de transformar a vida de crianças carentes. 
“Parar de competir e não ter com o que sonhar é algo que acontece com atletas. 
É uma vida que morre, pode até haver depressão.
 Felizmente, não aconteceu comigo. Muitos têm a síndrome de Peter Pan, não querem envelhecer”, diz o ganhador da medalha de bronze na Olimpíada de Atenas (peso meio-médio) em 2004.

 O motivo para pendurar a faixa foi, além da idade (ele tinha 36), uma lesão no joelho. 
Passou por quatro cirurgias e ficou sete meses parado, o que o afastou da disputa pela vaga dos Jogos de Londres em 2012. 
A migração para a TV foi imediata: à época, foi convidado para ser comentarista e apresentar o Corujão do Esporte, na TV Globo.
 “Fui direto para um novo trabalho, em um lugar onde ainda era faixa branca! 
E ser faixa branca tem um lado bom, tudo é novidade. 
Para qualquer lugar que eu olhasse, estava aprendendo alguma coisa.
 Não deu tempo para lamentar o fato de eu não estar mais competindo”, recorda. 
 REBELDIA 
O objetivo máximo do judô é derrubar o oponente com as costas voltadas para o chão, golpe chamado de ippon. 
Mas a luta também pode ser vencida por pontos. Não é permitido chutar nem dar socos. 
Flávio confessa que entrou no judô, aos 13 anos, para aprender a se defender. 
“Estava em um ano super-rebelde. 
Tinha trocado de colégio, com dificuldade de adaptação.
 No primeiro dia, briguei e apanhei. Sofri o ano inteiro.” 
Aos poucos, sem perceber, ele deixou de se preocupar.
 “Fui ficando amigo de todo mundo: o judô me deu equilíbrio e autoconfiança.”

FONTE/QUEM

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