segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Victor Mota lança CD após largar tudo, até namorada: 
'Tive uma epifania'
Cantor cearense deixou carreira promissora para estudar música em Boston, nos EUA, e está em turnê de seu primeiro disco, 'Antes do Sol Chegar'.

Por Bárbara Vieira
Victor Mota, 31 anos, estava se formando em Administração de Empresas e tinha um futuro promissor em uma empresa de Fortaleza, onde vivia, mas resolveu largar tudo - inclusive namorada - para estudar música no Berklee College of Music, em Boston, nos Estados Unidos.
"Tive um momento de epifania. Quando olho para trás, vejo que estava com a vida muito retinha.
Eu namorava sério e ia me casar, estava me formando na faculdade e trabalhando numa grande empresa que investia em mim, mas resolvi que tinha de fazer música", relembra ele, que, seis anos depois da decisão, está lançando "Antes do Sol Chegar", seu primeiro CD de músicas autorais e lançado com selo independente.
Da mistura de folk, country e blues americanos à música regional que influenciava Victor desde a infância, saiu um caldo que o próprio tem dificuldade em definir em poucas palavras.
"Sou um cara vindo do Ceará que gosta de folk, country e blues. Lá nos Estados Unidos, tinha essa coisa de aprender com eles, mas também de mostrar o que a gente tem aqui. Não tenho como negar minhas origens.
 Cresci ouvindo Fagner e Belchior, Valdones, Dorgival Dantas e me identifico bastante com a música nordestina de Chico César, Zeca Baleiro e Djavan, mas bebi na fonte de Eric Clapton, BB King, Stevie Ray Vaughan", enumera ele.
Victor Mota investe em som autoral
No meio de músicos americanos, Victor se destacou não só pelo sotaque cearense na hora de falar inglês, mas pelo que ele chama de "sotaque musical". " 
É engraçado que americano diz que quando toco blues tenho o sotaque, mas não é só isso é o suingue, é o jeito de interpretar", diz ele, que define seu estilo como "um pop country nacional", uma mistura de Lenine e John Mayer, passando por Almir Sater nas músicas mais lentas.
"No Brasil a gente absorve a nossa maneira e, quando a gente traz o folk, acho que acabo comungando com outros estados também. Eu me considero um artista pop, mas que mistura as influências nacionais".
 
O cd de Victor Mota: disponível no YouTube e no

Som autoral
Em seu primeiro trabalho, Victor compôs todas as músicas. "É um divisor de águas que traz uma bagagem que trouxe ao longo da vida e precisava soltar isso, mostrar de onde estava vindo e traz uma sonoridade para onde estou indo. 
Gosto da sonoridade dele, fiquei bem feliz com isso, com esse lado pop explorando o folk e o country que estão bem em evidência no meu som. 
É uma tradução de quem sou. Essas várias influências foram sintetizadas ali", diz ele sobr o disco, que tem parcerias com a cantora americana Pam Steebler e os brasileiros Nelson Dias e Kel do Nascimento.
Paralelo à gravação de seu disco, Victor foi convidado para participar da trilha sonora do filme “Apaixonados: O Filme” (2016). 
O longa começa com a canção “Quando a paixão desperta”, que tem participação de Victor tocando violão e voz de Daniela Mercury.
Ainda no filme, a voz de Victor aparece cantando a música “Fita Amarela”, de Noel Rosa.
 “Foi muito bacana porque o convite incial era mais simples e minha participação foi crescendo. Nunca tinha participado de um filme e foi show de bola".
'Comecei a tocar guitarra por causa do Slash'
Victor toca violão e guitarra "para acompanhar", mas se vê mais como cantor e compositor.
 "Comecei a tocar violão aos 13 anos com amigos do colégio e formei uma banda. A gente tocava principalmente músicas internacionais.
 Guitarra eu comecei a tocar por causa do Slash", relembra ele.
Nessa época, a música era só hobby. Filho de pai militar e mãe empresária, Victor enfrentou resistência em casa.
 "Foi um choque inicialmente, mas agora eles estão sempre nos shows. Minha mãe é minha fã número zero", diverte-se. 
Victor faz questão de relembrar que suas influências começaram em casa. "Meus pais nasceram em Tauá, no Centro-Sul do estado, região do sertão bravo mesmo. 
Foi onde cresci passando férias, ouvindo forró. Adoro fazenda, adoro bicho. Acho que levo isso para onde for".

FONTE/EGO

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