domingo, 26 de junho de 2016

Maria Flor, após corte ‘joãozinho’:
‘Algumas pessoas me olham torto’
Atriz muda visual para viver DJ na próxima novela das 21h: 'Experiência libertadora' 

 Por Zean Bravo
   Maria Flor estará na capa da próxima edição da revista publicada pelo fotógrafo Jorge Bispo
 Para Maria Flor, atores são carentes e inseguros por natureza. Aos 32 anos, ela diz ter aprendido a lidar melhor com a ansiedade que cerca a profissão desde que dirigiu a série “Só garotas”, exibida em 2014 pelo Multishow. 
De volta às novelas em “A lei do amor”, a substituta de “Velho Chico”, com estreia prevista para outubro, na Globo, ela quer entrar no set mais relaxada, assim como fez quando atuou em “O rebu” (2014) e “Sete vidas” (2015), seus trabalhos mais recentes:
 — Passei a sofrer menos. Antes, acabava uma cena e ficava olhando para o diretor para saber se tinha sido bom. 

Descobri que não preciso ficar nessa insegurança. Se ele não falou nada é porque está O.k.
 Maria Flor diz que a experiência como diretora fez dela uma atriz mais colaborativa e que passou a entender o funcionamento das coisas como um todo: 
 — Não adianta ser um ator chato, que reclama por ter que esperar, por exemplo. Sócia de sua mãe, a roteirista e diretora Marcia Leite, na produtora Fina Flor Filmes, a atriz está envolvida em vários projetos, além da nova novela, escrita por Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari. 
 Na semana passada, ela lançou um crowdfunding para viabilizar o roteiro do filme “DOAMOR”. 
O longa vai encerrar a história de Lulu (papel da própria Maria Flor), protagonista da série homônima — e cultuada por fãs na internet —, que teve duas temporadas exibidas pelo Multishow. — A gente teve essa ideia do filme para fechar a história.

 Os fãs pediam muito por esse desfecho. Mas estamos produzindo outras coisas e não tínhamos como parar e escrever esse roteiro do filme — explica. 
 Maria Flor também vem trabalhando no documentário “Nômades”. Dirigida por ela, a produção mostra o processo criativo da peça homônima estrelada por Mariana Lima, Andrea Beltrão e Malu Galli.
 Nos últimos anos, Maria Flor tem se dividido entre os trabalhos como atriz em novelas, filmes e séries, e outros projetos mais pessoais
 Maria Flor ainda está em fase de preparação para viver a DJ Clara de “A lei do amor”
atrizes me deixaram filmar o processo de criação do espetáculo, mas eu não pude levar ninguém. Tive que fazer a câmera e o áudio sozinha, para não interferir muito. 
 ‘Estamos vivendo um momento radical de colocação, com muitas questões feministas sendo discutidas atualmente. Posso ter o cabelo que eu quiser’ 
Este último programa, sobre bandas que estão despontando no panorama musical britânico, tem sua terceira temporada exibida atualmente pelo canal Bis, todas as sextas, às 19h.
 — Eu dou opinião nos projetos da produtora, mesmo os que não dirijo — afirma. 
 Apesar de ter tido experiências como diretora, ela garante que cumpre apenas seu papel quando trabalha como atriz:
 — Adoro ir para o set e ter a liberdade de ser só atriz. Mas, no fim das contas, o nosso trabalho é solitário. 
É você quem vai para casa pensar e decorar o texto. Como diretora eu posso estar no set orquestrando um trabalho todo.

 Isso para mim é um frisson, uma excitação. Maria Flor ainda está em fase de preparação para viver a Clara de “A lei do amor”. 
Ela contou com a ajuda do preparador argentino Eduardo Milewicz, que trabalhou com o elenco da produção. 
Sua personagem é uma DJ descolada que divide um apartamento com amigos na Rua Augusta, em São Paulo. 
 A atriz começa a gravar em julho e tosou o cabelo para o papel. Ela diz que nunca teve os fios tão curtos. 
Após superar o choque inicial ao se ver sem cachos, conta ter ganhando força por causa do corte “joãozinho’’.
 — Experimentei o poder de não ter mais cabelo. Foi uma experiência libertadora — diz ela, que acabou entrando em contato com o preconceito e a falta de educação alheia por conta do visual: 
— Algumas pessoas me olham um pouco torto agora. Outro dia, uma menina me disse no salão: “Você era tão bonita”.
 Mas estamos vivendo um momento radical de colocação, com muitas questões feministas sendo discutidas atualmente. 
Posso ter o cabelo que eu quiser. Nestes últimos anos, Maria Flor tem se dividido entre os trabalhos como atriz em novelas, filmes e séries, e outros projetos mais pessoais. 
Ela estreou em 2003 na TV, em “Malhação”, logo depois de protagonizar “O diabo a quatro”, de Alice Andrade, seu primeiro longa. 
Esteve em novelas como “Belíssima” (2005) e fez o papel-título na série “Aline” (2008-2011), inspirada nos quadrinhos de Adão Iturrusgarai. 
 No cinema, foi dirigida por nomes como Jorge Durán (em “Proibido proibir”, de 2006), Laís Bodansky (“Chega de saudade”, de 2008), Fernando Meirelles (“360”, de 2011), e Cao Hamburger (“Xingu”, de 2012). 
Mas diz não ter predileção por nenhum tipo de trabalho. E tampouco torce o nariz para as novelas. — Adoro fazer. Todos os nossos atores mais célebres estão na TV. 
Onde mais teria dividido camarim com a Cleyde Yáconis (1923-2013)?

 REENCONTRO COM VERA HOLTZ
 Na nova trama das 21h, Maria Flor volta a trabalhar com a amiga Vera Holtz, com quem já atuou em outras três novelas. 
A personagem da atriz será filha da dona de um posto de gasolina — papel de Claudia Raia — onde os frentistas trabalham sem camisa: 
 — Fazer cena com ela é como ter uma aula de comédia. A DJ da novela vai circular por vários núcleos, o que é motivo de alegria para a atriz. 
 — É uma novela superclássica, no melhor sentido — diz Flor, que também está no elenco do filme “Pequeno segredo”, ainda inédito nos cinemas: 
—Não dá para ficar parada nessa vida. A carreira que escolhi é assim, não adianta.
 Claro que sofro por ansiedade. Por isso eu corro, faço ioga e análise.

FONTE/OGLOBO

Nenhum comentário:

Postar um comentário