quinta-feira, 9 de junho de 2016

Mateus Solano: 
"Sou meu maior crítico!"
 Depois do sucesso de Félix, o ator imprime seu talento de novo nas novelas como Rubião em Liberdade, Liberdade “quebrando a internet” ao aparecer nu em cena. “Gosto dessas situações-limite”, diz 

 Por Ligia Andrade
Mateus Solano surpreende o público a cada novo trabalho. Logo no capítulo de estreia da novela Liberdade, Liberdade (Globo), o ator apareceu completamente nu quando seu personagem, Rubião, foi covardemente torturado pela Coroa Portuguesa no fim do século 18. 
Sem saída, o intendente de Vila Rica, Minas Gerais, acabou traindo Tiradentes (Thiago Lacerda), o que levou ao enforcamento do alferes em praça pública. 
A atuação do ator estava, mais uma vez, impecável. No entanto, seu bumbum acabou causando o maior frisson e “quebrou a internet”. 
Solano tirou de letra a situação e o burburinho gerado pelo assunto nas redes sociais. “Gosto dessas situações-limite, é uma catarse mesmo. 
Mas a questão da nudez em si foi uma coisa na hora, uma sugestão do Vinícius Coimbra (diretor artístico da trama), e achei que supercabia. 
Se o personagem pedir, me jogo mesmo, é o meu trabalho”, afirma ele, que estava havia dois anos longe dos folhetins, desde quando interpretou o inesquecível Félix na novela Amor à Vida (Globo).
 PAI ZELOSO E ATENTO À WEB
 Solano não se incomoda com a fama, entende que é a consequência de sua profissão. “Há pessoas que alcançam a fama por outros motivos, não é o meu caso.”
 E faz questão de monitorar na web o que falam dele, por meio dos alertas criados pelo Google. “Até para controlar algumas besteiras, não a ponto de ficar procurando. 
O maior crítico do meu trabalho sou eu. Mesmo as pessoas gostando, se não estiver satisfeito, não adianta”, explica o ator, desde 2008 com a atriz Paula Braun com quem tem Flora, 5, e Benjamin, 1. 
Eles se conheceram nas filmagens do curta-metragem Marido, Amantes e Pisantes. Pai zeloso, ele vira um leão pelos filhos, a quem tenta proteger de todas as formas – evita até mesmo falar muito sobre eles. 
Mas deixa escapar que, mesmo com a agenda apertada, procura participar ativamente da rotina da família. 
“Não tinha um grande desejo de ser pai de um casal de filhos, mas já que aconteceu, agora é o meu sonho”, revela. 
Por ele, a fábrica fechou por aí: “Não tenho vontade de ter mais filhos”. E, ao falar da mulher, o ator derrete-se. 
Abre o sorriso e não pensa duas vezes para dizer que eles são, sim, um casal de verdade, que tenta melhorar a cada dia.
 “A gente trabalha muito para ser um casal de comercial de margarina”, confessa. 
O segredo da parceria do casamento de Solano e Paula está nas conversas e tentativas de entendimento para buscar o equilíbrio na relação.
 “Entendemos quando o outro está de mau humor, abre espaço. Acredito que conversando a gente coloca tudo para fora”, avalia o ator. 
 NAMORO COM CINEMA 
 Solano é do time de atores que faz questão de escolher bons trabalhos. Com uma trajetória consolidada na televisão, onde dá expediente há 13 anos – o primeiro papel de destaque dele foi na minissérie Maysa – Quando Fala o Coração (Globo, 2009) –, ele tem feito cinema com certa regularidade, achando-se um novato ainda. 
“Tenho gostado de poder escolher filmes e assuntos que me interessam. Ainda é uma linguagem muito nova para mim”, assume. 
Recentemente, interpretou um obstinado juiz federal no longa Em Nome da Lei, de Sergio Rezende. Ele aceitou o convite do diretor antes mesmo de conhecer a história de Vitor. 
“Depois veio a questão de falar da fronteira entre Brasil e Paraguai, sobre tudo o que envolve Justiça e fronteiras éticas que, às vezes, a gente ultrapassa para fazer justiça. 
Nem sempre se é justo. Fui atrás desse personagem que tem essa sede, mas com uma vaidade muito grande e o desejo de ser o grande herói da história.” 
Inspirado no trabalho do juiz Odilon de Oliveira, Vitor acabou sendo muitas vezes comparado a Sérgio Moro, juiz federal responsável por comandar em primeira instância os processos da Operação Lava Jato, o que o ator acha ser completamente natural pela situação política atual do país. 
“É uma história atual. Quando estávamos filmando, o juiz em voga era o Joaquim Barbosa. E agora temos um novo protagonista de um cargo político complicado em uma crise. Sem dúvidas, comparações serão feitas”, atesta. 
Brasiliense na certidão de nascimento, Solano diz-se otimista com o futuro do Brasil. Na verdade, preocupa-se com a questão da polarização. 
“É complicado, porque vira briga, são dois polos. No fim das contas, todos nós queremos um Brasil melhor e a polarização não deixa de ser um fator da crise que, a meu ver, é sempre benéfica e necessária.” 

