quinta-feira, 16 de junho de 2016

Selma Egrei, de 'Velho Chico': 
"Televisão não era minha paixão"
 Destaque em Velho Chico como a amargurada Encarnação, Selma Egrei conta por que demorou para fazer sucesso em novelas, algo que ela nunca almejou.
 A voz é baixa, o jeito, tímido. Uma das principais estrelas da novela Velho Chico, Selma Egrei não dá muita bola para a fama. Intérprete da amarga Encarnação na trama de Benedito Ruy Barbosa, a atriz afirma nunca ter sonhado em brilhar na televisão. 
Tanto que o grande destaque nos folhetins televisivos veio agora, aos 67 anos de idade e 46 de profissão. 
“Televisão não era muito a minha paixão, então, fui me dedicando a outros veículos”, explica. 
Logo que se formou na Escola de Arte Dramática da USP, em 1972, Selma procurou o teatro e o cinema. 
Em pouco tempo, transformou-se em uma das estrelas do cinema nacional, mais especificamente de filmes pertencentes à pornochanchada – longas que reuniam galãs cafajestes, mocinhas nuas, pouco ou nenhum roteiro. 
Um tempo do qual ela se lembra com um certo arrependimento. “Tem alguns filmes que eu nem vejo. Eu era nova, acabava aceitando muita coisa”, diz. 
Mas nem tudo foi perdido. Destaca alguns diretores com quem trabalhou nessa época pela competência e genialidade, a exemplo de Walter Hugo Khouri, Carlos Reichenbach e Fauzi Mansur.
 Um pouco desiludida com o mundo artístico, Selma fez cursos de terapia corporal, na Bélgica, voltou ao Brasil e trabalhou por 20 anos com essa outra profissão. 
Nesse tempo, começou a fazer as pazes com seu lado atriz. Em 2004, atuou na minissérie Um Só Coração, interpretando Olívia Guedes Penteado, grande incentivadora do movimento modernista no Brasil. 
“Ali percebi que o veículo tinha mudado. Existia uma preparação formidável de atores, um trabalho primoroso”, lembra. 
 Depois disso, colecionou participações em novelas como Duas Caras (2007), A Favorita (2008) e Sete Vidas (2015). 
“Tenho dado a sorte de entrar em projetos interessantes. Agora, tenho o privilégio de trabalhar com o Luiz Fernando Carvalho em VelhoChico”, explica. 
O diretor retribui os elogios. “Não há nada mais instigante para um diretor do que estar diante de um intérprete que elabora as questões dramáticas de seu personagem não apenas se limitando ao texto, mas às questões do tempo e do espaço”, diz Carvalho. 
A respeito da soturna e triste Encarnação, Selma explica que não se trata de uma vilã. “Ela é uma mulher triste, perdeu o filho, o neto que ela amava foi embora, não tem amor. Ela já está com 100 anos e espera a morte chegar”, finaliza.

FONTE/QUEM

Nenhum comentário:

Postar um comentário