terça-feira, 7 de junho de 2016

Vera Gimenez valoriza apoio de Luciana Gimenez: 
"Uma filha como poucas" 
A sempre intensa atriz de 67 anos namorou bastante, ganhou e gastou muito dinheiro, mas também passou por doenças e fortes perdas. Apaixonada pelos netos e filhos, a paulistana é feliz com a vida. "Não me arrependo de nada!" 

Por Ana Paula Bazolli
Vera Gimenez vive em uma cobertura em Botafogo, na Zona Sul do Rio, comprada com o lucro de seus filmes de décadas passadas, na companhia do filho caçula, Marco Antônio Gimenez, de 34 anos, da irmã Thais, de 65, do sobrinho Rodrigo, de 40, de dois cachorros e dois gatos. 
A atriz, que fez carreira no cinema nacional na década de 70 – e não desistiu de voltar a atuar –, é hoje uma avó coruja. 
Durante a entrevista ela mostra áudios do neto caçula, Lorenzo, de 5, filho de Luciana Gimenez, de 46, com o empresário Marcelo de Carvalho, de 54, e comenta os altos papos que bate com o adolescente Lucas Jagger, de 16, da relação da apresentadora com Mick Jagger, de 72.
 Longe das novelas há seis anos, ela se diz consumista e que, se não fosse a ajuda financeira de Luciana, não conseguiria viver com a aposentadoria de 7,7 mil reais.
 Fala abertamente sobre amor e traição, conta como suportou a perda do marido, o médico Renê Batista, lembra como lidou com o sequestro da filha pelo ex-marido, o empresário João Morad, de 82, e revela que já teve câncer: de mama, em 1994, e no pedículo da sétima vértebra, em 2010. “O que passou, passou”, afirma. 
 Você está fora das novelas desde o remake de Ti-Ti-Ti (2010). Tem vontade de voltar a atuar ou já se considera aposentada da TV? 
Fui funcionária da TV Globo até 1999. Estava há quatro anos para me aposentar e fui mandada embora. Tinha acabado de ter câncer e meu neto nasceu. Pensaram que eu estava rica porque era avó do filho do Mick Jagger. Foi muito ruim ficar desempregada. Eu estava triste porque chegava à TV, batia às portas e diziam que não tinha nada. Quero voltar. Não precisa ser um papel enorme. 

 Você foi uma estrela da década de 70. Isso lhe deu segurança financeira? 
Não se ganhava tanto. Se fosse há dez anos, estaria milhardária! Mas ganhei dinheiro, tive casa de três andares. O Jece (Valadão, ex-marido) fez campanha para deputado em 1982, se ferrou, e vendi um apartamento em São Paulo para ajudá-lo. Ele morreu e deixou um bolo de promissórias. Eu tinha muitas joias. Tinha brilhantes de 10 quilates, esmeralda... Quando precisei vendi algumas. Hoje tenho este apartamento, carro e uma filha rica. Minhas aposentadorias são ridículas. Inventaram tantas coisas a meu respeito... O único filme mais saidinho que fiz foi Lua de Mel e Amendoim (1971). Não fiz pornochanchada, fiz comédia. 

 Na década de 90, seu marido Renê Batista faleceu e você descobriu um câncer de mama. Como sobreviveu a esse furacão? 
Meu pai morreu em 1992; meu marido, no ano seguinte; minha empregada, que estava comigo havia 14 anos, morreu em 1991; e eu tive um câncer em 1994. A década de 90, na minha vida, foi um tormento. Só melhorou quando Lucas nasceu, em 1999. Sou uma pessoa muito sortuda, por ter passado por tratamentos agressivos e estar aqui. 

A Luciana a ajuda muito? 
 Muito! Você não tem noção do que a Luciana é. Uma filha como poucas. Quero que ela tenha cada vez mais, seja mais feliz e faça mais sucesso. Tenho duas pensões, uma de 4,7 mil reais e outra de 3 mil reais. Como vou viver com isso? Meu plano de saúde custa 3,4 mil. Luciana me ajuda muito. Agradeço minha filha a Deus. Quero trabalhar para deixá-la mais light em relação a mim... 

