quinta-feira, 19 de maio de 2016

Pablo:
‘Eu nunca sofri por amor’
Por Leo Dias
 Com muito orgulho, a coluna publica hoje uma entrevista com Pablo, o rei da sofrência. 
O cantor, que popularizou o arrocha com letras que retratam o sofrimento dos apaixonados, disse que nunca sofreu por amor porque se casou cedo, ainda com 15 anos. 
Hoje com 30 anos, ele relembra ainda os tempos difíceis, de quando ainda se chamava Agenor, seu nome de batismo: 
“Às vezes, comia na hora do almoço e não sabia se ia comer no jantar, ou no dia seguinte”. 

 SOFRENCIA 
Fala um pouco sobre o seu novo CD?
 Ainda estou em estúdio para finalizar o trabalho. Estamos correndo com isso, mas acredito que no segundo semestre vamos estar lançando. Já adianto que será muito romântico, e com aquela pitadinha de dor de cotovelo (risos). É pra se apaixonar e sofrer por amor mesmo! Estamos ainda pensando em quantas faixas, mas deve ser em torno de 14. 

 O que seu público pode esperar de novidade nesse novo trabalho?
 Preparem o coração! O romantismo está elevadíssimo. 

 Quando você começa a fazer a nova turnê? O Rio está incluído?
 Estive recentemente no Rio de Janeiro, no feriado de Tiradentes. Fizemos quatro shows. É uma cidade que sempre me recebe de braços abertos, literalmente, e eu gosto demais. A turnê vai ficar para o segundo semestre com o lançamento do CD. 

 Você já disse que é muito vaidoso. Qual foi o maior sacrifício que você já fez em nome da beleza? 
 Sou muito vaidoso, mas nunca me submeti a plásticas ou tratamentos mais específicos. O meu mal é a balança mesmo. Com essa eu brigo por longos anos (risos). Como tenho uma grande facilidade para engordar, vivo em uma dieta super rigorosa com meu médico ortomolecular chamado Gabriel Almeida. E faço também um acompanhamento com o personal Ricardo Gonçalves. Além disso, a vaidade fica por conta de cremes, perfumes, pelo que sou apaixonado, além de sapatos, que são meu ponto fraco. Gosto de me arrumar também. 

Você se acha bonito? 
 Bom, eu acredito muito no que as fãs me falam, né?

 Você já foi vendedor de verduras. Eram tempos difíceis? 
 Foi difícil, mas eu sempre fui persistente e nunca desisti de nada. Tinha que ajudar em casa. Às vezes, comia na hora do almoço e não sabia se ia comer no jantar, ou no dia seguinte. A música sempre fez parte da minha vida, mas não podia viver só dela. Mas sou grato a Deus por tudo o que Ele me proporcionou até hoje. 

 Tem alguma verdura que você não coma? Pegou trauma?
 Não. Gosto de tudo. Como todas as verduras e folhas. Ainda mais quem vive de dieta como eu. Seu nome é Agenor Apolinário.

 De onde surgiu Pablo?
 Agenor Apolinário dos Santos Neto — meu pai e avô têm o mesmo nome. Pablo surgiu de uma certa vez, quando eu tinha 6 anos de idade, e fui fazer um show com meu pai, em um clube dos oficiais da Bahia. Um policial — de quem não sei o nome e tenho muita vontade de encontrá-lo —, perguntou meu nome. Eu falei que era Agenor, e ele me disse que Agenor não é nome de artista. Então, falou que meu nome a partir de agora seria Pablo. E ficou… 

Quem é Pablo? 
 Pablo é hoje um empresário que cuida pessoalmente da sua carreira e que é grato a Deus e aos fãs por tudo o que conquistou até hoje. 

E quem é Agenor?
 Agenor é um menino do mato, que gosta de estar na roça nas horas vagas, montando e em contato com o campo. Agenor também é caseiro. Gosta de estar em casa, fazendo churrasco com amigos e aproveitando cada minuto ao lado da mulher e dos filhos. 

 Você é o rei da sofrência. O que é sofrência? 
 Eu não gosto de me intitular de nada. Rei da sofrência, do arrocha, foi o público que me deu esses títulos. Eu costumo dizer que apenas criei o gênero através de uma expressão que eu falava na seresta, que era arrocha, para os casais dançarem agarradinho. Daí o termo virou gênero e conquistou o país inteiro, e outros estilos que adaptaram o arrocha a seu segmento. Sofrência, que inventaram, é o sofrimento e a carência. O modo que eu falo do amor, que na verdade é o amor vivido por eles. O cotidiano. Por isso que as pessoas se identificam tanto com minhas músicas. Tem sempre alguém que me para e fala: “Pablo, aquela música é exatamente o que eu vivi com minha namorada”. Ou então: “Pablo, essa música é minha vida, minha história”. Isso é muito gratificante para mim: saber que eu faço parte da vida das pessoas.

