quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Giovanna Antonelli:
“A gente vive um século de medo"
As certezas e os medos de Giovanna Antonelli, uma das mais bem-sucedidas atrizes de sua geração, em depoimento reflexivo e sincero sobre sua carreira e vida pessoal

Por Ana Silva Mineiro
Que Giovanna Antonelli é intensa não é novidade para os fãs. A própria atriz, de 40 anos, no ar como a Alice de Sol Nascente, confirma: “Tenho muita energia e aí busco por válvulas de escape”. 
Quem a conhece de perto, no entanto, sabe que há um furacão Giovanna – aquele que em 25 anos de carreira deu vida a inesquecíveis personagens –, mas também existe uma Giovanna que prefere ficar em casa e ama dias de chuva. 
“Adoro a melancolia de paisagens chuvosas”, conta a intérprete de Atena, de A Regra do Jogo (2015), e da ‘delegata’ Helô, de Salve Jorge (2013), personagens pelas quais ganhou o Prêmio QUEM de melhor atriz. 
Durante um bate-papo no hotel Grand Hyatt Rio de Janeiro, ela se emociona ao falar da família. Mãe das gêmeas Sofia e Antonia, de 6, do casamento com o diretor de TV Leonardo Nogueira, de 38, e de Pietro, de 11, com Murilo Benício, de 44, Giovanna afirma que teria mais cinco filhos, “se o planeta não estivesse como está”.

Umbigos
“Tenho um sítio na Serra Fluminense. Quando estou lá, é uma renovação. Todo ano planto 200 árvores de madeiras nobres e 100 frutíferas. Depositei os umbigos dos meus três filhos sob pés de árvores. Os das gêmeas, embaixo de uma cerejeira. O do Pietro, de uma oliveira. Minha ligação com a terra é muito forte, mais do que com a praia.”
Mãe
“Me assusta o mundo em que a gente está vivendo. Qual vai ser o futuro em relação à natureza, convivência, violência? Tenho medo de ter responsabilidade por mais uma vida. Se não fosse isso, já estaria grávida. Meus filhos me dão vontade de chorar de emoção todos os dias. Se o planeta não estivesse como está, eu teria mais cinco filhos.”

Inteira
“Costumo dizer que me entrego de alma para tudo. Estou ali inteira, nunca pela metade. Se não for assim, prefiro não fazer. Seja na vida pessoal, seja no trabalho. Não vou mentir, nem me enganar, ou enganar os outros. Mergulho de cabeça, não importa o tamanho do salto.” 

Medos
“A gente vive um século de medo. Tenho vários: de doenças, do que estão fazendo com o meio ambiente... E outros bobos, como de barata. Vai entender! Não combina comigo. Mas não durmo enquanto não acharem a barata e me mostrarem morta.”

Sucesso
“É uma estrada, um aprendizado, mas há muito mais a realizar. Ao longo desses 25 anos, vim caminhando como desejei. No sentido das expectativas, do crescimento, das oportunidades. E abriram-se frentes em outras áreas pelas quais me interessei, de empreendimentos.”
Casamento
“Temos que ter planos para que a gente viva feliz, precisamos fazer o cotidiano ser incrível. E tem que ir acertando os pontos, não existe fórmula milagrosa. Existe a vontade de estar junto.”

Parceria
“Amo trabalhar com o Leonardo. Sol Nascente é nossa terceira novela (as outras foram Viver a Vida, de 2009, e Em Família, de 2014). Um respeita e admira o outro, isso é a base de qualquer relação. Meu marido é extremamente criativo, objetivo, talentoso. Gosto de dar ideias a ele e de ouvir suas ideias.” 

Influencer
“Fico muito feliz quando copiam nas ruas o estilo das minhas personagens. Para fazer cada uma, me reinvento do zero, passo por um funil e volto de novo. Se pudesse daria um beijo no coração de cada pessoa que me acompanha e curte meu trabalho – e que acabou me trazendo até aqui, de certa forma.”

Crossfit
“A academia costumava ser maçante para mim. Até que há três anos descobri o crossfit. Nenhuma aula é igual. Só a base do exercício é a mesma. Minha alimentação também mudou: não faço dieta; existe um estado permanente de me alimentar bem.”

Saúde
“Como comida de atleta, proteína e carboidrato complexo no almoço, inhame, batata-doce, aipim. Me alimento de três em três horas. À noite, grelhado, sopa, whey protein batido com frutas vermelhas. Priorizo o orgânico, para mim e para os meus filhos. Faço bolo de chocolate, mas uso farinha de castanha e açúcar mascavo. No dia a dia, uso sal do Himalaia e óleo de coco. São mudanças que fazem diferença.”

Chocólatra
“Brigadeiro é vício, sou chocólatra. Na época de TPM, então, é uma loucura: como uma lata de brigadeiro sozinha, feliz. Em aniversários, como dez (risos)!”

Filhos
“Brinco muito com eles. Em casa todo mundo é supermoleque. Quando os três se juntam, passa um de skate, de tênis de rodinha, todos pulam no sofá... Criança tem de ser assim.”

Genética
“As meninas gostam de esporte, ginástica olímpica, dança. E arte. Meus filhos desenham muito. Quando tenho de gravar em um fim de semana, chamo uma professora para ir lá em casa ficar com eles: cortam, colam, fazem bonecos. Amo incentivar esse lado lúdico. Pietro desenha absurdamente bem. E também é cinéfilo e skatista.”

Alice
“Minha personagem é racional, mas com grandes dificuldades emocionais. Ela tira a vida para trabalhar. Também trabalho muito, mas transbordo emoção. O lado racional amadureceu comigo. E hoje aprendi a equilibrar.”
Ansiedade
“Tento driblar. Tenho consciência da ansiedade em mim e a administro para que nunca seja maior do que eu possa acolher.”

Escape
“Sei que sou pilhada. Tenho muita energia, preciso arrumar válvulas de escape. Hoje mesmo acordei com dor na coluna e fui malhar, jogar energia para fora. Interpretar é uma forma de extravasar também.”

Chuva
“Adoro a melancolia dos dias chuvosos. Quer me dar um presente, uma alegria? É eu abrir a minha janela e estar chovendo. Sou supersolar mas adoro dia de chuva, dia bucólico. Não é doido?”

Terapia
“Não faço. Mas a terapia de amigos acho sempre válida: deles, do marido, dos filhos... Gosto de ouvir as pessoas. A gente está aqui mesmo para aprender, para melhorar, para errar.”

Amizade
“Sou amiga até debaixo d’água. Mas se alguém me ferir, ah, aí não tem volta. Consigo apagar de vez da minha vida. Deve haver uma tecla ‘delete’ no meu  cérebro. Não sei se isso é bom, talvez seja um ponto de fuga.”

Passado
“Uma das piores coisas é ficar remoendo o que passou. Sei que é inconsciente, mas a gente tem que entender que não muda, não apaga. Move on. Essa expressão é certeira, adoro. Não tem que voltar na dor, tem que reconstruir a vida de outra forma para que não doa mais.” 

Humor
“Humor faz parte do dia a dia, das tragédias, dos sofrimentos e das alegrias. Aprendi com minha família. Meu pai, Hilton, é assim: tira humor da tragédia. Do sofrimento eu tenho pavor, quero passar adiante. Mesmo que precise deixar adormecido em algum lugar aquele problema. Tudo é muito curto, muito rápido. Temos muita coisa pra fazer...”

FONTE/QUEM

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