terça-feira, 1 de novembro de 2016

Danielle Winits encarna Marilyn Moroe:
'Não me sinto esse símbolo sexual'
Em cartaz no teatro interpretando a diva americana, atriz fala sobre fama, sensualidade, seu noivado com André Gonçalves e a criação dos filhos, Noah e Guy

Por Mariana Bonini
Enrolada no lençol da cama de uma suite do hotel Radisson Blu São Paulo, Danielle Winits relembrou com exclusividade para QUEM o último ensaio que Marilyn Monroe fez antes de morrer aos 36 anos, em 1962. 
Encarnar a diva tem feito parte da rotina da atriz, em cartaz no Teatro Itália, na capital paulista, com Depois do Amor, um Encontro com Marilyn Monroe.
Na peça, escrita e produzida por Fernando Duarte, Winits mostra além da imagem mitificada da sensual Monroe com o famoso vestido branco ao vento para retratá-la na intimidade de seu quarto, lidando com angústias, desilusões amorosas e o envelhecimento.
"Contar a história sobre a mulher glamourizada seria mais simples, mas o texto fala sobre o fim da vida dela, as impossibilidades, os percalços e a mostra como uma mulher mesmo e não como um mito. 
É um universo feminino que poderia ser uma história sobre mim ou qualquer outra mulher. Isso me aproximou muito da personagem", conta ela, indicada como Melhor Atriz de Comédia no Prêmio Arte Qualidade 2016 pela peça.
Aos 42 anos e mãe de Noah, de 8 anos, e Guy, de 5 anos, dos relacionamentos com Cássio Reis e Jonatas Faro, respectivamente, a atriz tem plena consciência de que o glamour que cerca a sua carreira é apenas uma ilusão. No dia a dia, a atriz diz ter "uma vida bem lugar comum”.
Danielle Winits afirma que não se considera um símbolo sexual

"O meu trabalho é uma coisa e a minha vida é outra. Sei dividir bem isso e não vivo o glamour do trabalho quando acordo. 
Visto o personagem enquanto estou trabalhando e depois sou a Danielle mãe, uma mulher que desde menina gosta de fazer exercícios, que vai para sua aula de dança, para o supermercado, reunião do filho… 
Não tenho o menor glamour na vida. Tem gente que imagina que eu vivo para cima e para baixo de helicóptero.
 Nunca tive essa tendência a fundir as coisas e a acreditar no personagem. Acho que quem acaba vivendo um pouco isso, acredita muito no que não é real. O teu trabalho é o teu trabalho e a sua vida é outra coisa. 
As pessoas tendem a acreditar que a vida na tela ou no palco é a real, mas não é”, explica ela, que não se vê como um símbolo sexual. "Estou mais para tomboy. Não me sinto esse símbolo sexual.”
Esse modo de ver a vida e a crença no amor são qualidades que a atriz têm e identificou também no noivo, o ator André Gonçalves, de 40 anos, com quem começou a namorar nos bastidores do quadro Superchef Celebridades, do programa Mais Você, em julho deste ano.
"Foi um encontro muito bacana de duas pessoas com momentos parecidos na vida, com idades parecidas, com filhos e com caminhos já percorridos.
 Foi um encontro de duas almas parecidas. Temos essa alegria de viver, o companheirismo, o acreditar no partilhar.
 Cremos na vida a dois e acreditamos muito no amor”, afirma Winits sobre o amado, que em uma noite de espetáculo fez questão de comprar alguns ingressos para rever a peça dela com amigos. “Ele apoia e valoriza meu trabalho. 
É um homem muito romântico, o que é muito raro”, elogia a atriz, que poderá ser vista em breve nas telonas com o curta Alvará e o longa Ninguém Entra, Ninguém Sai.
Como foi a preparação para viver a Marilyn Monroe?
Tinha lido algumas biografias sobre ela, que de fato foi o maior ícone feminino de todos os tempos. No fundo, toda mulher já se imaginou um pouco Marilyn. Já se sentiu glamourosa em um dia e no outro nada. Ela representava bem isso: esses dois polos. É mais fácil para mim, como pessoa pública, entender isso.

