segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Wagner Montes:
 “O povo sabe quando você é verdadeiro”
Por Leandro Lel Lima 
 Wagner Montes se divide entre a TV e a carreira política.
 A carreira de Wagner Montes atravessou gerações.
 Desde meados dos anos 1970 ele já batia cartão como repórter da Rádio Tupi, logo depois migrou para a TV Tupi e atuou no cinema, mas foi com a contratação de Silvio Santos que o apresentador ganhou notoriedade ao fazer parte do time de jurados do programa “Show de Calouros”, ainda na TVS, hoje SBT. 
 Na emissora do Homem do Baú, Wagner comandou atrações policiais e musicais. 
Foram 17 anos trabalhando com o “patrão”:
 “Um homem responsável. Um administrador competente. Um patrão maravilhoso”, define Montes, que conheceu a esposa, a atriz Sonia Lima, no programa.
 Em 1981, ele sofreu um acidente e precisou amputar parte da perna direita. 
 O profissional deixou o SBT, voltou para o rádio (Rádio Record, América e Manchete) e não demorou muito e migrou para a CNT, voltando a assumir o comando de atrações de cunho policial. 
Desde 2003 o jornalista está na Record Rio, onde ancorou o “Verdade do Povo” e “Balanço Geral RJ.
 Atualmente, apresenta o “Cidade Alerta Rio”. 
 Formado em Direito, Wagner também possui uma carreira paralela à TV.
 Há dez anos ele ocupa o cargo de deputado estadual pelo Rio de Janeiro (antes pelo PSD e agora pelo PRB).
 Em 2014, Montes conquistou 528 mil votos. 
 Em entrevista exclusiva ao RD1, o apresentador e deputado fala sobre a relação com o ex-patrão e amigo Silvio Santos, e a forma como procura administrar a carreira na TV e a vida pública como representante do povo: 
“Um [apresentador] é a extensão do outro [deputado].
 O que me levou para a lá [Assembléia] foi o programa.
 É uma forma de retribuir o que a população já fez por mim nestes 40 anos”, declara. 
De uns anos para cá, o Silvio Santos está cada vez mais solto no programa. Dia desses, agarrou uma moça da plateia, andou de carro com a Hellen Ganzarolli… Ele já era assim quando vocês trabalharam juntos? 
 Ele sempre foi brincalhão. Depois do nosso namoro ele passou a implicar muito com a Sônia por minha causa. Ele enchia a minha bola para deixar a Sônia irritada: ‘Esse casamento só te fez bem. 
Você ficou muito melhor depois desse casamento’. Convivemos com ele por quase 17 anos, inclusive aos domingos. Ele sempre foi uma criança grande. Um homem responsável. Um administrador competente. Um patrão maravilhoso. Ser amigo do Silvio Santos… Você é novo, mas antigamente a gente falava assim: ‘Domingo é dia de macarrão na casa da vovó e Silvio Santos’. Quando me pedem para resumir Silvio Santos, falo: ‘Tudo de ótimo.com’. 

 Ele tem um programa simples, mas que conta com um apresentador experiente que geralmente ganha da concorrência… 
 Ah é o Silvio Santos. Ele é carismático. E agora está falando cada vez mais. Ele já era assim com suas companheiras de trabalho, mas agora ele está mais assanhadinho. Ele sabe tudo de televisão. Tudo. Ele mesmo se dirige. Ele sabe quando está extrapolando. 

 Você é um homem público duas vezes. Está na TV há muitos anos, comanda um programa policial com grande representatividade e ainda é deputado estadual há dez anos em um dos estados mais violentos e carentes do Brasil. Um é a extensão do outro? Como faz para dosar os dois trabalhos? 
 Na verdade um é a extensão do outro. Quando chega alguma denúncia, reclamação e não vem a nota oficial eu digo: ‘Olha, não é para mim, é para o povo que está assistindo o programa’. Se fosse para mim, eu mesmo faço o ofício e tenho a resposta. Um toma conta do outro e os dois cobram juntos: mandato e apresentador… O que me levou para lá [Assembléia] foi o programa. É uma forma de retribuir o que a população já fez por mim nestes 40 anos. 
 A população participa de que forma do programa e do seu mandato? E como você e seus assessores procuram resolver essas demandas? 
 Pede ajuda. Aqui eu posso pedir e cobrar. Lá eu faço oficialmente, disparo os ofícios para os órgãos competentes. Meus assessores já ficam de olho no programa para que o serviço seja prestado à população. 

 Pretende se candidatar novamente ao cargo de deputado em 2018? 
 Não sei. Vou ver quando chegar mais próximo de 2018. 

 Audiência te preocupa? 
 Preocupa todo mundo. Nós sabíamos que íamos enfrentar uma barra. Enfrentar a novela [Globo] não é fácil. A gente consegue entregar bem para as novelas da Record. A gente chega a dobrar a audiência. E é essa a nossa função. 

