quinta-feira, 29 de setembro de 2016

 Mila Moreira fala de 'cara de rica': 
'sempre faço personagem abastada, mas não me incomodo' 
Linda aos 70, atriz está no elenco de “A lei do amor” 

Por Jacqueline Costa 
Não dá para fotografar Mila Moreira dentro de um estúdio se não houver música. 
Em silêncio, simplesmente não rola. 
Craque em deixar seus retratados à vontade, a fotógrafa Nana Moraes coloca “Happy”, de Pharell Williams, e acerta em cheio: 
Mila canta, dança, dá uns pulinhos na hora dos cliques.
 Prestes a voltar à TV — na próxima novela das 21h da Globo, “A lei do amor”, que estreia dia 3 —, ela não se importa de fazer mais uma vez o papel de uma mulher elegante e bem vestida.
 — Sempre faço uma personagem abastada, mas não me incomodo.
 Fico mais chateada quando falam que sou ex-modelo.
 Sabe há quanto tempo não piso numa passarela? 37 anos! 
Fui modelo durante 11, 12 anos e tenho que carregar isso para o resto da vida.
 Sei fazer a pobre, mas não me deixam. Tenho cara de rica, mas isso eu nunca fui. 
 Mila cresceu perto da Estação da Luz, em São Paulo, onde o pai, o português Sr. Moreira, tinha um hotelzinho para mascates. 
A mãe, também portuguesa, era dona de casa. 
Mila Moreira, que fez 70 anos em maio, nasceu Marilda Moreira da Silva. 
Ela nunca gostou do nome de batismo e diz que sempre a perguntavam se era parente do Kid Morengueira.
 O novo nome veio do livro Mila 18, um romance de Leon Uris.
 — Depois que entrei na passarela como Mila, nem a minha mãe voltou a me chamar de Marilda. 
Só umas amigas da época de escola ainda me chamam assim, quando querem demonstrar que me conhecem há muito tempo. 
 A carreira de Mila Moreira na moda começou por acaso.
 Foi levada por uma vizinha para patinar na AABB de São Paulo. 
Chegando lá, acontecia o concurso Luzes da Cidade, promovido pelo jornal “Última hora”. 
No júri, estavam jornalistas, o estilista Dener e a figurinista Maria Augusta. 
 — O concurso era para quem tinha 16 e eu tinha 14. Mas minha prima falou: 
‘Fica, você não vai ganhar mesmo’. 
Eram 236 meninas. De repente, as pessoas começaram a me abraçar e eu tinha ganhado.
 O prêmio foi uma viagem para Nova York — lembra Mila, que, dois anos após ganhar o concurso, já estava no time de modelos da tecelagem Rhodia, um marco na época. 
Além de brilhar nas passarelas, ela chegou a estampar 70 capas de revista em um ano. 
 Quando perdeu o pai, aos 18 anos, Mila assumiu as contas da casa, incluindo os estudos da irmã mais nova. 
Nem assim ganhou guarida da mãe, uma crítica implacável. 
 — Minha mãe era péssima nesse sentido e botava meu pé no chão o tempo todo. 
Fazia questão de dizer que eu não tinha talento para o que fazia, mas apenas sorte. 
De um lado, ficava muito mal com isso. De outro, nunca nada me subiu à cabeça. 
 Depois das passarelas, Mila abriu, em 1974, junto com o fotógrafo e amigo Luiz Tripoli, a primeira agência de modelos brasileira.
 Não deu certo. Daí, ela partiu para Nova York, onde viveu um ano. 
Na volta, substituindo um jurado no programa do Chacrinha, ela chamou a atenção de Cassiano Gabus Mendes, que a colocou na novela, “Marrom Glacê”. 
 — Desde então, sou atriz. — conta ela, que fica besta de ver as modelos e atrizes novas milionárias, mesmo sem terem muitos anos de trabalho ainda.
 — Hoje em dia, as pessoas pagam para você usar uma roupa, fazer um post no Instagram ou ir a um determinado lugar. 
Às vezes, vejo gente famosíssima que não sei quem é, mas que tem 600 mil seguidores numa rede social. 
Vamos falar sério? O que é essa família Kardashian, de quinta categoria? 
São horrorosos e tem um mundo os seguindo. 
— diz Mila, que, mesmo assim, se diverte em sua conta no Instagram (@milamoreira18). 
 SÍNDROME DO PÂNICO E SETE CASAMENTOS
 Cuidadosa com a saúde, a atriz conta que acredita em prevenção loucamente: está sempre fazendo check-up. 
O corte de cabelo meio Chanel é quase uma marca registrada.
 Ela entrega que usa um aplique para dar mais volume aos fios naturais e lisos, que, de um tempo para cá, estão mais ralos. 
Sobre plástica, Mila não vê problemas em confessar que já fez.
 ‘"Cheguei a ficar com 48 quilos. Minha mãe chorava a cada vez que eu tirava a roupa. 
Estou medicada desde 91. A vida inteira vou tomar remédio"’ - Mila Moreira sobre síndrome do pânico — Dei uma esticadinha em 2004, mas não gosto de Botox.
 Acho um horror perder todas as rugas e a expressão. 
Também coloquei silicone porque os meus peitos eram pequenos — confessa Mila, que não se furta a falar sobre a síndrome do pânico de que sofre desde criança. 
 — Só quando eu tinha 30 anos começaram a falar sobre isso. 
Cheguei a ficar com 48 quilos. Minha mãe chorava a cada vez que eu tirava a roupa. 
Fui me cuidar porque travava nas gravações de “Meu bem, meu mal”. 
Estou medicada desde 91. A vida inteira vou tomar remédio. 
 Sobre moda, ela diz que já passou da fase consumista. 
Para Mila, roupa boa tem cara de roupa boa, como as que faziam Clô Orozco e Georges Henri (“Eles se foram e eu tô perdida sobre moda neste momento”).
 Casamentos? Foram seis ou sete, ela diz, rindo. 
Entre eles, os atores Gracindo Junior e Luis Gustavo. 
Namorou ainda Ronaldo Bôscoli. 
Hoje, ela tem um companheiro, mas prefere não entregar quem é. Só sabemos que é nove anos mais novo. 
 — Como não tive filhos, sempre foi fácil casar. 
Pensei em ter, mas estava sempre trabalhando e viajando. 
Não conseguiria criá-los, acho que criança tem que ter mãe.
 Além disso, nunca me senti segura financeiramente. 
Quando comecei não se ganhava o dinheiro que se ganha hoje. Com essa cara de rica...

FONTE/OGLOBO

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