A peça retrata um momento de angústia dela. Você já passou por uma fase assim mais sombria?
 Quem nunca enfrentou momentos de angústia na vida? Se não passamos por eles ou tentarmos evitá-los, nunca vamos poder conhecer as facetas da vida. Consigo passar pelos meus percalços, assim como pelas minhas alegrias, de uma forma positiva. Procuro enxergar o lado negativo das situações com positividade. É sempre um aprendizado e a vida tende a dar certo. Eu acredito nisso. Tem um livro de uma mulher muito importante na minha vida, a Anna Sharp (escritora e terapeuta), que se chama: A vida Tende a Dar Certo, Nós é que Atrapalhamos. Eu acho que a tendência é dar certo. Sou uma otimista, uma pessoa apaixonada pela vida e pelo me trabalho. Procuro ser feliz.

Sempre acreditou no amor também…
Sim. Assim como a Marilyn acredito muito no amor. É uma parte importante da vida. Vejo problema em quem não acredita e ficou descrente ou é amargo. Nunca desacreditei no amor. Sempre tentei tirar algo positivo de tudo. A gente está em constante crescimento e amadurecimento. Cada passo é uma conhecimento a mais. Se vitimizar ou mesmo julgar o outro o tempo todo não te leva a lugar nenhum, é melhor ficar trancada dentro de casa.

Por isso que você mantém um bom relacionamento com os ex? Vemos que o Amaury Nunes continua tendo contato com os seus filhos, mesmo depois do fim de relacionamento entre vocês.
O Amaury foi um pai para o Guy e independentemente de estarmos juntos ou não, o mais importante para mim é pensar o que é bom para os meus filhos. O que é bom para eles é bom para mim. Se ele estiver feliz, vou estar feliz. Isso é um bom exemplo também. Acho que como uma pessoa pública, acabo também abrindo portas para cabeças mais fechadas e pensamentos mais retrógrados. Tem gente que pensa que quando se tem um conflito, acaba tudo e nada mais dará certo na relação com aquela pessoa. Quando se tem um filho, temos que fazer o melhor em prol dele.

 A maternidade mudou a sua vida?
 Eu não tive irmãos e sempre quis ter uma família grande, assim como a Marilyn queria. Ter filhos para mim sempre esteve nos meus planos, apesar de eu ter demorado um pouco para tê-los, fui ter aos 30 anos. Acho que a maternidade trouxe uma completude na minha vida que foi muito maior do que eu imaginava que pudesse ser. Ser mãe é um encontro com o divino, independente de ser biológica ou por adoção, que acho um amor até mais incondicional porque você faz uma escolha para a vida mesmo não tendo uma laço consanguíneo e encontra disponibilidade para dar esse amor. Criar um ser humano e crescer com ele é mágico. A gente acaba recebendo muito mais do que a gente dá. É uma vida de mão dupla, mas cada dia mais vejo que recebo mais do que dou. Reaprendemos…

Como é a Danielle mãe?
Tento passar mais uma amizade do que qualquer tipo de autoridade. Minha mãe me criou muito mais na amizade e conseguiu as coisas na inteligência do diálogo. Ela foi "pãe", porque perdi meu pai quando tinha sete anos, e sabia em momentos necessários colocar a hierarquia. Sempre me colocou medos certos, sem tirania, e soube falar de sexo e drogas na hora certa, me encaminhar para as coisas que eu gostava… Droga nunca foi um problema na minha vida, assim como a rebeldia. Meu caminho foi sempre o da arte. Tinha um pouco de medo, mas ela era uma mola propulsora para mim. Acreditou em mim muito mais do que eu mesma, me educando de uma forma brilhante. Vou procurar ser assim para eles. Graças a Deus eles são dóceis e tranquilos. O Guy é mais espevitado que o Noah, que também é, mas de forma mais disfarçada. No fundo são duas crianças doces.
Seus filhos já mostram interesse pela arte?
 O Noah já mostra um pouco desse lado artístico, mas eu deixo ele decidir. Ele fez um curta (Alvará) neste ano como meu filho em duas ceninhas. Foi uma graça e fez tranquilo. Gostou de fazer e encarou como uma brincadeira. Quero dar liberdade para eles acharem o caminho.

