quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Natália Lage:
 “Demorei a me aceitar”
Natália Lage faz balanço de seus quase 30 anos de carreira e comemora momento de maturidade na vida pessoal durante passeio no Centro de Visitantes Paineiras, no Rio. Apresentadora da Revista do Cinema Brasileiro, da TV Brasil, ela prepara uma peça sobre a violoncelista inglesa Jacqueline du Pré


Por Filipe Isensee
Natália Lage parece ter driblado o tempo. Diante da jovialidade no rosto, seus 37 anos soam surpreendentes, ainda mais levando-se em conta as quase três décadas dedicadas à profissão.
 O ar de moça arteira permanece na mulher independente que se tornou.
 “Demorei a me conhecer e a me aceitar. Sou dramática e intensa, para mim tudo é superlativo, mas estou em um momento de maturidade e de entendimento de um monte de coisas na minha vida”, destaca ela, cujo primeiro trabalho na TV foi o seriado Tarcísio e Glória (1988).  
No Centro de Visitantes Paineiras, inaugurado em julho e localizado no Parque Nacional da Tijuca, no Rio, Natália encara tudo com olhos curiosos. 
O espaço abriga uma exposição permanente sobre a biodiversidade na Mata Atlântica e possui uma vista privilegiada do Cristo Redentor – no dia desta entrevista, o cartão postal ficou encoberto por nuvens. 
“Me sinto mais confortável no meio do mato. O cheiro e a temperatura são diferentes”, opina a atriz, nascida em Niterói e, atualmente, moradora do Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio.
Natália deixa recado na instalação interativa

Pela primeira vez no Centro de Visitantes Paineiras, Natália aprovou o espaço: “É um lugar que proporciona contato com outro aspecto do Rio. Vivemos numa cidade com muita poluição”.
A atriz se encantou com as imagens da Mata Atlântica, parte da exposição Floresta Protetora

O passeio cercado de verde é um respiro para ela, às voltas com trabalhos encadeados nos próximos meses. 
Além de apresentar o programa Revista do Cinema Brasileiro, na TV Brasil, que prepara uma nova leva de entrevistas com personalidades do meio cinematográfico, Natália dará vida nos palcos à violoncelista inglesa Jacqueline du Pré, morta em decorrência de complicações da esclerose múltipla aos 42 anos. A previsão de estreia, em São Paulo, é para novembro.
“Nunca fiz concessões ou me afastei de mim. Tenho orgulho de tudo que fiz, de ter começado criança. Dei várias voltas para entender que tenho meu tamanho”, afirma ela, que protagonizou a novela O Amor Está no Ar (1997) e hoje se sente desconfortável com as cobranças para que volte a ganhar um papel principal na TV.
 “Se não sou protagonista, não significa que seja um fracasso. Fiz ótimos coadjuvantes. Não tenho preocupação.
 Gosto de bons personagens, sou trabalhadora, preciso pagar minhas contas”, enfatiza. Em 2016, a atriz participou da série Tempero Secreto, do GNT.
Cercada de verde, escadaria de metal dá acesso ao restaurante do Centro

Dieta
Durante a adolescência, a atriz se inquietava com a própria imagem. À época, recorria a dietas para perder peso - mas hoje afirma estar livre dessas amarras. 
“Tive essa neura com o corpo no passado”, avalia. “Sou mulher, me preocupo com a estética, mas não me estresso se estou com um quilinho a mais ou a menos. 
Meu foco é ter saúde, estar de bem comigo e respeitar meu biótipo”, sustenta a atriz, que namora há seis meses o roteirista Cauê Laratta, de 27.
Assim, de mãos dadas com a serenidade conquistada pela experiência e por anos no divã, é que ela segue a vida. 
“Gosto muito de refletir, questionar. Tem gente que só quer viver. Quero viver e pensar ao mesmo tempo. É importante ter alguém que me ajude nisso”, diz, referindo-se à sua analista.
Nos seus planos, constam casamento e filhos, embora se esquive de angústias. 
“Não me pressiono, apesar de desejar que aconteça”, ressalta Natália, sem perder o ar juvenil e questionador, lembrando uma frase atribuída a Pablo Picasso (1881-1973):
 “Leva-se muito tempo para ser jovem, né?”, pondera, em meio ao verde.

FONTE/QUEM

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