domingo, 5 de junho de 2016

 Juliana Baroni:
 "Tenho vocação para ser mãe"
 Mãe da pequena Mariana Eduarda, de 2 anos, atriz mostra como é sua rotina para QUEM e fala da veia artística da menina: "Adora cantar"

Por Beatriz Bourroul
 Aos 38 anos, Juliana Baroni não esconde sua realização profissional e satisfação em morar na cidade de São Paulo, após 23 anos no Rio de Janeiro. 
"Vivo um momento muito especial", diz a atriz, intérprete de Rebeca, protagonista da novela Cúmplices de um Resgate, do SBT. 
  Embora tenha um ritmo puxado de gravações, ela faz questão de levantar antes das 7h para levar a filha, Maria Eduarda, de 2 anos, do casamento com o escritor Eduardo Moreira, para a escola.
 No trajeto de carro, Juliana atende ao pedido da menina para escutar o CD da novela. 
 Juntas, cantarolam Sempre Contigo – clipe musical da trama que tem a participação da filha. 
“Sou coruja. Não tem como não ser”, diz ela, que enxerga aptidão artística na menina.
 “Duda adora brincar de cantar e desenhar.
 Ela tem um traço firme para a idade e também ama tocar sua guitarra.” 
 A construção de uma família era um desejo da atriz.
 “Antes de conhecer meu marido, Dudu, ser mãe era um sonho adiado. 
Não queria ser mãe solteira.” A sintonia do casal é tanta que Eduardo assina a peça Branca de Neve e Zangado, próximo trabalho de Juliana nos palcos, previsto para o segundo semestre. 
 Além do período dedicado à família, a atriz procura se exercitar na academia antes de seguir para as gravações nos estúdios do SBT e não economiza elogios para Larissa Manoela, de 15 anos, sua filha na ficção.
 “Ela é um fenômeno. Conversamos de igual para igual.” 
 Acompanhamos um dia seu e vimos que está ambienta com a cidade de São Paulo. Foi fácil a decisão de morar aqui? 
 Estou superadaptada. Para mim, os pontos altos de São Paulo são o Ibirapuera e o bairro em que moro, onde posso fazer de tudo sem precisar me deslocar tanto. São Paulo é incrível. Por exemplo, se você tem vontade de uma comida paquistanesa, você acha. Se você quiser jantar às 3 horas da madrugada, também achará um lugar legal. Amo as padarias de São Paulo. Acho um programa tomar café da manhã nessas padarias maravilhosas. Também gosto de ir a feiras. Adoro a questão de atendimento nos serviços. As pessoas trabalham com vontade, são solícitas e educadas. 

 Você morou um bom período no Rio de Janeiro. Foi fácil se adaptar a uma cidade tão diferente?
Morei lá por 23 anos. Sempre fui uma apaixonada pelo Rio. Quando vejo o Rio com problemas como agora, fico triste. Não fico revoltada. Fico triste porque é um lugar que poderia ser o paraíso do Brasil. Tem beleza natural aos montes, praias lindas e um estilo de vida mais relaxado. Esse estilo dos cariocas também é legal, mas estou adorando morar em São Paulo. Estou morando aqui desde o fim de 2013. 

 Voltar para o Rio é descartado? 
Não. Mantenho uma base lá. Tenho um apartamento e preferi não alugar. Atualmente, minha irmã [a produtora de moda Giovanna Baroni] mora lá. Ela é 10 anos mais nova que eu, é uma filhinha para mim. 

 Ela era bem novinha quando você entrou para o meio artístico!
 Sim! Ela tinha um ano quando eu virei paquita. Tenho fotos dela de fralda e chapéu de paquita (risos). Para minha irmã, sempre fui um conto de fadas. Afinal, era a irmã que aparecia na TV. Tenho uma relação muito boa com os meus irmãos. Sou a mais velha. Além da Giovanna, tenho um irmão, Rui, três anos mais novo que eu. Apesar de eu ter saído de Limeira com 11 anos para morar no Rio de Janeiro, somos muito unidos. A distância fortaleceu nossa amizade. Temos pouco tempo juntos, mas quando estamos reunidos aproveitamos 100%. 

