terça-feira, 14 de junho de 2016

Frejat fala sobre sucesso com as mulheres:
 'Tenho uma postura masculina'
 'Não me acho feio, mas também não me acho bonito', diz o cantor 

 Por Jacqueline Costa
— Os traços são másculos, a voz é grave e rouca, as rugas e alguns poucos cabelos brancos também marcam presença. 
Cantor, guitarrista e compositor, Roberto Frejat, aos 54 anos, é um tipão. Só pelo olhar, esse carioca pode se transformar tanto num maior abandonado, como o da música que fez com o parceiro Cazuza, quanto num louco apaixonado que limparia os trilhos do metrô e que iria a pé do Rio a Salvador. Foi assim no dia em que Nana Moraes o fotografou. 
Fez cara de mau moço, bom moço... Frejat sabe vestir o personagem. Fôlego parece não lhe faltar: nem no palco, nem na vida. 
Ele não para de pôr o pé na estrada para shows, não deixa de gravar e nem de compor. Aliás, decidiu gravar uma música nova a cada dois meses. 
A primeira, “Mais do que tudo”, ainda inédita (ficou pronta há duas semanas), ele apresenta na página ao lado. 
Mais uma balada romântica, o que é a deixa para uma pergunta meio sem graça, mas inevitável: “Você é romântico?”. 
A resposta é meio que um “não”: 
 — Na verdade, a gente tem umas imagens de amor que são meio óbvias, estereotipadas.
 Quando você vive uma história de amor mesmo, as situações são muito mais complexas e profundas do que a gente imagina.
 É lógico que é muito bonito quando você vê histórias de um casal idoso que continua se gostando muito. 
Minha mãe conta que meu avô era completamente apaixonado pela minha avó até o último dia. Não me considero uma pessoa muito romântica naquela coisa “Ah, vou mandar flores”.
 Mas sou um cara delicado e atencioso no sentido de tratar a pessoa bem. Não fico mimando, não sou grudento. 
E também não gosto de gente grudenta em cima de mim — diz o geminiano (acabou de fazer aniversário, no dia 21 de maio). 
— Abraçar para carinho tudo bem, mas dormir colado não rola. Ainda mais porque sou calorento — conta. 
Ele não dá a receita para um casamento longo, mas está há 29 anos com a empresária Alice Pellegatti, mãe de seus dois filhos — Rafael (estudante de Filosofia e integrante de duas bandas), de 20 anos, e Julia, de 16. 
Rindo, Frejat, que chegou a cursar seis meses de Geografia na UFRJ, conta o porquê de casar de papel passado e tudo: 
 — A gente se conheceu em 87. No ano seguinte, decidimos morar juntos. Em 95, casamos porque eu tava de saco cheio da Alice chegar à cidade onde eu tava tocando, dizer ao cara do hotel que é a minha mulher e ouvir um “Tá bom, conta outra”. 
Começou a ficar chato. Voltando à música, o cantor — que é da geração do rock anos 80 e que fez canções que ajudam a contar a história de muitos casais — lembra que descobriu seu gosto de cantar histórias de amor logo ao começar seu trabalho solo:
 — Canto amores que dão certo, que não dão certo, amores doentes, amores saudáveis, agressivos, doces. 
Todos os tipos. O universo sentimental é muito rico e expõe muito do que é o ser humano, em todas as qualidades e em todos os seus defeitos. 
Acho que isso é interessante e me alimenta. Sempre tem assunto. Frejat sabe que faz sucesso à beça com as mulheres. 
 — Acho que tenho uma postura masculina. Não me acho feio, mas também não me acho bonito. Tem também a postura de palco ou a que tenho quando estou me comunicando publicamente. 
Essas coisas dão uma sensação para as mulheres de que é um homem. Passam uma certa segurança. Tem, sim, sex appeal na história, mas não é nada planejado. É o meu jeito de ser.
 Não alimento e nem trabalho pensando nisso. Não é um objetivo — diz ele, que revela que sua mulher é, sim, ciumenta. 
 Muito novo, Frejat conviveu com amigos gays. Ele conta que isso o fez ter uma sexualidade muito tranquila.
 — Vários amigos tiveram que racionalizar porque, na verdade, o primeiro ímpeto era refutar, achar esquisito, ver de maneira preconceituosa.
Comecei a conviver com o Cazuza e com o Ezequiel Neves aos 18 anos e foi muito bacana porque nunca foi problemático. 
Pra mim, foi fácil. Pra eles, talvez tenha sido mais difícil me entender. Hoje, vejo uma garotada muito aberta. 
Ao mesmo tempo, vejo um velho ranço daquelas pessoas que tinham uma dificuldade enorme de ver outras formas de sexualidade como normais. 
 Sexo, para ele, melhora com o tempo. Frejat até fala mais devagar, para explicar melhor: — Você fica mais calmo, tem menos ansiedade, menos pressa. 

Tudo fica melhor: tanto pro homem quanto pra mulher. Pai do tipo que leva os filhos ao médico e que comparece a reuniões de escola, ele diz que, hoje, anda angustiado.
 — Criar filho é a coisa mais difícil do mundo, principalmente no momento que eles estão passando agora. 
Começam a ter as próprias opiniões, a própria vida e você tem que medir o ponto até onde pode interferir. 
Eu não quero impor nada, mas, às vezes, você quer saber das coisas e isso começa a incomodá-los. 
A minha vida na estrada não me permitia estar nos fins de semana em que outros pais estavam, mas sempre estive presente. 
 Filho de mãe descendente de judeus poloneses e pai descendente de árabes católicos, Frejat se diz organizado. 
Em casa, é do tipo que troca lâmpada, conserta porta de armário. — Dou um trato na casa legal. Ninguém chega dizendo que o problema é da rebimboca da parafuseta e leva um dinheiro. 
Não rola — avisa ele, que não come carne vermelha desde os 18 anos, faz ginástica, musculação e massagem.
 Frejat diz que não liga para grifes, mas dá valor a um bom corte. Ultimamente, tem feitos seus ternos com Camargo, em São Paulo.

FONTE/OGLOBO

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