segunda-feira, 7 de novembro de 2016

João Vicente de Castro: 
‘Fui paralisado durante anos pelo medo de errar’
Ator estreia nas novelas e diz que sua ex, Cleo Pires, foi sua grande incentivadora

Por Zean Bravo
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  O jogo virou para João Vicente de Castro. Depois de trabalhar por quase uma década como publicitário em São Paulo (“Achava que seria mais um ator e fui paralisado durante anos pelo medo de errar”, diz), ele abraçou a carreira que sempre quis. Agora, aos 33, dará mais um passo na profissão. 
O carioca, um dos sócios da produtora Porta dos Fundos e um dos apresentadores do “Papo de segunda”, do GNT, prepara-se para estrear numa novela. 
Vai interpretar o empresário musical Lázaro, vilão de “Rock story”, trama das 19h que estreia dia 9 na Globo, no lugar de “Haja coração”.
Filho do jornalista Tarso de Castro (1941-1991), um dos fundadores de “O Pasquim”, e afilhado de Caetano Veloso, com quem morou por um ano depois da morte do pai, quando tinha 8 anos, o ator sempre foi identificado por apostos. Ele também é ex-marido de Cleo Pires, ex-namorado de Sabrina Sato e já se incomodou por ser visto apenas dessa forma.
— Lidava mal. Aquela fama não era minha. Eu era muito grosseiro com fotógrafos na época em que virei uma subcelebridade (risos), marido de atriz. 
Eu não tinha a menor vergonha de ser marido da Cleo, tinha orgulho. Mas o interesse sobre minha vida incomodava porque não era sobre mim. 
Hoje, os mesmos fotógrafos falam: “Você mudou, era tão antipático”. Eu digo: “Vocês agora estão falando comigo, não com o marido da Cleo. Ele, sim, era antipático” (risos).
Atualmente, ele enxerga uma certa infantilidade em seu comportamento daquela época:
— Tem uma coisa de estar satisfeito com você. Acho que gente grosseira como eu já fui em alguns momentos tem a ver com felicidade, com o fato de se sentir bem na pele que habita, sabe?
 Quando namorei a Sabrina, era muito menos popular do que ela, mas ali já fazia um trabalho (Porta dos Fundos) que me dava orgulho, era diferente.
PASSAGEM PELO “CALDEIRÃO”
Foi Cleo quem encorajou João Vicente a correr atrás do que queria. Após morar em São Paulo por oito anos, ele voltou para o Rio e foi procurar emprego. Um amigo o indicou para Luciano Huck, que o contratou como redator do “Caldeirão”.
— Comecei a namorar a Cleo, resolvemos nos casar e quis voltar para o Rio. Passei a conviver com duas atrizes, ela e a Gloria (Pires). A gente inventava personagens, eu fazia imitações, e Cleo dizia: “Você tem que ser ator, precisa se jogar”. Como precisava de um emprego fui chegando perto da Globo.
Lá, conheceu o diretor Ian SBF e Antonio Tabet, do blog Kibe Loco. Com eles, formou o Porta dos Fundos. 
No começo, conciliou os trabalhos. Ele tinha dinheiro para se manter por três meses quando decidiu sair do “Caldeirão” para se dedicar integralmente à produtora. Cleo disse que o ajudaria financeiramente, se fosse o caso. Não foi: os vídeos de humor produzidos por eles logo emplacaram.
— Virei ator do Porta dos Fundos e comecei a estudar — conta ele, que já havia cursado teatro na Casa das Artes de Laranjeiras durante a adolescência.
João Vicente conta que foi um menino nerd, gordinho e sem muitos amigos. Aos 13, foi com a mãe, a estilista Gilda Midani, para Nova York. Odiou a cidade, mas, após se matricular num curso de inglês para estrangeiros, se apaixonou platonicamente por uma professora e pediu para ficar por lá.
— Morei um ano lá, ilegalmente — recorda.
Ele estudou teatro depois que voltou dos EUA, mas seguiu carreira como publicitário — mesmo sem ter feito faculdade. João Vicente nunca fez vestibular e não gostava de estudar em escolas formais:
— Preferia estudar coisas de que gostava. Mas cada vez que tinha uma manhã desagradável por não amar a Publicidade, pensava: “Será que errei? Deveria ter sido ator?”. Isso batia forte e foi ficando cada vez mais doloroso. Mas àquela altura já me achava velho para começar.

“SEMPRE QUIS SER PRECOCE”
João Vicente admite que sempre se cobrou muito:
— Eu tinha uma coisa muito americana de vencedor e perdedor, de querer dar certo. Sempre quis ser precoce, o cara que aos 25 anos é rico e faz seu primeiro R$ 1 milhão aos 30. Tinha esse pensamento forte na minha cabeça.
Com a maturidade, abandonou esses conceitos. Hoje não vê problema em dizer que é um ator iniciante. Lázaro, seu personagem na novela, teve uma banda na adolescência, mas se tornou empresário do amigo Guilherme Santiago (Vladimir Brichta), que fez carreira na música. 
Morre de inveja do cantor e nunca engoliu o fato de ele ter ficado com Diana (Alinne Moraes), por quem sempre foi apaixonado.
— Esse papel veio ao encontro de uma coisa que eu queria muito fazer na vida: ir além das comédias — observa ele.

FONTE/OGLOBO

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