sábado, 1 de outubro de 2016

 Débora Falabella, de ‘Nada será como antes’, defende o feminismo e sua relação sem rótulos com Murilo Benício 
Na década de 90, quando chegou ao Rio, a tímida e mineira Débora Falabella nem vislumbrava os horizontes de sua carreira na televisão.
 Quase vinte anos depois, ela ajuda a contar a história da criação desse meio de comunicação no Brasil na série fictícia “Nada será como antes”, que estreia terça-feira. 
 A primeira experiência da atriz na TV foi como Antônia de “Malhação” (1998), que lhe trouxe muitas surpresas, nem todas tranquilas. 
 — Eu era introspectiva. De repente, aos 19 anos, me vi numa academia, no Rio, com todos aqueles jovens maravilhosos, tipo modelos. 
Eu caí na Cidade Maravilhosa sendo muito mineirinha. 
Então, para mim, o início foi bem difícil. 
Até então, não imaginava estar numa novela. 
Tudo aconteceu muito por acaso, embora hoje eu seja uma apaixonada — conta a atriz, de 37 anos, que mantém as feições de menina. 
 Em ‘Malhação’, ao lado de Bruno de Lucca Em ‘Malhação’

 Como fruto doce de uma paixão madura, ela protagoniza a nova trama da Globo, que tem como tema central justamente a mídia que lhe deu fama. 
Numa feliz coincidência, as referências de Débora se misturam à ficção, já que seu pai, Rogério Falabella, trabalhou na TV Tupi, uma das pioneiras.
 O ator e diretor descrevia para a filha a rotina do trabalho. 
A série, no entanto, foca no amor entre os personagens de Débora e Murilo Benício, seu namorado na vida real.
 Outra coincidência! Na história, ele é Saulo, um visionário vendedor de rádios nos anos 50, que funda a primeira emissora do país. 
Ela vive Verônica, uma atriz de radionovela, que se torna mãe solteira e batalha por reconhecimento no trabalho. 
— Eu me identifico com a luta do feminismo em vários aspectos. 
A maneira como olham as mulheres é diferente.
 Os salários, por exemplo — afirma a atriz, crítica à cobrança de beleza e jovialidade eterna impostas a elas:
 — A sociedade precisa parar com essa bobagem de que a mulher só é bonita num momento da vida. 
A gente tem que poder envelhecer com as nossas rugas, com a experiência, com a maturidade, com a sexualidade. 
 Sete anos mais nova que Murilo Benício, de 44, Débora vai interpretar pela primeira vez em “Nada será como antes” o par romântico do ator.
 — Contracenar com o companheiro é um prazer, um deleite. 
No início, quando a gente começava a passar o texto, ríamos disso, não sabíamos como seria, mas tivemos muito conforto porque já trabalhamos à beça juntos — diz ela sobre a obra que estreia anos depois de Benício ter interpretado seu pai (em “O clone”, de 2001), e seu sogro (em “Avenida Brasil”, de 2012). 
Em série, Débora interpreta uma atriz de radionovela, mulher de Saulo (Murilo Benício), um visionário das telecomunicações.
Em cena, uma figura falta, e essa ausência é a principal dor da personagem: um filho.
 Talvez, seja esse o grande desagregador de suas histórias. 
A plenitude que Verônica busca na maternidade, Débora vivencia com a filha, Nina, de 7 anos, fruto de seu relacionamento com o músico Chuck Hipolitho, e no contato com os enteados Antônio, de 19 anos, e Pietro, de 11 (filhos de Alessandra Negrini e Giovanna Antonelli, respectivamente).
 — Eu fui mãe quando eu queria muito ser. Isso foi maravilhoso. 
Minha fiha é a coisa mais importante da minha vida, quem me traz a força maior para tudo. 
E, com os meninos, o contato é muito alegre, harmônico. 
Nina também adora ficar com eles... 
Estar em família é muito gostoso — delicia-se. 
 O amor pela arte que permeia o casal também é a força motriz de Débora em outras decisões profissionais. 
Ela é fundadora e sócia de uma companhia de teatro há 11 anos, o Grupo 3, e desempenha funções artísticas, burocráticas e de produção ao lado da diretora e atriz Yara de Novais e do produtor Gabriel Paiva. 
 — Não é fácil ter um grupo de teatro no Brasil. 
É preciso muito trabalho, luta e idealismo. 
Quais são as atrizes que conseguem manter uma companhia de teatro hoje?
 Poucas. Débora faz disso algo estruturador de sua arte — considera Yara, emocionada também pelo relacionamento fraternal com a amiga de duas décadas:
 — Ela é uma das pessoas mais amorosas e agregadoras que eu conheço. Mas é seletiva também. 
Quando se relaciona, faz com profundidade. 
Não a vejo apostando em convivências superficiais. 
  Não à toa, o romance com Benício já soma quatro anos, iniciada a contagem nos bastidores do fenômeno “Avenida Brasil”. 
Por trás das tramas de engano, perseguição e vilania de Tufão, Nina e Carminha (Adriana Esteves) na novela das nove, surgiu o afeto entre os dois.
 — Se as pessoas vissem como a gente era nos bastidores das gravações, não iam acreditar... 
Era palhaçada o tempo inteiro: a gente brincava, gritava, ria, falava barbaridades que não podiam ir ao ar!
 Criamos um ciclo de amizade e confiança que nos deixou, os três, muito à vontade — relembra Benício, que recentemente dirigiu a amada no longa “O beijo no asfalto”, previsto para estrear ano que vem. 
 Em ‘Avenida Brasil’ (2012), Benício e Débora interpretaram sogro e nora 

A discrição dos atores em relação à vida pessoal faz os fãs concluírem, equivocadamente, que eles já dividem um lar ou têm um casamento oficializado. 
Mas, enquanto o ator mora no Rio, Débora tem residência fixa na capital paulista. 
E, até agora, não assinaram papel algum. 
 — Somos namorados ainda, porque moramos em cidades diferentes, apesar de estarmos para lá e para cá. 
Ah! Quer dizer, não posso falar tanto que somos namorados porque namorado aproveita mais né? (risos) — brinca Débora, que acrescenta não planejar um casamento: 
— A gente já é tão completo que a oficialização é mais um questionamento de fora. 
Para nós, a união já é muito forte, não temos que seguir um padrão. 
 Com ou sem cerimônia, o “namorido” não descarta aumentar os frutos desse amor.
 — Pensamos em ter um filho nosso, mas já são tantos... Se nascer outro, serão quatro.
 Fico preocupado porque viajamos demais. 
Cada hora estamos num canto diferente. 
Eu tenho medo de seguir com um monte de gente. 
Talvez seja um projeto mais para a frente. 
 Já foi a época em que Débora se angustiava com o futuro.
 A maturidade lhe trouxe serenidade:
 — Hoje eu me divido. Quando era mais nova, eu me multiplicava.
 Uma hora, é quase natural pisar no freio e fazer as coisas com mais tranquilidade. 
Por outro lado, tenho muitos questionamentos e conflitos, estou sempre em ebulição. 
Como artista, preciso disso.

FONTE/EXTRAONLINE

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