quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Dennis DJ:
‘Malandramente é a virada de jogo da mulher’
Por Leo Dias
Uma das músicas mais tocadas em 2016 foi ‘Malandramente’, que já tem mais de 60 milhões de views no YouTube.
 A canção mostra uma mulher independente que sabe dizer não na hora certa ao homem que tenta seduzi-la. 
A obra-prima do funk foi criação do DJ número 1 hoje no país: Dennis. Nascido em Duque de Caxias, Dennis é disputado hoje por grandes estrelas nacionais da música e seu cachê é o mais alto para do país no segmento, em cerca de R$ 80 mil.

Você nasceu em Caxias. Como foi sua infância?
Sou de Caxias e tive uma infância tranquila. Soltava pipa, brincava de bolinha de gude com a galera. Sou o mais velho de quatro irmãos, meu pai era radialista mas faleceu cedo e minha mãe trabalhava bastante para cuidar da gente. Não tenho do que reclamar.

Você começou a tocar aos 13 anos em festinhas. Por que tão novo?
Acho que toda criança acaba sonhando com algo: uns querem ser medico e outros astronautas, mas eu queria ser radialista como meu pai ou ‘disc jockey’. No entanto foi somente aos 13 que eu me aproximei do equipamento de DJ em uma festa, eu tinha o disco que o DJ queria tocar e ele tinha o equipamento. Acabei virando assistente da equipe de som e fui aprendendo. Aos 15 anos eu já tocava sozinho. Acabei apresentando programas em várias rádios, fazendo o que faço até hoje na Fanática FM.

Quem era seu ídolo quando você começou a tocar? Marlboro?
A primeira vez que vi um DJ com uma mesa bacana e mandando bem foi na CNT no programa da ‘Furacão 2000’. Era o DJ Grandmaster Raphael, que também era produtor. Malboro foi também uma referência mas um pouco mais tarde.

O Baile do Dennis é um sucesso. O sucesso deve-se ao fato de você criar músicas, mais do que tocar música. Como você se define? DJ ou músico?
O sucesso do Baile do Dennis é um mix de fatores, mas deve-se principalmente ao que ‘entregamos’, a maneira como misturo a batida do funk com o da música eletrônica, os efeitos, os convidados, e a nossa ‘crew’ que tem o sósia, os ‘Dennisinhos’ e as surpresas. Eu me considero um artista da música, um produtor que também toca, um apresentador de programa de rádio, sou também empresário, tenho nosso próprio selo e editora.

Há quem te compare como sendo a Furacão 2000 do século 21. O que você acha dessa comparação?
São coisas distintas e que não tem muita comparação. A ‘Furacão’ é uma equipe de som que apresentou, ao longo de sua história, diversos DJs. Eu mesmo já estive por lá, tocando por toda parte. Sou um artista e o ‘Baile do Dennis’ é um evento que apresenta meu trabalho como DJ mas também as músicas que componho, produzo e alguns convidados.

Malandramente é talvez o grande hit de 2016. O sucesso deve-se à letra, que mostra a mulher independente? Que sai com o cara e vai pra casa sem ter que fazer sexo com o homem?
‘Malandramente’ é a virada de jogo da mulher. Ela fica na condição de protagonista com as próprias regras. É a mulher que se valoriza. Nas minhas músicas eu sempre exalto a mulher, como em ‘Santinha’ ,’Diva’ e tantas outras. ‘Malandramente’ é o ponto de vista dos caras que ficaram ‘de cara’ com a atitude da menina e que na verdade foi ‘malandra’, queria se divertir, inclusive com a cara deles.

‘ Malandramente’ foi o seu maior hit?
Graças a Deus sempre estive próximo de alguns hits em diferentes épocas. ‘Malandramente’ entra no time de hits que tiveram a minha mão como ‘Vamos beber’, ‘ Cerol na mão’ , ‘ Tapinha não dói’ , ‘ Eu tô tranquilão’, ‘Lindona’, ‘Quando o DJ Mandar’ entre outras. O melhor, o grande hit, é sempre o próximo.

No ‘Música Boa’, você disse que pretende fazer uma parceria com Anitta. O que vem por aí?
Quando a música ‘boa’ pintar nós gravaremos. Estou trabalhando em cima disso para bem aproveitarmos a oportunidade. Anitta sabe muito bem o que faz e como dosar as coisas, reconhece o mundo do funk e tem ‘nadado de braçada’ no cenário pop, na hora que colocarmos energia em uma canção será especial.

Você acha que tem mais sorte ou olho clínico?
Eu acho que tenho muitas horas de trabalho. Já são duas décadas observando e atuando quase ‘sem dormir’. É natural que o resultado seja positivo. Sorte eu tinha quando ainda não sabia misturar os elementos da experiência, talvez no começo, na época de ‘Um tapinha não dói’. Agora eu sei o que quero e como faço e só peço a Deus muita saúde para continuar fazendo o que gosto.

Claudia Leitte te ligou para fazer uma música. Em que pé anda essa parceria?
Pois é, foi um papo longo e intenso. Foi amor à primeira ligada (risos). Nós nos entendemos bem. Ela tinha ouvido ‘Malandramente’, curtiu e me procurou. Já gravamos a canção e já estamos produzindo o clipe de ‘ Eu gosto’. Acho que todo mundo vai gostar também.

