segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Osmar Prado:
"Me encanta fazer, representar... Atuo desde criança e não perdi a alegria"
 No ar em Nada Será Como Antes, o astro bate-papo com Tititi sobre o aguardado retorno às telinhas 

Os mais de 52 anos de carreira de Osmar Prado são a prova de que o seu talento estará marcado para sempre na memória da TV Brasileira. 
 Com passagens pela extinta TV Paulista, TV Excelsior, TV Cultura, Manchete, SBT e Rede Globo, o artista não cansa de se reinventar e se lançar de cabeça em novas missões. 
Foi o que fez em Nada Será Como Antes, minissérie global na qual viverá um político corrupto. 
 Na produção de Guel Arraes e Jorge Furtado, dirigida por José Luiz Villamarim, Osmar viu a oportunidade de mostrar como o poder pode corromper e modificar as pessoas. 
O trabalho marca o retorno dele, após a novela Meu Pedacinho de Chão (2014), na qual interpretou o coronel Epaminondas. 

Conta pra gente um pouquinho do personagem?
 O Pompeu Azevedo Gomes é fascinante! É um empresário riquíssimo, político vitorioso, reeleito várias vezes, uma raposa! Totalmente inescrupuloso! É meu segundo trabalho com o Villamarim. Já havíamos feito Amores Roubados (2014), em um momento muito delicado da minha vida (o ator vencera a batalha contra um tumor na garganta em 2013).

 E o que torna o Pompeu um homem tão inescrupuloso? É o poder, né? 
De modo geral, aquele poder indiscriminado, que está acima das coisas e atropela. Ele tem até um certo ar de decadência! Muito, muito interessante! É um privilégio poder fazer esse personagem! Acha que o poder modifica as pessoas? Veja bem, as pessoas de modo geral, direta ou indiretamente, almejam o poder. Algumas se matam pelo poder. As pessoas dão golpes pelo poder, fazem corrupção... O poder corrompe! É uma droga e vicia!

Sim!!! Eu sou filho da TV! Comecei minha carreira em 1959 e vivi esses primórdios. No início de tudo, durante oito ou noves anos, fiz televisão ao vivo! Até os comerciais eram feitos ao vivo! Há histórias fascinantes e erros fantásticos que ocorreram e isso está implícito na história da TV! 

 Sente muita diferença daquela época para hoje? 
Ah, sim! Hoje a televisão é internacional. Você (o artista) vai para Portugal e tem uma pessoa que te para e pergunta: “Oi, como vai? Te vi em Os Maias (2001) e gostei muito do seu trabalho!” Enfim... Nós somos internacionais através da televisão! Eu, por exemplo, fiz Oliver Twist em 1960, saía na rua para jogar bola de gude e ninguém sabia quem eu era! Não afetou minha infância... Hoje, uma criança que faz uma novela vira celebridade e tem a rotina transformada!

 Mesmo após tantos anos e esse enorme sucesso, ainda consegue andar na rua tranquilamente? 
Olha, eu, por exemplo, todas as terças pego metrô de Botafogo, onde moro, e vou para a Glória, no Rio, fazer aula de canto. Gente, eu entro tranquilamente e fico lá me segurando como qualquer cidadão! O povo, se reconhece, fica calado. Pouca gente me aborda... 

 Tem alguma história curiosa para contar sobre essas experiências?
 Um dia, uma senhora me abordou e foi maravilhoso. Ela virou-se para mim e disse: “Quero parabenizá-lo pelo seu trabalho e dizer que por sua causa comecei a ler Machado de Assis! Eu fui assistir a um espetáculo no teatro Gláucio Gil, o Dom Casmurro, na década de 1970, em que você estava. Gostei tanto que comecei a ler”. Daí tiramos uma selfie e eu desci na minha estação. Agora, não dá para a Bruna Marquezine fazer isso! Se ela entra lá, já viu o tumulto (risos). Agora eu posso! 

 O que mais o encanta na televisão
? O trabalho em si! Me encanta fazer, representar... Atuo desde criança e ainda não perdi a alegria, porque é no trabalho que me sustento. Nesse trabalho para o qual meu querido Villamarim me convidou, vi uma oportunidade fantástica! Muita gente hoje se deslumbra pela ofício de atuar. 

O que acha disso? Considera-se um eterno aprendiz? 
Veja bem, não é culpa desse pessoal (que se deslumbra). É culpa do sistema, que cria essa situação. Por exemplo, a qualidade da política que temos em nosso país está atrelada à qualidade do Congresso que temos. Então, os novatos, se houver facilidade, os novatos vão! Na minha época, não se ganhava dinheiro na televisão.

FONTE/TITITI

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