quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Fafá de Belém: 
'Sofri preconceito por ser do Norte e não usar manequim 40'
Aos 60 anos e lançando seu novo clipe, 'Meu Coração é Brega', cantora se define como politicamente incorreta: 'Não sigo as regras caretas tradicionais'.

Por Lucas Pasin
O lado "soltinha" que Fafá de Belém exibiu na edição do Prêmio Multishow deste ano, quando apareceu de maiô, chamou a atenção de alguns, mas certamente não impressionou os seguidores fiéis da cantora, que tem mais de 50 anos de carreira.
Acredito que a minha sensualidade é uma marca da minha carreira, do meu trabalho,  e me sinto representante de muitas destas mulheres que não seguem um padrão de corpo"
Em conversa com o EGO, a paraense, que acaba de lançar seu novo clipe, 'Meu Coração é Brega' - cujo pano de fundo é uma boate gay com muitas drag queens - fala que sempre se sentiu livre de regras e que se considera muito bem resolvida com seu corpo. 
Apesar da facilidade em lidar com as curvas avantajadas, Fafá confessa que sente ainda muitos olhares preconceituosos.
"Acredito que a minha sensualidade é uma marca da minha carreira, do meu trabalho,  e me sinto representante de muitas destas mulheres que não seguem um padrão de corpo. 
Elas são o meu público. Mas não adianta, até hoje, muita gente que diz ter uma visão muito moderna do mundo, tem inveja de quem tem liberdade, de quem aceita seu corpo, de quem pinta a boca de vermelho, de quem tem coragem de usar decote e dar uma gargalhada escandalosa. 
Já me perguntaram se sofri bullying ou preconceito, e a minha resposta foi 'sim'. Sofri por ser do Norte e por não usar manequim 40", admite Fafá.
A cantora diz que aprendeu a aceitar suas curvas na adolescência depois de sofrer alguns castigos dentro de casa.
 "Minha mãe amarrava um fio na minha cintura e, cada vez que ele arrebentava, era uma palmada, mas aprendi a aceitar meu corpo com 12 ou 13 anos. 
Não encontrava roupa pra mim, não tinha nada. Até que um dia eu vi um filme com a Sophia Loren, que nunca foi extremamente magra, e pensei: 'Yes, I can'.
 A partir daí passei a pedir para minha mãe fazer as minhas roupas. Comecei a usar roupas muito confortáveis e parei de sofrer. Não sigo as regras caretas tradicionais", diz a cantora.
Fafá também conta que, ao olhar a moda atual de usar roupas estilo "pijaminha", percebe que já usava este mesmo estilo faz tempo.
 "Essa moda de usar pijama ou camisola na rua é coisa minha também. Uso camisola de seda na rua há mais de 40 anos! 
Era uma loucura andar assim e eu achava normal", ressalta a cantora, concluindo: "Sempre fui uma mulher mais livre porque sou índia, né?
 Existe a ala das índias saradas, mas lá as mulheres também são felizes com seu manequim 48 ou 52. 
As índias botam biquíni, sim, porque ninguém merece barriga branca. A Amazônia é um território de muita liberdade e fui criada neste mundo".

FONTE/EGO

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