Falando em parcerias… Você fez uma música com o Ronaldinho Gaúcho (‘Vamos Beber’) que ficou nas paradas de sucesso. Vai ter uma nova parceria com o jogador?
Você tá querendo que eu te entregue toda a munição? (Risos) Sim. Ronaldinho vai dividir com Wesley Safadão a música que dará nome ao meu novo CD que sai no final desde mês. Quer saber o nome em primeira mão? ‘Professor da malandragem’. Agora vai pensando: Wesley, Dennis e Ronaldinho juntos???

Quem é a nova aposta do funk?
Se alguém afirmar algo parecido pode saber que é furada. O funk é um celeiro de estrelas prestes a explodir ou nunca ser percebido. Toda hora pode surgir algo novo, alguém que ultrapassa os limites e atravessa o mar de dificuldades. Agora é Nandinho e Nego Bam e me orgulho de ter reunido os dois em uma dupla que praticamente nasceu no dia em que gravamos o clipe de ‘Malandramente’. O funk é orgânico, não é um jogo previsível.

Na sua opinião, a explosão do sertanejo tirou o lugar do funk?
Vamos combinar que o sertanejo é a música de todo um país, uma cena que existe há anos, que é unida e que tem muito investimento. O funk nasceu nos EUA mas foi no Rio que ganhou sua cara brasileira, assimilou o ‘batidão’ e as letras que falam de uma realidade muito particular. Se o funk tivesse o investimento que o sertanejo teve seria ‘mainstream’ (dominante) há muito mais tempo. Mas hoje, depois de vermos fenômenos do funk entrarem na cena pop, tudo tende a crescer. Ainda precisamos vencer preconceitos, mas não tem jeito, a voz do povo é a voz de Deus e ninguém segura mais o funk que chegará de diversas partes do Brasil. Já é um ritmo nacional.

Você é casado, não é? Fala um pouco da sua mulher. É verdade que ela era dançarina do Latino?
Sim, sou casado há dez anos com a Babi Hainni, ela tem 30 anos e estamos muito bem, obrigado. Sim, ela dançava no Faustão e conhecia a Mirella. O Latino era meu amigo e foram eles que nos apresentaram.

Como é o assédio da mulherada? Sua mulher tem ciúme?
É normal, mas minha mulher é adorada pelas minhas fãs e que sabem os limites. Ela é a ‘musa’ fitness deles, pedem dicas de como cuidar do corpo e da dieta… Essas coisas.

Você é vaidoso?
Já fui menos, hoje sou mais. Gosto de estar bem, ter boas roupas, essas coisas que qualquer homem normal tem hoje em dia. Nada muito diferente.

Você tem duas filhas: uma do seu primeiro casamento com a Kamilla Fialho e outra de seu casamento atual, não é? Que idades elas têm? Ouvem funk? Dançam as coreografias?
Com a Babi não tenho filhos, mas eu tenho Lara de 17, do meu primeiro casamento e a Tília de 13, da minha relação com a Kamilla. Elas me ajudam a escolher músicas e dão opinião.

Você não quer contrato com nenhuma gravadora. Mas a vida de um DJ e produtor não é mais fácil quando se tem uma grande gravadora por trás?
Olha, na minha vida eu aprendi a me virar sozinho, fiz tudo da minha maneira, juntei minha grana, fiz meus investimentos, criei meu selo, minha editora e produtora. Nunca deram muita bola pra DJs em gravadoras aqui no Brasil. Não descarto a possibilidade se uma boa proposta chegar, mas acho que hoje grandes artistas como o Wesley e Jorge & Mateus trabalham de maneira independente e essa já é uma tendência.

Você está produzindo um novo disco? Conta um pouquinho pra a gente sobre esse novo trabalho?
Sim, será lançado agora no finalzinho do mês, vai se chamar ‘ Professor da malandragem’ e tem boas participações como Naldo Benny, Wesley Safadão, Ronaldinho Gaúcho, Claudia Leitte, Marcelly, Dellano, Neblina, Nandinho e Nego Bam, Catra, Leo Santana… quer mais??? Vamos esperar o álbum circular.

Em suas festas, há a presença de sete anões. Por que? De onde surgiu essa ideia?
Já fizemos grandes bailes para 20 mil pessoas e nessas ocasiões a coisa cresce e a gente tem um exército de pequenos ‘ Dennis’. Num show da Miley Cyrus na Apoteose, eu vi que o DJ dela era um bonecão com um cabeção. Aí falei com meu empresário, Bruno Guedes, desenvolvemos a cabeça e a gente pensou que ficaria legal com os anões. Também tenho o sósia, os botes, as bolas, os balões, os bonés… quem nunca foi em um ‘Baile do Dennis’ não faz ideia do que estamos falando.

Quais são os seus inimigos?
Não tenho e nem quero ter. Quem tem inimigos está fazendo algo esquisito. Eu só trabalho pra ser feliz e quero animar o galerão. Pra quê pensar em inimigos?

FONTE/ODIA

Nenhum comentário:

Postar um comentário