Você está em um relacionamento sério com o André Gonçalves. Pensam em ter mais filhos? Talvez uma menina?
Sou muito feliz com os meus dois filhos. Sempre quis ter três filhos, mas se tiver que ser só os dois, vou estar feliz e me sentindo completa. Até pensei em congelar os óvulos, tenho amigas que fizeram, mas não é uma questão na minha vida hoje em dia. Estou muito bem com os meus filhos. Se tiver que acontecer, será uma coisa do destino, que não pertence mais a nós. Nunca tive essa vontade específica de ter uma menina. Sempre quis ter filho, independente do sexo. Depois que tive o Noah e engravidei novamente, queria que fosse um menino para ser um companheiro para ele. A vontade de ter uma menina ficou em algum lugar, não sei… 

Voltando a falar de Monroe, ela tinha muito medo que sua sensualidade limitasse os seus trabalhos. Você já sentiu esse medo no começo da carreira?
Comecei minha carreira muito nova e fiz papéis que tiveram apelo sensual. Na época tinha um pouco dessa preocupação de ficar limitada a personagens mais sensuais, mas isso foi serenando com o tempo. Se tornou muito menos importante para mim do que para as pessoas. Eu vou atrás de personagens que eu acredito, independente da característica que ele tenha. Hoje me sinto honrada em poder escolher os papéis que eu gosto de dar vida e vestir. Conquistei isso fazendo papéis de todos os tipos. Procuro ter prazer no que eu faço e o problema está muito mais nos outros. Não me sinto esse símbolo sexual porque meus símbolos sexuais são outros, não eu mesma. A Angelina Jolie por exemplo é um deles. Aquele mulher alta, com aquela boca linda… Posso até saber fazer um símbolo sexual, mas não me vejo como um. Eu Danielle estou mais para tomboy.

 Como faz para manter a boa forma após os 40?
Sempre fiz ginástica e dança. Me cuidar nunca foi um fardo. Mas me cuido na medida do que eu consigo. Não tenho neurose nenhuma. Sou a favor de ser saudável. Não sou modelo, não quero ser um cabide de roupa e não tenho esse olhar meio torto que ser belo é ser magro. Acho que cada pessoa tem a sua beleza. Não adiante estar magra e infeliz. Eu não tenho essa perseguição pelo corpo perfeito. Procuro fazer o meu melhor e o meu melhor não é a perfeição. Não vivo para isso. Vivo para ser feliz e gosto de ter prazer, de comer…
 Sem dietas malucas?
Sigo um nutricionista, que me ajuda bastante, e não gosto de comer enlatado porque sei que não faz bem, mas a neurose realmente não faz parte da minha cartilha. O meu caminho é o equilíbrio. A vida precisa de seus prazeres, os meus são os chocolate e a pizza. Gosto de me dar ao prazer de comer algo que eu queira mesmo que não seja no fim de semana. Temos que nos deixar ser mais gente e menos máquina.

Esse é o segredo da sua jovialidade?
 Acho que o bálsamo para você estar bem é não ser escravo do sistema, que é cruel, ainda mais com a mulher. No final das contas é você que está em casa e vivendo ali entre quatro paredes. Sou muito mais zen comigo mesma. Acho desconexo essas pessoas que ficam malhando o dia todo. Elas querem chegar aonde? Não consigo entender essa histeria. As pessoas não enxergam que isso é uma doença da mesma forma que a anorexia é. Espero que essa histeria coletiva tenha um fim algum dia. Infelizmente isso é exemplo para uma geração que vem aí, para meninas…

FONTE/QUEM

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