segunda-feira, 30 de maio de 2016

Daniel Ortiz:
‘Escrever novela é tão humano quanto trabalhar na ONU’
Por Leo Dias
Quem acompanha novela tem percebido que está havendo uma grande renovação entre os autores. 
Grandes cacifes não têm mais agradado ao público e Daniel Ortiz desponta hoje como um dos maiores nomes da nova teledramaturgia brasileira.
 O que impressiona em Daniel é seu currículo: ele trabalhou na ONU e na Anistia Internacional e estreou fazendo novela no México.

 Na terça estreia seu novo trabalho: ‘Haja Coração’. 
A ntes de ‘Alto Astral’, você foi colaborador em ‘Passione’ e ‘Guerra dos Sexos’. 

Como um colaborador se torna um escritor sem colaborador, aliás? Você é cria de Silvio de Abreu? 
 Para se tornar um escritor, é preciso ter uma boa sinopse, uma ideia original e que a emissora decida comprar e investir nela. Tem que ter talento e saber aproveitar as oportunidades que aparecem. Comecei minha carreira muito antes de trabalhar na Globo. Escrevi para o Peru, México, fiz uma novela no mundo árabe — a primeira do Oriente Médio. Ou seja, eu já tinha assinado sozinho novelas antes de chegar na Globo. No Brasil, eu tive a sorte de o Silvio de Abreu me convidar para ser colaborador dele em ‘Passione’, e uma coisa foi levando à outra. Aprendi muito com o Silvio. Ele foi meu supervisor em ‘Alto Astral’, quando fiz uma adaptação da sinopse da Andréa Maltarolli. 

 O que é pior pra você: ibope baixo da sua novela ou decepcionar Silvio de Abreu? 
Estou me dedicando e me empenhando para fazer meu melhor em ‘Haja Coração’ para que o público se divirta, se envolva e se emocione. E se isso acontecer, a audiência vai ser boa — o que será bom pra mim e para a emissora. O importante é fazer o nosso melhor, com muito amor e dedicação. O México faz parte da sua vida. 

Sua primeira novela foi para a Televisa. Mas há preconceito em relação às novelas mexicanas. A novela do Brasil é melhor ou o brasileiro é hipócrita?
 Não existe isso de novela melhor. Talvez a produção das novelas no Brasil seja mais rica, mais complexa, mas acredito que cada país produz um tipo diferente de produto. Tem mercado pra tudo. A novela brasileira não compete tanto com a novela mexicana lá fora. Quem compra uma novela brasileira pode muito bem também comprar uma mexicana, porque são públicos diferentes. Eu não colocaria dessa maneira, que existe uma novela melhor que a outra. 

 Fedora Abdala é a patricinha dos dias de hoje, viciada em rede social, fútil ao extremo e vazia? A sociedade burguesa está tomada de Fedoras?
 Tem muita gente que vive atrás do celular e isso acaba fazendo com que essas pessoas não tenham experiências de vida reais. Isso, pra mim, é um pouco preocupante. As pessoas deveriam estar se encontrando pessoalmente, conversando com os amigos, vivendo de verdade, em vez de passarem horas nas redes sociais. A Fedora é um pouco disso: é fútil, mimada, viciada em redes sociais, mas é divertida. 

 Você tem 44 anos. Há preconceito com autores jovens? 
 Nunca senti preconceito por ser um autor mais jovem. Acho que a renovação é necessária. Claro que nós que chegamos há menos tempo, não temos a mesma experiência que o Silvio de Abreu, o Gilberto Braga, o Manoel Carlos, que estão há décadas escrevendo, mas estamos vindo com um sangue novo. 

 Você trabalhou na ONU, na Anistia Internacional, na Unesco na África. Tem um currículo admirável do ponto de vista ‘humano’. Escrever novela é a coisa mais fútil que você já fez na vida?
 Não acho que trabalhar com novela seja algo fútil. Pelo contrário! Acho que é uma responsabilidade gigante levar entretenimento a milhões de pessoas. Isso chega a ser tão humano quanto desenvolver um trabalho na ONU. Várias vezes eu já escutei histórias de pessoas que estavam doentes, no hospital, e que ao assistir a alguma novela tinham um pouco de prazer e se distraíam. Então acho que levar alegria e diversão para as pessoas é uma responsabilidade tão grande quanto trabalhar em projetos humanitários. O público da novela das sete é basicamente jovem. 

O que você pensa sobre o jovem brasileiro dos dias de hoje. Ele não é alienado demais? 
É uma geração diferente. Os jovens de hoje são privilegiados por terem a internet. A informação chega numa velocidade muito maior, a comunicação é mais fluida. O jovem consegue saber o que está acontecendo nas novelas ao mesmo tempo em que acompanha as notícias do Brasil e do mundo, e ainda tem a possibilidade de ter voz, de se manifestar e se posicionar. Escrever novela é tão humano quanto trabalhar na ONU. 

 Qual a trama da sua novela em que você aposta todas suas fichas?
 É uma novela muito equilibrada, com um multiprotagonismo. Tem a história da Tancinha (Mariana Ximenes) e do Apolo (Malvino Salvador), que acaba virando um triângulo com a chegada do Beto (João Baldasserini), mas também várias outras histórias com quase o mesmo peso. O romance do Aparício (Alexandre Borges) com a Rebeca (Malu Mader), por exemplo, é uma trama clássica. Ele abandonou esse amor da juventude para se casar com uma mulher rica, a Teodora Abdala (Grace Gianoukas). Tem várias histórias românticas e eu espero que todas funcionem e alegrem o público.

 O que é proibido em uma novela sua?
 Nada. É preciso ter bom senso, apenas. Acredito que a gente tem sempre que adequar o produto ao horário em que ele é exibido. Tem certos assuntos que não tocamos para respeitar o horário das sete. 

 Você colocou João Baldasserini como galã. Isso é um risco, uma aposta ou uma certeza?
 O João é uma certeza. Ele é um ator de extrema qualidade, que fez excelentes trabalhos no teatro e no cinema. Pelo que eu já vi das cenas dele como Beto, ele vai surpreender.

 Jhonas Oliva, Gabriel Godoy e Sabrina Petraglia são o frescor que a TV precisa e que você se sente na obrigação de trazer para o público na sua novela? 
Não é obrigação, eu sempre tento dar oportunidade a atores jovens. Acho que vale a pena apostar neles. O Gabriel Godoy, o Conrado Caputo, o Johnnas Oliva e a Sabrina Petraglia são apostas que eu fiz em ‘Alto Astral’, que deram certo, e que estou repetindo em ‘Haja Coração’.

 Em poucas palavras, o que o público pode esperar de ‘Haja Coração’? 
O público pode esperar muito amor, muito romance. É uma história feita para a família assistir. Uma comédia romântica leve, com pitadas de drama e de mistério. Uma grande mistura.

FONTE/ODIA

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