 Você ainda tem o hábito de ir para Limeira? 
 Vou sempre que posso, mas tenho uma agenda apertada. Gravo, geralmente, de segunda a sábado. Para ir a Limeira e passar só o domingo, fica muito inviável. São duas horas para ir e duas horas para voltar. Agora, com a Duda também tenho mais cuidados. Para sair com ela tenho que levar uma parafernália (risos). Tenho ido menos do que gostaria. Minha família continua lá e sempre que posso vou. Hábito matinal: suco verde 
Muitas vezes, os colegas de elenco se tornam uma família. É assim com o pessoal de Cúmplices de um Resgate? 
Somos um elenco unido e homogêneo. A novela é longa, ficará mais de um ano no ar. Se tivesse alguma diferença muito grande entre as pessoas, seria difícil a convivência por tanto tempo. É um elenco que gosta muito do que está fazendo. São pessoas que – fora do trabalho – gostam de estar reunidas. No meu aniversário, em abril, meu marido organizou uma festa surpresa. Foi uma festa de arromba! Todo o elenco veio em casa, cantou, dançou... Em maio, a Sabrina [Sato] organizou uma megafesta para o Duda [Nagle]. A gente gosta de estar junto. Meu marido também se inseriu no grupo. Ele escreveu uma peça infantil para eu encenar com parte do elenco após o fim da novela. Juliana Baroni acorda cedo e prepara a filha, Maria Eduarda, de 2 anos, para a escola Juliana Baroni leva a pequena Duda para a aula Juliana Baroni leva a pequena Duda para a aula De volta para casa, atriz toma seu café da manhã reforçado Juliana segue uma alimentação regrada e sem exageros. Suco verde faz parte de seu cardápio matinal Para aquecer o corpo, atriz gosta de ir caminhando até a academia Juliana treina em academia com orientação de personal trainer Atriz opta por treino funcional Juliana treina em academia com orientação de personal trainer Juliana treina em academia com orientação de personal trainer Atriz opta por treino funcional Juliana Baroni relê texto, estudado previamente antes de dormir, enquanto se prepara no camarim Juliana faz retoques finais na make Juliana Baroni Atriz é abordada por fãs nos corredores do SBT Juliana recebe orientações antes da gravação Em intervalo de cenas de ‘Cúmplices de um Resgate’, atriz se diverte Ao lado de Larissa Manoela, sua filha em novela Ao lado de Larissa Manoela, sua filha em novela Juliana Baroni e Duda Nagle: par romântico na ficção Juliana Baroni e Duda Nagle: par romântico na ficção 

 Seu próximo trabalho será no teatro. Sente-se à vontade nos palcos? 
 Eu adoro teatro. É um lugar onde gosto de estar. Minha primeira peça foi em 1998. Chamava-se O Momento de Mariana Martins, da Leilah Assunção. Depois, fiz a peça teen Balada. Também atuei em Veneza com um elenco de peso Laura Cardoso, Arlete Salles, Tuca Andrada e Débora Olivieiri. 

 Sua nova peça será Branca de Neve e Zangado. Já sabe como ficará o cabelão? 
Farei a Branca, mas a peça é uma releitura. A diretora vai decidir como fica [o cabelo]. A peça não é a versão clássica. Então, a gente pode tudo. Vamos brincar com o conto de fadas. Não sei se estarei com o meu cabelo natural, se usarei peruca... 

 Branca de Neve é a princesa preferida da Duda, sua filha?
 Quando ela fez 1 ano, ganhou uma casinha da Branca de Neve. Ela ama esse brinquedo até hoje. Minhas princesas preferidas são Branca de Neve, Rapunzel e Cinderela. A gente acaba passando nossas preferências para os filhos – não tem jeito. No Réveillon deste ano, passei dias em um resort para crianças com minha filha, meus enteados e meu marido. O público do hotel era de crianças e estou fazendo uma novela para esse público. Não me dei conta de que estou em um sucesso de TV. Tinha um espetáculo lá da Turma da Mônica no resort e eu fui mais assediada que a Monica e o Cebolinha (risos). Foi aí que me dei conta que estava participando de um sucesso. 

