segunda-feira, 9 de maio de 2016

 Zezé Polessa revela que fez aborto:
 "Ali era direito meu"
 A atriz de 62 anos diz que está solteira, mas que prefere os homens mais novos. Intérprete da bruxa em ascensão em Liberdade, Liberdade, ela revela que fez um aborto quando era estudante 

 Por Elizabete Nunes 
 Com uma bolsa de praia a tiracolo, onde guardava um biquíni para dar um mergulho no mar após a entrevista, Zezé Polessa chega animada ao encontro com a repórter de QUEM, em uma livraria no Rio.
 Logo pede uma xícara de chá de capim-cidreira. 
A atriz vive Ascensão em Liberdade, Liberdade, nova novela das 11, da TV Globo. 
Na história, ela é uma curandeira solitária, com fama de ser “bruxa”, que utiliza seus conhecimentos com plantas para, entre outras coisas, fazer abortos nas meninas de Vila Rica.
 O assunto, para Zezé, não é tabu. Ela defende a descriminalização do aborto. 
Enquanto bebe seu chá, a atriz assume que já interrompeu uma gravidez, quando ainda era estudante de medicina. 
Na época, ela contraiu rubéola. “A estatística era bem alta para cegueira... 
Procurei (a direção) do hospital, falei o que estava acontecendo.
 Eu quis fazer um aborto”, revela ela, hoje mãe de João, 34, de seu relacionamento com o ator Daniel Dantas, 61. 
A seguir, Zezé fala que a sociedade ainda é preconceituosa quando uma mulher namora um homem mais jovem e que não se importa em fazer uma personagem como Ascensão, desprovida de vaidades.
 “A gente não é modelo!” 
  Esta personagem é muito diferente das que você vinha fazendo, não? 
 Sim! A Ascensão vai falar de um assunto que está superatual em 2016, que é o aborto. E olha que a novela começa em 1792 (a trama atualmente se passa no ano de 1808). Ela é conhecedora de plantas e usa isso para fazer abortos nas meninas que não podem deixar de ser donzelas, para arrumar casamento.

 Você é a favor do aborto? 
 Sou a favor da vida, dos casais terem seus filhos. Mas acho também que não pode ser um crime. Sou a favor da descriminalização e do apoio do Estado, principalmente em casos em que são mais do que recomendados, como agora com essa epidemia de zika. Sobre as coisas do corpo cada pessoa é que deveria decidir o que fazer. 

 Você já fez aborto? 
 Ah... (longo silêncio) Está bom, vamos falar sobre isso. No sexto ano de medicina, tive contato em um hospital com dois pacientes com rubéola, casos graves, e acabei pegando a doença. Só que estava grávida, no primeiro mês ainda, e nem sabia. Na época, a estatística era bem alta para cegueira e não quis (ter o bebê). Procurei o hospital, falei o que estava acontecendo, que contraí a doença trabalhando. Eu quis fazer um aborto. Aí começou um processo, até que uma hora um médico me disse: ‘”Olha, melhor resolver isso, porque está demorando tanto que você pode se prejudicar”. E fiz. É essa a situação agora das grávidas que contraem zika. Elas precisavam ter apoio médico! Foi uma decisão difícil, mas foi uma decisão. É um direito! Ali era direito meu e dever do Estado e da própria universidade. Como cidadãos, estamos vivendo ainda um momento com pouca assistência do Estado, tanto na saúde quanto na educação.

 Você se formou em medicina pela UFRJ, mas não chegou a exercer a profissão. Por quê? 
Primeiro porque eu tinha problemas com sangue, desmaiava vendo cirurgias (risos)! Na pediatria, chorava junto com as crianças. A verdade é que fui fazer medicina porque tinha um tio que era médico. Anos depois, descobri que era apaixonada por ele – que era gordo, careca e engraçado. Antes da medicina, porém, queria ser professora. Fui normalista, me formei para ser professora primária no Instituto de Educação da Tijuca, no Rio. Mas eu gostava de estudar, gostava de filosofia, história, não dava só para ficar no curso de normalista. E já fazia teatro desde a escola. No último ano de medicina, tranquei a faculdade porque já não queria largar o meu grupo teatral. Mas acabei sendo convencida pelo meu pai a me formar, ele dizia que era importante eu ter formação universitária. 

