terça-feira, 24 de maio de 2016

 Erom Cordeiro:
 “Consigo acessar minha loucura de forma muito mais rápida”
 Erom Cordeiro, que está prestes a completar 39 anos e vai viver um dos protagonistas de Supermax, série prevista para o segundo semestre, faz um balanço da vida, fala de sua vontade de conhecer o mundo 

Por Thyago Furtado 
A voz firme e o semblante sério entregam um homem reservado. 
No entanto, o ator Erom Cordeiro tem muita história para contar – e para viver, como ele pontua. 
Se antes, se definia racional e metódico, hoje o alagoano acredita ser mais maleável. 
“Ainda bem que as pessoas mudam. 
Acho que consigo acessar minha loucura de forma muito mais rápida, mas sei a hora de recolhê-la. Isso é saudável”. 
 Ele não é de dar detalhes sobre a vida pessoal, mas diz que a solteirice não é uma preocupação. 
“Não sou do tipo que tem que estar namorando. 
Se tiver que acontecer, vai acontecer”, conta. 
“Incansável”, quer tudo e talvez seja por isso que, entre um trabalho e outro, o galã tem se dedicado também à produção de peças teatrais.
 “Estou começando a tomar as rédeas disso. 
Colocar em cena o que quero falar tem me seduzido bastante”, revela. 
 E tem mais! Erom promete ser destaque nas telinhas ao viver um dos protagonistas de Supermax, série de suspense com estreia prevista para o segundo semestre, na Globo, que também inspirou o ensaio .
 “O público vai se surpreender. Foi uma bela experiência.”
 Você volta para a TV com um papel importante em Supermax. Você pode nos contar um pouco sobre a série? 
 É uma mistura de suspense e terror. Meu personagem é um ex-capitão de uma corporação e ele está no meio dessas 12 pessoas que querem ganhar R$ 2 milhões. Ele tem um passado... Todos têm algo que aconteceu no passado que se arrasta com eles até hoje. Eles não estão ali só para conseguir o prêmio, mas sim como uma espécie de segunda chance. 

 A TV tem ousado cada vez mais nas produções. Para você, como ator, como é participar de um projeto tão diferente do que costumamos ver na TV aberta?
Quando li a sinopse e os perfis dos personagens fiquei muito feliz porque é um tipo de dramaturgia que realmente a TV aberta não está acostumada. Tem um radicalismo maior. Os personagens são muito bem escritos e com uma gama de complexidade que para mim foi bastante bem-vinda. Os personagens não são de fácil digestão, mas a história é muito bem contada. Eles são bem profundos. 
 Você acha que vai fazer sucesso? 
Essa era de ouro das séries está chegando aqui também. São produtos menores, com ideias concisas e vejo isso com muito bons olhos. 

 É um novo caminho para a TV?
 Não sei se é o caminho. Acredito que o folhetim ainda vai durar muito tempo. É um fenômeno latino-americano. As novelas têm um padrão de excelência inquestionável, mas acredito que as séries vão ganhar cada vez mais espaço e o público vai se acostumar. 

 E você, tem alguma série que gosta de acompanhar? 
 Teve um período que acompanhava mais. As duas últimas que vi foram House Of Cards e Making a Murderer, uma série documental. Agora estou vendo Vinyl, que é uma produção de Martin Scorsese, que é muito interessante e bem feita. 

 Como você foi o processo de preparação para o seu personagem? 
Tivemos uma preparação de três semanas muito intensa. De 8 a 9 horas por dia para formarmos esse coletivo. São 12 participantes, cada um com um perfil completamente diferente do outro, apesar dos pontos em comum. Nos reunimos com o diretor Eduardo Barbosa, o que foi essencial para nós. Foi um período muito bom. 
 Quanto tempo durou as gravações? 
Começamos em julho e terminamos em dezembro. Foram cinco meses para gravarmos 12 episódios. Então foi muito bom porque em novela gravamos 30 cenas no dia, fora as externas. Para a série foram de três a quatro cenas por dia. 

 O que você acha de reality show? 
 Já acompanhei alguns. Acho bastante contemporâneo. Essa coisa do voyeurismo das pessoas, que quase se sentem íntimas de quem está ali confinado. É engraçado. 