 A peça infantil vai de acordo com a intenção de seguir trabalhando para esse público? 
Inicialmente, pensei em fazer um espetáculo adulto. Decidi adiar o projeto e fazer um infantil. É um nicho carente de coisa boa. Vejo isso porque, às vezes, quero levar a minha filha ao teatro e não encontro uma peça educativa, por exemplo. Claro que há montagens maravilhosas para crianças, mas também encontro umas não tão boas. Nos bastidores de Cúmplices, estava falando com a Mira Haar, que é uma grande diretora de teatro infantil. Ela dirigiu o espetáculo de Castelo Rá Tim Bum e vai me dirigir em Branca de Neve e Zangado. 
 E como foi a decisão de atuar em uma peça escrita pelo marido? 
 Falei que estava pensando em fazer um infantil e comprar os direitos de uma história. Aí, ele falou que escreveria. E eu: “Como assim? Poxa, o Dudu quer fazer tudo” (risos). Disse que queria que fosse um clássico ou uma releitutra. Queria que a Mira dirigisse e o Giovanni [Venturini] no elenco. Ele escreveu a peça em três dias. Pensei: “Poxa, vou ler esse texto feito em três dias, farei umas críticas e a gente vai brigar...”. Lemos e fiquei arrebatada. Estava encantada e feliz. Liguei para os atores no mesmo dia e marcamos uma leitura para o dia seguinte. Todos curtiram. Começamos a captar recursos, fazer orçamento... Nossa ideia é estrear em outubro. 

 Vi que no aniversário sua filha se vestiu de Branca de Neve. Do que a Duda gosta de brincar? Já dá para notar uma veia artística?
 Acho que dá pra notar, sabia? Ela adora cantar, tocar sua guitarrinha... Também ama brincar de panelinha, fazer cupcakes de massinha de modelar. Ela adora desenhar e tenho um traço firme para a idade. A guitarra dela tem microfone ela pega direitinho nele, como se fosse realmente uma cantora. 

 Você se considera coruja?
 Sou! Não tem como não ser. Acho que não há mãe que não seja coruja. 

 Sempre quis ser mãe?
Sempre quis, mas era um sonho adiado sem previsão de volta antes de conhecer o Dudu. Não queria ser mãe solteira. Mais do que ser mãe, queria formar uma família. E o trabalho sempre foi minha prioridade. Trabalho desde os 11 anos. Quando conheci o Dudu, foi aquela paixão! Vi que ele era um pai maravilhoso e ele expressou o desejo de querer ter um filho comigo – que é raro para quem já tem filhos de outra relação. Afinal, é muita responsabilidade. Estava em uma idade de querer ser mãe. Encontrei a pessoa certa. Em seis meses [de relacionamento], estava grávida. Parei de tomar pílula e no mês seguinte engravidei. Até me perguntam se foi acidente, mas não foi. Foi desejada. 
 Tem planos de ampliar a família? 
No momento, não. A Duda tem irmãos. É uma relação muito saudável. Francisco tem 6 anos e Catarina tem 4. Ela só é filha única do meu lado. E tem muita convivência com os irmãos. Eles não se comportam como meio-irmãos. Dudu sempre diz que eles são “irmãos inteiros”. É um relacionamento de irmãos. Pode até ter umas briguinhas, mas eles se amam. Estou com 38 anos e focada no trabalho. Parei por dois anos para me dedicar à maternidade. 

Considera importante essa decisão da pausa? 
Claro! Consegui curtir todas as etapas da gravidez, da amamentação. Voltei a trabalhar depois que ela tinha desmamado. Não pulei etapas, curti tudo. 

 Considera-se mãezona? 
 Sou muito. Tenho vocação para ser mãe. Quando você é mãe, você tem que administrar seu tempo livre. Hoje, meu tempo livre não é só meu. É meu, da minha filha, do meu marido, da nossa casa. Quando era criança, via a minha mãe cheia de afazeres, mas não imaginava que fosse assim. É muita doação. Você tem que ser organizado. 

Nos bastidores de gravação, você convive com pré-adolescentes. Já dá para projetar como vai ser como mãe de adolescente?
Dá para imaginar e terei três adolescentes de uma vez (risos). Afinal, minha filha e meus enteados têm idades próximas. Quero curtir uma fase de cada vez. Até lá, muita coisa vai acontecer e o mundo vai mudar muito. Com a internet e as redes sociais, acho que as mães têm que estar muito atentas com quem os filhos conversam, o que acessaram... Não dá para ter o controle de tudo, mas é importante ficar atento, colocar limite. Acho que é o caminho. 
 Você está com 38 anos e aparenta ser mais jovem. Existe muito esse tipo de comentário? É uma preocupação sua manter-se jovem? 
 Existe, sim. Acho que é genético. Faço o que gosto e isso dá um frescor. Isso me alimenta para ter um espírito jovem. Não sou de muitos cuidados. Passo creme hidratante com protetor solar e, recentemente, comecei a frequentar a dermatologista.