QUEDA DO CAVALO 
 Quando está imerso em algum novo trabalho, Solano faz questão de ler sobre o universo do personagem. Para Rubião, por exemplo, leu Drácula, clássico escrito pelo autor irlandês Bram Stoker (1847–1912), e voltou aos livros de História. 
“Acho que faz parte do universo do Rubião, e agora vou ler dois livros, um que a Andreia (Horta, intérprete de Joaquina) me deu de aniversário e um dado pelo Caio (Blat). É muito bom trabalhar com gente que lê!”, vibra.
 Na trama das 11, Joaquina, filha de Tiradentes, está comprometida com Rubião sem saber que ele entregou seu pai. 
Por sua vez, o intendente também não sabe do passado da amada. Para dar imponência ao personagem, Solano recorreu a exercícios físicos, de maneira natural, sem forçar a barra na academia. 
“Levei uns pesos para casa, só tive de parar depois do acidente. Foi para a composição do personagem, sou mais magrelo”, diz ele, que caiu do cavalo durante as gravações na cidade cenográfica. “Já está tudo bem, graças a Deus. 
Meu braço não está mais imobilizado. Foi um susto”, lembra. Acostumado a ter personagens como Félix e os gêmeos Miguel e Jorge, de Viver a Vida (Globo, 2009/2010), caindo nas graças do público, o ator sabe da difícil tarefa de fazer as pessoas se encantarem por Rubião. 
“Félix tinha tanto humor, que já imaginava que uma parte dos telespectadores iria gostar dele. Foi um caso de amor entre o público e um personagem. Rubião é mais difícil, é um cara muito duro e o carisma dele vem da paixão pela Joaquina”, afirma o ator. 
 PERSONAGEM IMPORTANTE
 De vilão a queridinho dos telespectadores e protagonista do primeiro beijo gay em novelas da Globo, Félix marcou a carreira de Solano e ele sabe disso. 
“Nem se eu não quisesse, não posso deixar de pensar no Félix como o personagem mais importante da minha carreira, juntamente com os gêmeos, que me lançaram. Me perguntam se acho que as pessoas vão esquecer o Félix... 
Espero que não! Um personagem não chega para apagar o outro, mas para adicionar no seu trabalho”, aposta. 
Depois de Amor à Vida, a carreira de Solano foi caminhando naturalmente, já fez duas peças de teatro, dois filmes e o remake da Escolinha do Professor Raimundo.
 “Não foi uma coisa planejada. Félix marcou meu rosto e me exigiu fisicamente, foi muito exaustivo. Quem está do lado de fora não tem essa noção. 
Então, precisava de um descanso do ritmo de novela.” Já Liberdade, Liberdade, que terá 67 capítulos, é um pouco diferente dos folhetins tradicionais. 
“Por mais pesado que seja, é uma novela de quatro capítulos por semana”, justifica. 
Ao ser questionado se, às vezes, depara-se com os trejeitos de Félix, Solano tem a resposta na ponta da língua: “A pinta é minha, eu é que empresto para o personagem (risos).” 
Ele lembra o medo que sentiu ao descobrir que gravaria como Zé Bonitinho, na Escolinha, papel emblemático de Jorge Loredo (1925–2015).
 “No começo, iria fazer o Ptolomeu, mudou duas semanas antes de a gente gravar! Zé Bonitinho é um personagem cheio de trejeitos, tiques, uma voz empostada... 
É difícil. Tento me aproximar e fazer uma homenagem. Foi muito estudo nessas duas semanas”, recorda. Porém, o resultado não poderia ter sido melhor.
 “Fiquei feliz, principalmente pela repercussão carinhosa não só do Zé Bonitinho, mas da Escolinha como um todo.” 
Em agosto, após Liberdade, Liberdade, ele vai encarar a segunda temporada do humorístico, para deleite do público. 

 VAIDOSO, EU? 
 Com 1,90 metro, Solano não se considera um homem vaidoso. Quando não está trabalhando, ele não liga em deixar a barba crescer.
 “Fico mais largado, deixo a pele descansar, esqueço e aí vai... Deixo enquanto não começa a coçar”, brinca ele, ligado nas redes sociais.
 O ator tem um Instagram aberto, monitorado por seu empresário, e um fechado, no qual posta um pouco de sua rotina ao lado da mulher e dos filhos.
 Às vezes, aparece no Twitter, mas logo avisa: não tem Facebook. “De vez em quando, vejo algumas coisas pelo da Paula. 
Não tenho Snapchat, acho muito invasivo.” Filho de diplomata e psicóloga, ele já morou nos Estados Unidos e em Portugal e tem formação judaica. 
“Tenho a minha fé”, afirma. O teatro entrou na vida do ator ainda nos tempos de colégio, no Rio de Janeiro, e logo tornou­se uma paixão. 
Em breve, retornará a parceria com Miguel Thiré, 33, na peça Selfie, bem recebida pela crítica. “Foi um encontro. 
Ele está em Portugal, agora, trabalhando em uma novela, e volta para fazermos uma temporada em São Paulo, em agosto, no Renaissance”, planeja ele.

FONTE/CONTIGO

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