 Você mudou o visual, nas redes sociais há comentários de que você lembra o George Clooney… A repercussão foi boa? Tá aprovado? 
 Foi boa. O pessoal gostou. A repercussão foi boa. Fiquei uns meses fora, então resolvi mudar. Wagner Montes resolveu assumir os fios brancos ao retornar ao programa depois de alguns meses de licença 

Não é desgastante apresentar um programa como este e conciliar uma agenda de deputado? Como organiza tudo? Durante o tempo em que se ausentou da TV também pediu licença da Assembléia? 
 Eu tenho dez anos de mandato. Eu não tenho uma falta. Já fiz o “Balanço Geral RJ” com duas horas de duração eu ia direto para a Assembleia. Duas vezes em que eu me ausentei e não era dia de votação, uma sexta e uma segunda eu avisei à Casa e pedi para descontar do meu salário. Não é mais do que a minha obrigação. 

 Praticamente não vemos você e sua família em revistas, jornais etc. Por que tem essa postura? 
 Eu sou discreto. É por uma questão de segurança minha e da minha família. 

Mas nas redes sociais há pelo menos uma foto com o seu neto. É uma forma de humanizar esse jeitão mais duro, e também de esquecer o “mundo cão”? 
Meu único neto, por enquanto. Ele é minha benção. Ele fica o tempo todo junto de mim. Ele é muito apegado a Sônia. Geralmente, passamos o domingo juntos. 

 Xuxa na Record. O quanto ela agregou para a emissora? Vi que você publicou uma foto antiga com ela… 
 Compartilhei uma foto com ela de 35 anos atrás. Estamos na mesma posição na foto. Ela veio trazer alegria para essa Casa. Ela é prestigiada. Ela vai ser a eterna Rainha dos Baixinhos. Quem cresceu vendo a Xuxa hoje leva os seus filhos para conhecerem ela. Não tem como não ter visto um programa infantil sem ter passado por ela. Ela é uma referência. 

 Li uma frase sua em que você afirma: ‘Sou uma edição limitada’. Explica isso para gente. 
 Você pode encontrar parecidos. Estilo é estilo. Tem espaço para todo mundo. As pessoas sabem sabem diferenciar o original da cópia. 

 Como é a sua vida fora da Assembleia e da TV? Como se relaciona com a família? 
 Sábado é meu dia de lazer. Me reúno com um grupo de amigos. Já no domingo é com a família, esposa, filhos, neto, nora. Eu prefiro ficar em casa com a minha família. O pouco tempo que eu tenho é para minha família. Eu não ligo para quantidade, não. É qualidade. 

 E TV? O que tem passado na sua TV? Tem Netflix? 
 Hoje você pode escolher o filme, a série. Eu assisti “The Black List”, “House Of Cards”. Às vezes é ‘tiro, porrada e bomba’, mas tem o drama também que eu gosto. 

 Tem vontade de ter um programa na linha do entretenimento ou um canal no YouTube como a Adriane Galisteu? 
Algo mais leve. Reunir as pessoas em casa. Algo parecido com o que a Angélica faz no “Estrelas”. 

 Se você acompanhou a Xuxa na TV, certamente viu Angélica, Mara Maravilha e Eliana. Afinal, elas fizeram uma longa carreira no SBT. Como analisa essa Mara que fala tudo o que pensa? As pessoas cobram isso? Faltam pessoas assim na TV? 
 A Mara é muito inteligente. Ela diz na cara. Ela perde a amizade, mas diz na cara. O povo sabe quando você é verdadeiro ou não. Às vezes eu sou abordado na rua ou na Assembleia e as pessoas me pedem uma casa e eu digo: ‘Não posso. Se eu arrumar para você vou ter que arrumar para todo mundo’. O que eu não posso fazer eu digo na cara. Se você não pode cumprir não prometa. Você cria uma expectativa. Aí eles dizem: ‘Mas ninguém vai ficar sabendo’. Eu digo: ‘Deus está sabendo’. 

Você tem uma religião? 
 Eu sou cristão. Aqui eu falo de todas as religiões. Respeito toda as religiões. 

Muitas ONGs e órgãos ligados aos direitos humanos reclamam da forma como os apresentadores e a imprensa de uma modo geral tratam os casos de violência. Como é a sua postura em relação a isso? 
 Você não tem que julgar ninguém. Eu não faço pré-julgamentos. Aqui eu não falo ‘acusado’, eu digo ‘suspeito’. Quem tem que julgar é o juiz. A pessoa é inocente até que o Ministério Público ofereça a denúncia. É a presunção da inocência. 

 Em algumas situações os acusados na verdade são inocentes. A imprensa já cometeu erros como na “Escola de Base”, “O Monstro da Mamadeira”, entre outros . Nestes episódios, os jornais e a TV deram ampla cobertura à sentença antes mesmo da justiça, mas, depois das investigações feitas pela polícia, as histórias ganharam uma reviravolta… 
 Vivemos em uma país em que o clima de denuncismo é muito grande. O ônus da prova cabe a quem acusa. Se eu disse que fulano é ladrão eu tenho que provar. Não é o contrário. Onde a vítima passa a juntar provas para provar a sua inocência. Aqui no Brasil é ao contrário.

FONTE/RD1

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