terça-feira, 15 de novembro de 2016

 João Campos se vê como espelho de seu papel na novela das 9:
'O engajamento político nos une' 
Por Gustavo Assumpção
Destaque entre os estreantes de 'A Lei do Amor', ator que vive o jornalista Elio tem a mesma formação e inspirou até mesmo o figurino de seu personagem na trama.
 Estreante em telenovelas, João Campos vem surpreendendo o público ao enfrentar de igual para igual atores veteranos em algumas das sequências mais importantes de A Lei do Amor, que, na última semana, completou seu primeiro mês no ar. 
 Engana-se quem pensa que o ator é um novato. Com mais de dez anos dedicados ao cinema e ao teatro em circuito independente, a jovem promessa estudou jornalismo em Brasília, mas encontrou nas artes cênicas um terreno para fertilizar seus talentos. 
Agora, diante do grande público, vive o desafio de estar preparado para a fama.
 Em entrevista à CARAS Digital, o ator elogiou o texto de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari, disse que tem suas diferenças com o personagem, mas que sua primeira participação em horário nobre é um grande presente.

Você está estreando em telenovelas. Sua formação é em teatro, você conseguiu reconhecimento com seus trabalhos recentes no cinema. Como você vê a sua presença em um veículo mais massificado? O que muda?
 O teatro e o cinema independentes são a minha escola e parte fundamental na minha formação e amadurecimento, não só como artista, mas como ser humano. A experiência [na televisão] tem sido incrível. Além de uma ótima vitrine para o trabalho, pelo seu altíssimo alcance, a novela me trouxe novos e preciosos parceiros de trabalho. Passamos por um processo muito bem cuidado, que foi da preparação de elenco ao início das gravações, e tenho aprendido muito com toda a equipe. O ritmo da TV é bem diferente do teatro e do cinema. É mais rápido e por isso exige um nível de atenção diferenciado no trato com o personagem. Estou acompanhando todo esse processo de mudança na carreira com muito entusiasmo, mas também com cuidado para não atropelar nada, nem ninguém. Caminhando devagar e juntos, vamos mais longe. 

 Você tem a oportunidade de interpretar um texto que vem da Maria Adelaide Amaral, que é uma autora de TV com um texto sofisticado, ela também é escritora, foi responsável por algumas montagens teatrais bem elogiadas recentemente. Como fica o ator diante do texto de uma autora tão gabaritada? Facilita? 
 É um honra pra mim, um grande presente. Ao ler os primeiros capítulos ficava me perguntando "como eles conseguem criar e costurar tão bem tantas histórias com tantos personagens?". A cada capítulo recebido, fico querendo saber o que vem pela frente. A Adelaide e o Vincent [que co-escreve a trama com a autora] também nos receberam muito bem e participaram ativamente do processo anterior ao início das gravações. Tivemos conversas preciosas em encontros com a equipe. Eles são muito generosos e a paixão pelo que fazem fica no texto com o qual estamos trabalhando. 

 Em A Lei do Amor você divide cenas com atores bem experientes. Encarar logo de cara Vera Holtz e Regina Duarte em algumas sequências bem desafiadoras foi transformador? De que forma isso contribui para o seu crescimento?
 A troca com o elenco, dentro e fora de cena, tem sido um dos pontos fortes desse trabalho. No começo, confesso, estava um pouco assustado diante de todos aqueles rostos super conhecidos e nomes de peso. Mas logo o convívio e a generosidade da equipe quebraram esse medo e colocaram todos nós no mesmo barco. Acredito que o trabalho de criação artístico deve estar além das trajetórias e vaidades individuais. Conseguimos dar esse passo na novela. O elenco jovem da novela também tem sido ótimo de trabalhar. Sempre que estou em cena busco estar atento para dar o meu melhor e levar um pouquinho das nuances de cada um comigo. 

 Na trama, você vive um jornalista que tenta denunciar esquemas de corrupção. Você acha que esse papel dialoga com a realidade do país, principalmente com o crescimento dos movimentos de jornalismo independente?
 Apesar de ter sido escrita antes de todos esses escândalos recentes na política brasileira, acredito que a novela traça um paralelo muito próximo da realidade atual. Vivemos tempos difíceis, com o crescimento da intolerância e a propagação do ódio. Somos testemunhas de grandes absurdos no cenários nacional. Acho que um dos grandes trunfos do Élio é ser uma expressão dessa revolta, que também é de muitos brasileiros e brasileiras que não se conformam com o avanço do conservadorismo e da corrupção no país. Mais do que pensar de forma crítica, é preciso agir. E o Élio é um personagem de ação, que não tem medo de lutar pelo que acredita. Assim como o Élio, creio que o crescimento do jornalismo independente e das redes sociais é um caminho fundamental para diversificarmos nossas fontes de informação e construirmos opiniões mais sólidas neste momento tão crítico. 

 O Elio é muito engajado, tem uma postura firme, preza pela ética. Você se vê de alguma forma no personagem? O que você trouxe de você para a construção do personagem? 
 Sim, o Élio e eu temos nossas diferenças, mas creio que temos muito mais em comum. A começar pelo jornalismo, profissão que dividi com a atuação durante quatro anos da minha vida, depois de me formar em Comunicação Social [na Universidade de Brasília (UnB)]. O engajamento político é outro ponto que nos une. Não sou filiado a partidos, mas há muitos anos acompanho e busco participar de movimentos que lutam por uma sociedade menos desigual, que respeite a diversidade racial, de gênero e credo. Que respeite o Meio Ambiente e suas populações tradicionais. Tudo isso busco trazer para o Élio no momento de estudo e execução das cenas. Outra curiosidade é que, no momento da caracterização, ficou decidido que o estilo do Élio seria muito parecido com o meu. Fizeram um óculos igual ao que uso e as roupas também são muito parecidas. Apesar de meio estourado, o Élio é um personagem incrível e estou muito feliz em poder dar vida a ele.

FONTE/CARAS

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