 Como é a sua relação com o Marco? É o único filho que ainda mora com você... 
 O Marco Antônio é um amor de menino, mas teimoso. Adoraria que ele tivesse o cantinho dele. Luciana passa a mão na cabeça dele. Mas ele é muito legal... E os netinhos? VG: Hoje o que mais me dá alegria são meus netos. Se eu puder, estrago sim (risos). Temos uma cumplicidade grande. Lucas é pragmático, Lorenzo é sonhador. Meu maior sonho é ver meus bisnetos. 

 Você se casou aos 19 anos com João Morad, pai de Luciana. Por que não deu certo? 
 Era um carma que eu tinha de cumprir. Precisava ter essa filha com ele. Acredito em reencarnação e vidas passadas. João tem problemas de afeto. Tenho pena dele, que não conhece o Lorenzo porque tem ciúmes do Marcelo e do pai do Marcelo. Meu genro escreveu uma carta linda ao João pedindo para que ele fosse ver o neto no último aniversário do Lorenzo. Mas ele não foi. Triste, né? Tenho pena do João, só pena, mais nada. Luciana chora muito por causa disso, não merece. 

 É verdade que ele sequestrou Luciana quando ela era bebê? 
Sim, no dia que ela fez 1 ano. Ele nunca foi um bom pai. Estávamos separados. Eu estava desempregada, sem dinheiro, mas teve bolinho, cantamos parabéns. À noite, João chegou, encheu o saco para acordar a criança, deu presente. Saí para comer uma pizza, deixei a Lu com a cozinheira e uma babá. Quando voltei, nem minha filha nem as empregadas estavam em casa. Ele encostou duas kombis, colocou tudo da Luciana dentro, berço, coisinhas dela e levou minha filha. 
 Como a recuperou? 
 Fiquei desesperada, emagreci 10 quilos, mas meu advogado me instruiu a arrumar dinheiro para cuidar dela. Fui trabalhar em cinema. João não queria a menina, queria encher meu saco! Nesse período fui a São Paulo. Aí vi Luciana sendo empurrada em um carrinho. Coloquei minha filha dentro do carro e corri para a casa de uma amiga. Liguei para o meu advogado e ele disse: “Entrega a sua filha que ele vai devolvê-la”. De coração partido, devolvi. Quinze dias depois ele propôs acordo. 

 Como foi seu relacionamento com Jece Valadão? Ele tinha fama de ser mulherengo... 
 Jece era incapaz de falar palavrão ou ser grosseiro. Não tinha erro de português, se comportava como um lord, mas era um grande galinha, né? No começo sofri, mas depois, vamos à luta! Você me corneava e eu te colocava mais dois. Mas quando me apaixonei violentamente pelo Renê, isso acabou. Amei muito o Jece. Era maravilhoso. Nossa relação era mais uma Simone de Beauvoir com um Jean-Paul Sartre (filósofos franceses), loucura geral! 

 Aí veio o Renê Batista... 
 Ele tinha 25 anos, eu estava com 37. Ele era médico recém-formado e começamos um caso. Foram nove anos, até que faleceu (de câncer no cérebro). Aprendi muito com Renê, que foi um puta pai para o meu filho e grande amigo da Luciana. Ela vive atrás de paranormal à procura de mensagem dele. Eu tive muita sorte. Renê tinha o vírus HIV e eu nunca peguei. Seis meses depois que ele faleceu, descobri um tumor na mama esquerda.

 Como arrumou forças? 
 Só temos duas opções diante de tanto problema: morrer ou sair fora. Não me arrependo de nada. O que passou, passou. Claro que poderia ter sido mais econômica, mas... Querida! É o que tem pra hoje. Gasto demais, fiquei dura e não pensei duas vezes em vender minhas joias por qualquer coisa para colocar dinheiro em casa.

 Sente falta de namorado? 
Me acho muito especial, inteligente, analisada e generosa. Eu acho difícil. Não sinto falta não. 

 Curtia o som dos Rolling Stones antes de Luciana se envolver com Mick Jagger?
Honestamente? Não. Eu era mais Beatles (risos). Mas assisti a um show e fiquei impressionada. Ele é um excelente pai, já vi o Mick colocar Lucas na cama antes de descer para o show. Ele é pai de sete, tem bisneto. Admiro-o como artista e como pai do meu neto.

FONTE/QUEM

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