 Em Liberdade, Liberdade, você aparece com os cabelos grisalhos, com uma cicatriz na testa... É difícil se despir da vaidade? 
Estou deixando os fios brancos para a personagem, estou quase uma Bethânia (risos). Mas a gente não é modelo! Não é para ficar mostrando a beleza, e, sim, a personagem. Também tenho de sujar as unhas. Aliás, a primeira vez que usei um produto para deixá-las sujas, depois não saía de jeito nenhum! Fui jantar com uns amigos e, quando fui pegar uma coisinha na mesa para comer, fiquei com vergonha de acharem que minhas unhas eram daquele jeito!

 Você usa biquíni na praia e é sempre elogiada pela boa forma. Tem essa preocupação em ficar magra? 
Sempre fui magra, mas quero que meu corpo fique bem, tenha flexibilidade, que eu não sinta dor... Então, três vezes por semana, costumo correr meia hora na esteira em casa. Também faço ioga há mais de dez anos e adoro de caminhar. Em julho passado, fiz uma viagem onde fiquei dez dias caminhando pelas montanhas de Cévennes, na França. Andava de 30 a 40 km por dia, o que dava mais ou menos de sete a oito horas! 

 Já fez plástica? 
 Nunca fiz, mas cuido da pele. Gosto muito de usar cremes. Outro dia minha dermatologista falou assim para mim: “Você não gosta mesmo de botox, né?”. Mas quando eu fazia Porto dos Milagres (2001), coloquei botox. Gente, para quê? Quando fazia assim (ela arregala os olhos), uma sobrancelha descia e a outra ficava lá em cima da testa! Mas sabe onde recentemente fiz um preenchimento? Na minha orelha! Sério, pega ela para você sentir... Minha dermatologista falou que ela estava murchinha... E era por isso que eu estava perdendo brinco. Meu filho João achou tão engraçado! Mas sabia que tem gente que faz até na mão? Depois fica aquela mão inchada...

 Tem alguma alimentação especial? 
 Não como nada com glúten há uns seis anos. Nunca tive problemas com a balança, mas tinha um excesso aqui (põe a mão na barriga), que só saiu quando cortei o glúten. E não como mesmo! Sempre procuro consumir coisas saudáveis. Entre refrigerante e suco, prefiro suco. Entre suco e água, prefiro água. E assim por diante... Só como alimentos orgânicos. Se não tiver morango orgânico, não como e pronto. 

Está solteira? 
Sim, e estou me sentindo tão bem... Mas é comum achar que estou vivendo a melhor fase da minha vida sempre. Estou começando uma novela, vou a São Paulo ver o roteiro de um filme, moro sozinha, tenho a minha casa do jeitinho que gosto (na Gávea, Zona Sul do Rio), tenho minha família...

 Voltaria a se casar? 
Ah, não sei... Meu último namoro longo durou quatro anos. Como ele era de Campinas (interior de São Paulo), passava algumas temporadas comigo no Rio, depois eu ia passar uns fins de semana com ele lá. Foi bom o tempo que ficamos juntos, mas não tive vontade de casar. Ele era 20 anos mais novo. Era cantor, mas voltou para Campinas para ser protético.

 A sociedade ainda é preconceituosa em relação a uma mulher namorar um homem mais jovem? 
 Acho que sim, e isso é absurdo. Por mim, só namorava homem jovem, é mais gostoso (risos). Mas é louco. Para o homem, isso o valoriza. Para a mulher, a esculhamba. Ao mesmo tempo, com a experiência que tenho, não é saudável que esses romances se prolonguem. O mais jovem vai ser arrastado pela estrada do mais velho. Tem uma tendência a virar uma relação neurótica.

FONTE/QUEM

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