 Você já sofreu muito por amor? 
 Eu nunca sofri por amor porque casamos cedo. Mas claro que a gente também briga. Eu sou completamente apaixonado pela minha mulher, então eu sofro demais com isso. 

 É verdade que você se casou aos 15 anos. E sua mulher tinha 14?
 Sim, casamos. Muita gente acha que casamos por causa de filhos, mas não foi. Casamos porque nos amamos! Os filhos vieram seis anos depois, quando eu já podia dar para minha família uma condição de vida melhor. Eu nunca quis que um filho meu passasse fome. 

 Em casa, sua mulher te chama de Pablo ou de Agenor?
 Ninguém me chama de Agenor. Todo mundo só me chama de Pablo. Os amigos da infância que ainda me chamam de Noca, ou Noquinha, que é o apelido de Agenor.

 Quantos filhos você tem?
 Tenho o Victor, de 8 anos, o Gabriel, de 4, e o Benjamin, de quase 2 meses.

 Como é a sua rotina quando não está no palco? 
 Sou bem família. Gosto de estar grudado neles. Ir para roça ou levá-los ao cinema, ficar em casa mesmo, jogando videogame, ou brincando de luta. Ou até ir pra nossa casa de praia em Guarajuba, na Bahia. 

 Como a música surgiu na sua vida?
 Comecei a cantar aos 6 anos com meu pai. Era uma forma de ganhar um dinheiro e sustentar a família. Aí, íamos para os barzinhos cantar. Muitas vezes, não ganhávamos nem cachê! Era um lanche ou um prato de comida. Mas já ajudava. E muito! Todo mundo fala do seu agudo.

 É dom ou é treino?
 É dom de Deus. Nunca fiz aulas de canto. Já nasci assim, graças a Deus. 

Como cuida da voz? 
 Faço alguns exercícios, mas nada com acompanhamento. Não tomo água gelada e como maçã, às vezes, para hidratar as cordas vocais.

 Você era vocalista do grupo Asas Livres. Por que decidiu seguir carreira solo? 
 Na verdade, o grupo Asas Livres foi o meu primeiro grupo profissional. Eu tinha 15 anos quando fui convidado para ser o vocalista. Foi lá que eu consegui uma casa para minha mãe. Depois disso, eu fui para o Grupo Arrocha, que virou Pablo e grupo Arrocha e, de lá, eu resolvi seguir carreira solo. Acho que seguir sozinho foi uma escolha de querer ser dono das minhas vontades. 

 Você esperava todo esse sucesso?
 Eu só queria levar minha música aos quatro cantos do país e não esperava que o público fosse abraçar meu trabalho desta forma. Sou muito grato! 

Foi difícil entrar com a sua música na região sudeste?
 As coisas na minha carreira acontecem de uma forma muito espontânea. Foi bem espontâneo e natural.

 ‘Porque Homem Não Chora’ talvez seja hoje sua música de maior sucesso. Você chora?
 ‘Porque Homem Não Chora’ fez um sucesso absurdo no Brasil inteiro, só que antes eu tive ‘Fui Fiel’, que também foi um clássico. Inclusive, a música foi regravada pelo Gusttavo Lima. Muita gente não sabe, mas a música foi trabalhada por mim primeiro. E, respondendo à sua pergunta, todo homem chora, claro. 

 Pablo é romântico? Conta uma situação em que você tenha sido romântico?
 Eu sou romântico. Gosto de mandar flores do nada, no meio do trabalho. Gosto de dar joias para a minha mulher. Gosto de agradar. Mas não me ligo em datas (risos). Acho que o romantismo está nisso. No inesperado. 

 O que você conseguiu comprar com o dinheiro que ganhou?
 Consegui comprar uma boa casa para morar. Ajudo minha família também (irmãs, pai e sobrinhos) e temos uma casinha de praia para o lazer. E tenho uma boa estrutura de shows, com carreta e dois ônibus, além de uma grande equipe na estrada e no escritório.

 Qual é o seu sonho de consumo? 
 Não tenho sonho de consumo. Sou apaixonado por carros e sapatos.

FONTE/ODIA

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