sábado, 12 de novembro de 2016

Marcos Quintela:
“A comunicação sempre foi minha maior habilidade
Um dos profissionais mais poderosos da propaganda brasileira já foi ídolo teen na música. Marcos Quintela é cheio de histórias boas para contar – e sabe contar uma história como ninguém

Por Lucia Barros
O olhar é franco, a conversa é fácil e a história de vida é espetacular. Aos 45 anos, Marcos Quintela está no auge do que define ser sua terceira onda profissional. 
A primeira foi como cantor, a partir do 13 anos, no grupo Dominó, fenômeno teen nos anos 80. 
A segunda foi como empresário e sócio da apresentadora Eliana, numa parceria que fez dela uma das três marcas mais licenciadas no país.
A terceira e atual é como um dos mais poderosos personagens da propaganda brasileira, sucessor de Roberto Justus primeiro na presidência da Young & Rubican, maior agência do país, e desde janeiro deste ano na presidência do Grupo Newcomm, parte da holding inglesa WPP, maior conglomerado de comunicação do mundo, do qual Quintela já era sócio desde 2010.
Casado há 15 anos com Deborah Quintela e pai de três filhos, Luca, Caio e Pietra, esse paulistano se derrete ao falar da paternidade.
 “Acho que nasci pra isso aí.” E conta: “Na época do Dominó, um comprava jet ski, outro guitarra, e eu comprava algo que não me dava um prazer, um apartamento pra eu alugar ali no Butantã, porque já era patrimônio pros meus filhos. A minha prioridade absoluta – e a Deborah é igual – são as crianças.”

Aprendizado
“O meu pai é um português, um imigrante. ele e minha mãe chegaram aqui com 16 anos e, como a maioria dos portugueses, são comerciantes. O comerciante é aquele cara que tem que saber um pouquinho de tudo, primeiro para desenvolver uma conversa com seus fregueses, independente do que ele esteja vendendo. Meu pai vendeu leite, pão, vendeu carne como açougueiro, vendeu graxa de sapato porque ele foi engraxate também. Eu acompanhei o meu pai até os meus 13 anos e aprendi muito com ele sobre como conversar com as pessoas, entender as pessoas – independentemente do nível social ou da profissão. Aprendi com meu pai a ganhar a simpatia das pessoas.”

Comunicação
“A comunicação interpessoal, de olhar no olho, sentir as pessoas, sempre foi a minha maior habilidade.”

Trabalho
“Enxergo a publicidade através dos olhos do Roberto (Justus). Pensamos muito parecido no que diz respeito à ética, lealdade, compromisso e determinação. Nossos estilos de vida são diferentes, mas é impressionante como no fim de um raciocínio a gente sempre chega junto. E por isso estamos juntos há mais de 12 anos.”

Sucessão
“A sucessão não é: toma que o filho é teu. É toma que o filho é nosso. Não é um processo simples, é complexo.  Sou uma das pessoas mais próximas do Roberto no pessoal e no profissional. Ele continua no grupo como chairman e nos falamos o tempo todo. Se eu tenho um atalho, por que pagar pra ver? A minha humildade e o meu berço permitem que eu ligue pro Roberto – ou pra qualquer outra pessoa – pra errar menos.”

Inovação
“A inovação está presente em tudo o que fazemos: desde um email que você manda até qualquer produto ou serviço que possa oferecer. Abrimos frentes de inovação não só no departamento de criação, mas em todo o processo de trabalho interno. Até a decoração da agência tem que estar mudando o tempo todo. Eu mudo de sala, o outro muda os móveis, pinta, escreve alguma coisa na parede. Inovar é a única maneira de permanecermos diferenciados e relevantes, em qualquer negócio.”

Valores
“Nosso principal valor é ir atrás de resultado e performance do cliente. Não vou falar das coisas básicas de transparência, foco, honestidade – vamos entender que isso é default. Hoje na propaganda não tem achismo. Há ferramentas, online e offline, que medem o seu resultado. E a propaganda sempre foi a melhor maneira para ressaltar a diferença do produto A para o produto B. Ela dá resultado.”

Rotina
“Todos os dias acordo às 6h45 –independentemente da hora em que fui dormir, o que me deixa muito triste. (rs) Porque a casa acorda essa hora e a minha é uma casa de três crianças, com 13, 10 e 9 anos. Não tem como eles acordarem e você não porque é uma revolução a cada dia, sempre acompanhada de algum tema polêmico: por exemplo, porque sumiu a mala de algum e eles acham que ela pode estar do meu lado na cama, embaixo do meu cobertor. Então começa uma busca, luz acesa, gritaria, e o relógio não para e eles acham que para... Então é assim.”

Atividade física
“Diariamente, às 7h45 começo uma atividade física: faço personal, que é musculação com cardio, três vezes por semana, e spinning, duas. Gosto muito de tênis mas sou talvez um dos melhores expectadores de tênis. Jogo mal que é uma vergonha e acho que por ser um dos grandes fracassos do tênis amador do Brasil eu admiro muito quem joga bem! Ontem, fui ter a primeira aula de beach tennis – porque já que eu não jogo tênis direito, vai que esse beach ajuda! (rs) Também faço aula de golfe aos finais de semana, no interior de São Paulo, onde temos uma casa de campo. É um dos esportes mais difíceis do mundo e o único com bola parada. Me disseram que o começo é difícil e depois fica bom, mas tá difícil de ficar bom...” (rs)

Leitura
“Gosto de ler tudo o que tem a ver com negócios, grandes empreendedores, revoluções em qualquer setor que o cara possa ter feito. Leio tudo sobre negócios e leio muito jornal, é uma prioridade: são quatro por dia.”

Pai
“Acho que eu nasci pra isso aí. O resto é meio vocação com necessidade, mas a devoção é só das crianças. Sempre tive muito mais vontade de ter filho do que de casar. Muito jovem, desde os 15, 16 anos, eu já pensava em guardar dinheiro para os meus filhos. Os outros diziam: você tá louco, vai viajar. Eu dizia: eu vou viajar, mas vou mais pra perto pra ter dinheiro pra investir em formar patrimônio pros meus filhos. E esse pensamento não mudou até hoje.”

Felicidade
“É estar com saúde junto com quem eu amo. Tão simples como isso.

FONTE/QUEM

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