quarta-feira, 15 de junho de 2016

Caio Blat:
 ‘Já levei várias cantadas masculinas’
Por Leo Dias
Desde que surgiu na televisão, ninguém nunca duvidou do talento de Caio Blat. Mas agora, com o homossexual reprimido André, de ‘Liberdade, Liberdade’, Caio se supera. 
Na entrevista a seguir, o ator, de 36 anos, fala sobre homossexualidade, revela que já levou cantadas de homens e que não se importaria se um de seus dois filhos fosse gay. 
“Como pai, sinto um amor incondicional por meus filhos. 
Jamais rejeitaria um filho por uma questão como essa”. 

 Seu personagem em ‘Liberdade, Liberdade’ reprime sua orientação sexual por causa da sociedade. Você acha que hoje em dia isso ainda é comum na nossa sociedade? 
Infelizmente, sim. Ainda existem setores retrógrados e conservadores, muito preconceito e violência contra homossexuais. Mas isso está diminuindo cada vez mais, conforme as pessoas se informam e se educam. Os personagens homossexuais são cada vez mais comuns na televisão, e sempre muito populares, o que ajuda a informar.

 Você fez algum laboratório para viver o André? 
Tivemos um período longo de ensaios e preparação corporal, aulas sobre a época, esgrima, montaria, etc… Busquei estudar principalmente a história e entender o que se passa na cabeça de um homem em 1800 que tem que deixar a corte da Europa, com seus luxos, bailes e espetáculos, para vir viver num país ainda selvagem, com 99% da gente analfabeta.

 Já levou uma cantada masculina por causa da novela? 
Já levei várias cantadas masculinas, agora e antes. São geralmente muito educados. Você é pai de dois meninos. 

E se um deles fosse homossexual? 
Tudo bem para você? Como pai, sinto um amor incondicional por meus filhos. Jamais rejeitaria um filho por uma questão como essa. A orientação sexual de uma pessoa é algo íntimo e sagrado, merece todo o respeito da família e amigos. Qualquer coisa diferente disso é crime. Muito se falou sobre o beijo que o André daria no Tolentino (Ricardo Pereira). 

Você acha que essa cena pode chocar o público? 
A relação entre André e Tolentino foi brilhantemente construída pelo autor. O público sente a dúvida, o medo e o desejo deles. Entende os personagens e torce por eles. André e Tolentino viraram meme na internet. Um deles tem a foto dos dois com a seguinte frase: ‘Namore com alguém que te olhe como André olha pro tanquinho do Tolentino’. 

Você chegou a ver essa repercussão na internet? 
Eu postei essa foto. É muito fofa, diz que você deve se valorizar numa relação e não permanecer caso não se sinta amado. Adorei, serve para todas as pessoas.

 O que você ouve nas ruas? As pessoas apoiam o romance? 
Ouço sempre que o André é querido e torcem pelo seu romance. São poucas as piadas, sinto a sociedade brasileira mais madura, mais respeitosa nesse sentido. 

 Você já foi hostilizado por causa do André? 
De jeito nenhum. Você é casado há oito anos com a Maria Ribeiro. 

Qual é o segredo para um casamento duradouro nos tempos atuais? 
Não tem segredo, tem muito amor e dedicação. Quando você ficou com a Maria, já existia o João, que era fruto do primeiro casamento dela com o Paulo Betti. 

Como foi a adaptação de vocês? 
A gente sabe que hoje a relação entre vocês é dentro da mais perfeita harmonia… Eu e João sempre nos demos muito bem. Ele é muito especial, muito inteligente e sensível. Amo como se fosse meu filho. O Paulo é um grande amigo, por quem tenho grande admiração. 

 Você fez muito cinema. Tem algum trabalho especial que você tenha gostado mais de fazer?
 Vai sair este ano o filme ‘Barata Ribeiro 716’, em que faço o papel do Domingos Oliveira jovem, nos anos 60. Foi um trabalho especial, em que contraceno com a Maria e a Sophie Charlotte. 

 Prefere cinema, teatro ou TV? Por quê? 
Prefiro sair do teatro e fazer um filme, terminar o filme e começar uma novela, terminar a novela e voltar correndo pro teatro…

 Qual é o lado ruim da fama?
 A fama nunca me incomodou, porque nunca deixei. 

 E o lado bom da fama? 
 O interesse e o reconhecimento de milhares de pessoas. 

 Te incomoda quando um fã te pede para fazer selfie? 
Nunca incomodou. Às vezes, tenho que recusar, quando estou atrasado, ou cuidando das crianças. Mas tiro sempre com prazer, sei o que aquilo pode significar para um fã. Você se casou aos 21 anos em uma cerimônia espírita. 

Você segue a religião até hoje?
 O espiritismo não se apresenta exatamente como religião, embora tenha aspectos religiosos. Estudo e admiro muito Allan Kardec e Chico Xavier, e vou ao centro ouvir palestras e tomar passes sempre que posso. 

 Hoje, muitas pessoas buscam a profissão de ator por causa da fama. O que você acha da glamourização da profissão? 
O ator carrega as dores, e também os sonhos e desejos das pessoas, são seres especiais. Merecem esse mistério, mas sem exageros. 

 Quais são seus planos para depois de ‘Liberdade, Liberdade’? 
Vou para São Paulo apresentar no SESC a peça ‘A Comédia Latino-americana’, dirigida por Felipe Hirsh, com textos de mais de 30 autores latinos.

 Como você se vê daqui a dez anos? 
Igual, espero.

FONTE/ODIA

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