 Você participaria? 
 Não. Mas não tenho o menor preconceito com esses formatos. Acho bem interessante porque tem uma dramaturgia própria, mesmo que seja a do real. É interessante ver como as figuras se comportam dentro de um confinamento. Mas não participaria. 
Quando mais jovem, você disse que se considerava uma pessoa metódica e racional demais. Você ainda é assim? 
Ainda bem que as pessoas mudam (risos). Hoje em dia deixei isso um pouco de lado, principalmente nos meus últimos trabalhos. Acho que consigo acessar a minha loucura de forma muito mais rápida e isso é saudável, mas também sabendo a hora de recolher essa loucura. Hoje em dia consigo acessar um registro mais catártico do que antes e isso é sempre positivo. Não sou do tipo que precisa sempre estar namorando"

E como foi o processo de amadurecimento?
 O trabalho do ator tem muito da observação do mundo e de si mesmo. Então, claro que tem vários pontos que vou decidindo trabalhar, mas para amadurecer é preciso mesmo ter força de vontade. Essa característica de ser racional ainda tenho, mas consigo não ser tão a ferro e fogo. É um processo normal, precisamos melhorar no dia a dia. Não vai parar nunca. Quanto mais vamos envelhecendo, mais bagagem vamos levando, mais vida... 
 O que você mais gosta sobre você? 
Acho que antes eu tinha uma tensão muito maior. Mesmo na seriedade, no compromisso com o trabalho, com a minha vida, mas hoje em dia consigo levar com uma leveza maior. Nunca vejo situações como um beco sem saída. Sempre acho que tem uma tangente que faz a gente sair desse lugar de tensão. Vivo de uma forma muito mais tranquila. 

 Existe alguma válvula de escape para sair da rotina intensa? 
 Sou um cara bastante urbano, mas sempre estou fugindo para o meio do mato. Isso me oxigena a cabeça, me faz bem. Para mim é necessário. Tenho de sair dessa loucura e ir para o mato, para o mar, cachoeira e faz parte da minha sanidade. 

 O que você costuma fazer nessas escapadas? Medita? 
 Não tenho o hábito de meditar. Gosto muito de fazer trilha, caminhar e descobrir. Tem muita coisa para acontecer. Gosto do contato com a natureza, mas caminhando em algum lugar já te conecta. É uma meditação ativa. Não parado em algum lugar. É trocando energia e conexão com o lugar que se está. 
 Você disse que adora conhecer lugares diferentes, você viaja muito? 
Viajei muito menos do que queria, mas já viajei bastante. Tenho vontade de tirar um período sabático da vida e meter o pé no mundo. Tenho vontade mesmo. Acho que assim que o trabalho e a vida permitir, vou me embrenhar nos confins do mundo. Quero registrar isso de alguma forma, não sei se em audiovisual, foto ou texto. 

 Que tipo de lugares? 
Tenho uma certa atração por lugares não muito explorados. Lugares mais ermos. Fiz uma viagem recentemente para Galápagos, no Equador. Realmente é um lugar muito especial. Você vê a Terra como ela pode ter sido tempos atrás... 

 Você cita o trabalho como exemplo em diversos assuntos. Como é a sua relação com ele? 
O meu ator está sempre presente. Acho que tem uma desconexão, às vezes. Mesmo quando estou fora, estou sempre observando o mundo. 

 Como ator, você passou por TV, teatro e cinema. Existe uma preferência? 
 Já houve. Hoje em dia não. Para mim a maior referência quando o assunto é atuação é o teatro. Ainda porque foi onde comecei. É onde consigo me resolver com o personagem de uma forma mais imediata. TV eu fiz menos, mas tenho um prazer gigantesco. Supermax foi uma das experiências mais prazerosas. Estou muito curioso e feliz. O público vai se surpreender. 

Quando o assunto é vida pessoal, você é mais reservado. Está solteiro? 
 Sim. Solteiro. 
 E está aberto a novos relacionamentos? 
 Não tenho muito controle disso. Deixo a maré me levar. Não sou do tipo que precisa sempre estar namorando. Se tiver que acontecer, acontece. Enquanto isso, me divirto. 

 Você acha que falta algo na sua carreira? 
 Estou começando a produzir minhas peças. Tomar as rédeas nesse sentido e colocar em cena o que quero falar tem me seduzido bastante. Claro que tem muitas coisas que não tenho controle, mas tem projetos que geralmente tenho tesão de fazer, como o filme “Longe Demais”, que rodei no deserto da Bolívia, no final do ano passado. Projetos não muito comerciais. Nessa altura da minha carreira, estou conseguindo conciliar tudo. Tenho sorte de pegar trabalhos bons. Estou bem feliz e querendo mais. Tenho essa coisa do taurino. Meio incansável. Trabalho é comigo mesmo.

 FONTE/QUEM

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