Já recorreu a interferências estéticas? 
Ainda não (risos). Não sou radical com nada. Tudo tem que ser feito com o profissional certo e com moderação. Sou atriz e não posso me mumificar. Tenho que ter minhas marcas de expressão. Algumas pessoas pecam pelo excesso. Não descarto fazer, mas farei com moderação. Conheço várias atrizes que fazem e ninguém percebe. Esse é o caminho. Parar o tempo é que não dá. Como atriz, a gente tem que saber que cada fase da vida tem uma ganha de personagens importantes. Com 50, 60 anos não posso querer fazer papel de mocinha. 

 Como é a sua alimentação? 
 Adoro uma besteira (risos). Doce, fritura, pizza, vinho... Durante a semana, procuro seguir uma alimentação regrada. Em todas as manhãs, tomo suco verde com couve, limão, laranja e gengibre. Sinto que tomo um banho de saúde. 

 Você segue uma regularidade com a academia?
Depende da minha agenda com as gravações. Tem semana que só consigo ir só um dia, em outras consigo ir três vezes. Meu treino é funcional e bem dinâmico. Faço musculação e exercícios com bola e elástico. Treino por uma hora. É tudo bem objetivo. Meu tempo é muito contado. Volto da academia, tomo banho, busco a Duda na escola, almoço e vou para gravação. 

 Como é o ritmo de gravações?
Quando são cenas só em estúdio ou com a Larissa são na parte da tarde. Aí, busco minha filha na escola e almoço com ela. Em dias com cenas na cidade cenográfica, costumo ir mais cedo. Tem dias que saio da gravação às 8 da noite. 

 Tem algum personagem dos sonhos, que tenha desejo em interpretar? 
Nunca fiz um Shakespeare. O teatro tem a vantagem de que o ator não tem idade. Farei a Branca de Neve que, na peça, tem 18 anos e eu já tenho 38. Sou atriz e não posso me mumificar" 

Quando decidiu seguir a carreira de atriz? 
 Aos 12 anos, no filme Sonho de Verão, da Xuxa, descobri que queria ser atriz. O diretor disse que deveria fazer um curso. Fiquei com aquilo na cabeça, ainda era paquita. Trabalhei com a Xuxa até março de 1995. Em abril daquele ano, fiz teste para a Oficina de Atores da TV Globo. Em uma semana, fiz teste para Cara e Coroa e passei. Cheguei à novela totalmente crua. Wolf Maya, Falabella, Christiane Torloni e Louise Cardoso foram meus mestres. Louise me ensinou como decorar um texto, posicionamento de câmeras... Tive muita sorte. Anjos, eu diria. 

 Você é apontada como uma das atrizes queridas do Miguel Falabella...
Em Cara e Coroa, minha primeira novela, o Falabella fazia o vilão. O personagem dele me sequestrava na reta final da novela. Ele estava em cartaz com a peça Louro, Alto, Solteiro Procura.... Já tinha assistido à peça oito vezes como fã. E, aí, começamos a contracenar muito. Estudei o dobro para atuar com ele. Não queria decepcionar, era fã. E o Falabella conta piada, faz bagunça o tempo inteiro nos bastidores. Era louca pelas histórias dele, mas eu – para não me desconcentrar – colocava meu walkman. Depois das cenas, ele vinha me dar vários toques. Um dia, ele veio dizer: “Você tem talento, sabia?”. Até que um dia ele me contou que faria sua primeira novela como autor – Salsa e Merengue. Ele veio me perguntar se eu queira participar. Fiquei sem reação, sem conseguir responder (risos). Mas aceitei, claro. 

 Você disse que teve anjos no decorrer da carreira. Também procura aconselhar? 
Procuro ajudar, mas sem o tom de professora. Exemplo é tudo. Gosto de chegar texto decorado, bom humor, respeitar a pontualidade... Quando eles me perguntam, respondo de igual para igual. Não tem nada de “ah, eu sou melhor que você”. Até porque convivo com crianças cheias de experiências! 

Muitas das suas cenas são com a Larissa Manoela. Como é trabalhar com ela? 
Ela é um fenômeno! Tem 15 anos e é super experiente. Conversamos de igual para igual. Tenho 26 anos de carreira, mais do que ela tem de vida. É muito louco isso.

FONTE/QUEM

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