quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Marcelo Medici: 
"Estamos vivendo um retrocesso grande"
Sucesso nos palco mundiais há mais de 40 anos, a peça ganha montagem no Brasil assinada pela dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho. Marcelo Medici interpreta o cientista Frank N Furter, protagonista do

Por Bruno Segadilha
Clássico do teatro musical, Rocky Horror Show ganha uma versão para os palcos brasileiros. 
Nessa nova montagem, assinada pela dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho, o público acompanha a história de um jovem casal em viagem que, ao procurar ajuda em um castelo abandonado, é recebido pelo cientista maluco Frank N Furter, interpretado por Marcelo Medici. 
Ele vive ao lado de uma série de criaturas bizarras e transforma a noite dos jovens apaixonados num divertido inferno. “Existe aquele clichê que todo ator quer fazer Hamlet. Frank é meu Hamlet!”, afirma Medici.

É verdade que Frank era o personagem dos seus sonhos?
Existe aquele clichê de que todo ator quer fazer Hamlet. Frank é meu Hamlet! Sempre quis fazer e sempre ouvi de muitas pessoas que eu deveria fazer, talvez porque eu tenha uma certa semelhança com o Tim Curry (que protagonizou a versão cinematográfica do espetáculo, em 1973)... Quando peguei o papel para interpretar vi a encrenca que era!

Por quê?
Frank é um personagem com uma potência alta e é diferente do filme. No cinema, assim como na novela, a câmera vem no nosso rosto. No teatro, a linguagem é outra. Essa eletricidade do personagem tem que estar do dedo do pé até o fio de cabelo.

O que o fascina nesse personagem?
Ele não é um mocinho: é um personagem mau, tem uma coisa dominadora. O que me fascina é essa loucura, essa atração que ele exerce. Frank também tem uma energia muito sexual. É a primeira vez em que faço um personagem assim. Além disso, ele tem um espírito libertário.

O público não conhece esse seu lado sensual. Como está buscando isso?
O personagem te traz isso. Existe uma barreira, sim, e é engraçado falar isso aos 44 anos. Mas, passada essa barreira, você faz o seu melhor.

O texto é famoso pelo tom anárquico, assim como suas comédias no teatro. Esse tom é também uma característica sua?
Sim, e é isso que me interessa. É o momento certo para fazermos essa peça. Estamos vivendo um retrocesso grande e isso é histórico. Todas as vezes em que as pessoas conquistam uma certa liberdade, vem um povo que começa a fechar o cerco. Lembro de ir ao Rio, no final dos anos 80, e a Monique Evans estava de topless na praia. Não que as mulheres tenham que fazer isso, mas mostra que o espírito era outro. Esse é um musical hardcore, não é um espetáculo fofinho. Ele prega que a gente deve viver sem culpa.

FONTE/QUEM

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