segunda-feira, 26 de setembro de 2016

 Luís Melo fala do prazer de viver um japonês em Sol Nascente!
 O ator não quer saber de polêmica e comemora o papel que o fez mergulhar ainda mais na cultura que tanto ama.
No auge dos 31 anos de carreira, Luís Melo está feliz da vida com seu atual personagem, o Tanaka de Sol Nascente. 
O motivo de tamanha felicidade é simples: 
o ator é grande fã da cultura, das tradições, doutrinas e arte japonesas.
 Sem fugir de polêmicas, o artista comenta aqui sobre o debate que sua escalação gerou entre membros da comunidade nipônica no Brasil. 
Alguns disseram que a emissora deveria ter chamado um ator de descendência oriental para o papel. 
Mas, com a elegância de sempre, Luis comentou: 
“Acho que eles foram bastante respeitosos em relação a mim...
 Se você percebe o que é arte, vai entender, não precisa discutir.
 Então, quer dizer que um morador de Recife (PE) não pode fazer um personagem mineiro?”, questionou, sem perder o bom humor.
 Tem muito mais aqui nesta entrevista!

  O que podemos esperar de Sol Nascente, que está só no comecinho? 
Ah, ela é uma novela para cima, que fala sobre amizade, respeito e miscigenação. É uma trama solar, na qual temos várias tribos. Contamos como convivem dentro desse espaço, com conflitos e diferenças, claro, mas, ao mesmo tempo, com muito amor. 

Onde vocês já gravaram?
 Em Angra, Búzios e Arraial do Cabo, no Rio. Também fizemos cenas no interior de São Paulo... Em vários locais. A novela é muito rica, já que fala de dois grupos: os italianos e os japoneses. Por isso existem diferenças arquitetônicas e isso também é interessante. 

 Você já conhecia a cultura oriental?
 Sou um grande admirador da cultura japonesa. Todo o meu trabalho sempre foi marcado por isso, sempre recebi muita influência do cinema japonês. Quem acompanha meu trabalho sabe disso. Também me inspirou muito o Kazuo Ohno (saudoso dançarino e coreógrafo, considerado um mestre do teatro japonês). Inclusive o nome do meu personagem, Kazuo Tanaka, é uma homenagem a ele. É gostoso poder passar isso para o público.

 E qual é a história de vida do seu personagem? 
 Na realidade é isso, ele chegou ao Brasil com os italianos e nessa viagem de Santos a São Paulo nasceu uma bela amizade, mesmo com culturas e línguas totalmente diferentes. E isso é muito bonito de ver, inclusive na televisão. Daí ele se casou com uma brasileira, a Rosário (Karolina Albertassi), o grande amor de sua vida. Teve outro presente que foi a filha dela, a Alice (Giovanna Antonelli), a quem criou como se fosse sua. É um amor que ultrapassa esse limite do filho natural. Tanaka também é um homem que se disponibiliza sempre para ajudar, compreender, respeitar... Ele não faz julgamentos. Convive muito bem com as diferenças entre caiçaras, italianos e a galera da Rota, o bar dos motoqueiros, que tem um estilo completamente diferente do dele. 

 E esse convívio do Tanaka com os italianos... Como é?
 São tão diferentes... O Tanaka se diverte muito com os italianos. Ele gosta muito dessas diferenças, tem paixão! Ele ama receber essa família. Esses dois patriarcas (Tanaka e Gaetano, de Francisco Cuoco) são quase irmãos. E eu me deixei levar por essa alegria italiana também.

 Embora você tenha essa influência japonesa, como é sua ancestralidade?
 Sou descendente de índios e italianos. A família por parte de mãe é do Mato Grosso e mistura um pouco de índio e baiano. O pai que é italiano. E acho que o índio é muito próximo disso (refere-se à fisionomia oriental), né? Não sei como foi feita essa divisão, como se rompeu o planeta e foi parar um pouquinho para lá e outro pouquinho para cá... (risos). Então eu acho que tem muita coisa que é próxima. Se você pegar costumes, tradições e rituais, por exemplo, tem tudo muito a ver com a dança do índio. São manifestações muito próximas! Essa delicadeza, esse amor à natureza... 

Algumas novelas já mostraram culturas diferentes da nossa, claro! Em Belíssima (2005), por exemplo, Tony Ramos falava certas palavras em grego. Vai ter isso em Sol Nascente? 
 Não muito. A gente está procurando dar uma pincelada com relação a isso, como qualquer outra coisa. Quando a gente faz uma novela que tem um ar mineiro, coloca-se um saborzinho de pão de queijo ali (risos). No japonês tem muito disso, essa tranquilidade de ver as coisas, o ponto de vista deles... Mas o texto vem com algumas coisas, tipo um arigato (obrigado), um sayonara (adeus, até logo)... Vem! Às vezes, a gente coloca uma coisa que poderia ser mais significativa naquele momento, mas de fácil compreensão pelo público. Estamos tendo bastante cuidado com relação a isso. As coisas são mais sugeridas do que feitas. 

 Recentemente, atores orientais acusaram a novela de preconceito por ter escalado você para o Tanaka, em vez de um ator oriental. O que pensa sobre isso? 
 Não tem o que falar. Onde está o problema na realidade? O problema está nas próprias pessoas! No fundo, eles não querem questionar absolutamente nada. Se são artistas, sabem que se trata de uma ficção! Não é uma questão de quantos nãos a gente recebe. Às vezes, você morre de vontade de fazer uma coisa, mas não é aquele o momento. 

 Então para você é legal esse tipo de debate?
 Acho legal que todo mundo se posicione com relação a isso e comece a se discutir um pouco. Dentro da própria cultura oriental, as mulheres não podiam fazer teatro. Eram proibidas. Então tal proibição já existia ali dentro. Já começa por aí. Eram homens que faziam papéis femininos. As mulheres não pisavam no teatro. Só isso. 

 Nessa imersão no mundo oriental, tem algo que levará para a sua vida?
 Bastante! Sempre me encantou essa maneira da representação no sentido do que é realmente necessário. Eles têm muito isso. Os códigos são muito claros. A postura, o comportamento, a coisa do limpar o chão que você vai trabalhar... Lá, quem limpa o chão do teatro é o próprio ator. Isso é um respeito pela cultura, algo importante para a disciplina de qualquer pessoa em qualquer tipo de arte. Isso me influencia bastante na hora do trabalho, sempre me permeia, é uma coisa belíssima. Na literatura, no teatro, na música... Tudo vem dos gregos ou dos orientais. A base está toda ali, principalmente a simplicidade.

FONTE/TITITI

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