terça-feira, 22 de novembro de 2016

Marília Mendonça:
"Não sou modelo. Quero que vão ao meu show pela minha voz"
Destaque na nova safra feminina da música sertaneja, Marília Mendonça fala sobre o sucesso inesperado, o amadurecimento que conquistou na estrada e garante que não deixará de ser verdadeira em seu repertório

Por Mariana Silva
Com uma agenda composta por quase 25 shows mensais, além de outros compromissos, é quase impossível falar com Marília Mendonça. 
“Graças a Deus, a vida está corrida!”, comemora ela, ao conversar com CONTIGO!. 
Aos 21 anos, a cantora e compositora goiana ganhou um forte espaço entre as vozes femininas da música sertaneja e conquistou o público ao lançar hits cheios de verdade como Infiel e Alô Porteiro.
 Intitulada carinhosamente como Rainha da Sofrência, ela chegou, inclusive, a ser comparada com Adele, 28, e suas músicas já superam, além da britânica, nomes como Taylor Swift, 26, e o Maroon 5, em número de visualizações no YouTube. 
Apesar de sempre ter gostado de cantar, o ritmo sertanejo, no entanto, nunca fez parte de seus favoritos. O amor só surgiu após uma traição, quando tinha apenas 13 anos. 
De lá para cá, Marília conta que a fama lhe trouxe mais amadurecimento e garante que não deixou de ser verdadeira como sempre foi. 
Recentemente, a cantora esteve em Manaus, onde gravou o segundo DVD de sua carreira, intitulado Realidade, na presença de 40 mil pessoas. 
O projeto não só marca a realização de um sonho, mas também demonstra que Marília veio, de fato, para ficar!
Praga sertaneja
“Não gostava de sertanejo. Ouvia MPB, pop rock, bastante música nacional, mas sertanejo... nunca! 
Costumo dizer que o amor veio depois de uma praga. Certa vez um rapaz se ofereceu para fazer dupla comigo, lá em Goiânia. 
Eu recusei e falei: ‘De jeito nenhum! Sertanejo é música de corno!’. Conversa vai, conversa vem, ele me diz: 
‘O dia que você levar um chifre de verdade, você vai cantar sertanejo. Mas não vai ser só sertanejo. Vai cantar as modas mais sofridas, e ainda vai compor para o resto da sua vida. E aconteceu. Até então, nunca tinha passado pela minha cabeça.”
Fã de Zezé “Comecei a compor música sertaneja ainda bem novinha, com 13 anos, após uma traição.
 Na minha playlist apareciam coisas mais leves, como Jorge & Mateus, Maria Cecília & Rodolfo, João Neto & Frederico, César Menotti & Fabiano e Guilherme & Santiago. 
Aos poucos, fui conhecendo mais e, hoje, meu maior ídolo é o Zezé. Moda bem sofrida mesmo (risos).” 

Ninguém veio, mãe “Cheguei a formar uma dupla chamada Marília e Eduardo. Tentamos fazer um show, até contratamos banda. 
Lembro que, na época, nossos gastos ficaram em 300 reais e o ingresso custava 10. Só foi minha mãe. 
Não éramos conhecidos, não sabíamos nada de divulgação, e não tínhamos nem CD promocional. No fim, a banda teve que perdoar a gente por dívida de ensaio. Era complicado.”
Sucesso inesperado “Jamais pensei que chegaria até aqui. A gente sempre trabalha para conquistar o melhor, mas não imaginava que o meu melhor seria tudo isso.” 
Churrasco e Netflix
 “Quando não estou trabalhando, eu gosto de ficar na minha casa, em Goiânia, com a minha família, e fazer churrasco. 
A coisa que eu mais gosto na vida é fazer churrasco e estar em família. Fora isso, assisto ao Netflix, vou ao shopping e aproveito para namorar (risos).”
Ser humano normal “Não me importo com assédio de jeito nenhum. Mas nem sempre a gente consegue atender as expectativas de todo mundo, né?
 Costumo dizer para meus fãs que nós, cantores, somos seres humanos normais. Para mim, a pior coisa do mundo é ficar em aeroporto. 
Ali, é o momento em que eu estou mais cansada na vida, quando chego virada de show. Às vezes, acham que eu estou de cara feia, irritada, mas não, eu sou uma pessoa também. 
Jamais vou negar tirar uma foto, até porque foi o público que me trouxe para o lugar onde estou hoje. Sempre serei grata aos meus fãs.” 
Teimosa, sim “Eu gostava muito de ir em barzinho, boteco, ficar tranquila por lá. Ou então assistir a um show no meio do público, passar por um camarote, acompanhar backstage. 
Tem bastante coisa que eu tenho saudade de fazer e de vez em quando eu ainda teimo. Já deu certo, mas também já deu muito errado (risos).”

Longe do ninho
 “Muita coisa mudou depois da fama. Eu sempre fui muito madura. Deus me capacitou desde muito cedo porque eu tinha minha família para cuidar.
 Meu padrasto abandonou a casa quando eu ainda era nova. Nós não tínhamos condições financeiras e eu só sabia cantar, então eu tinha que dar um jeito. 
Fui me virando e pegando experiência. Sair de casa e ir para a estrada foi um divisor de águas na minha vida. 
Ficar longe da minha mãe (Ruth Moreira, 49) me fez crescer, perder as inseguranças e aprender a enfrentar meus problemas sozinha...
Mas, às vezes, eu ainda choro e quero ficar perto dela, ou que ela resolva um problema meu. Sinto falta demais da conta!”
Apenas verdades “Eu gosto do título de Rainha da Sofrência. Mas não é sofrência que eu canto, são verdades. 
Verdade das pessoas, verdade do que passam, não só a minha razão. Muitas histórias já aconteceram e não tem nada fingido, nada inventado.”
Adele brasileira?
“Fico muito feliz cada vez que sou comparada a um grande artista. Acho que o pessoal fala que eu pareço com ela só porque ela é gordinha também (risos). 
Na verdade, eu e Adele temos formas diferentes de lidar com o sofrimento. Ela fala de um sofrimento melancólico, enquanto eu tento esquecer, tirar aquilo da cabeça. Nossa forma de pensar é bem diferente.” 
Agora é a vez delas “Chegamos com o pé na porta no sertanejo. Atribuo tudo isso à coragem de não se esconder, de não fingir que é uma princesa. 
Acho que estava faltando isso para a mulher. Coragem de ir e mostrar a que veio sem pretensões de agradar ou não as pessoas. Temos tudo para ficar, basta saber se renovar, ir atrás e trabalhar. Tem que ter talento, mas não só isso.”
Espelho “Tenho uma personalidade exageradamente forte. Sou leonina. Acredito que as mulheres têm de lutar pelos seus direitos.
 Eu conquistei minhas coisas na base da luta. Nunca precisei de argumentos para mudar algo e, se mudei, foi através da minha atitude, com estudo e esforço. Quero que outras mulheres também sejam assim.”
Dueto com Ivete “Ela é maravilhosa! Cantamos juntas na gravação do Show da Virada (Globo) e eu quase morri do coração.
 Nesse dia, eu já estava no palco quando ela entrou. Não consegui nem olhar para trás, só me mexi quando ela chegou ao meu lado. É linda, parece uma boneca.”

Sempre juntos 
“Até hoje, o momento mais marcante da minha carreira foi o dia em que eu participei da gravação do DVD do Henrique & Juliano (Novas Histórias, gravado em setembro de 2015). 
Nós somos mais que amigos. Sempre andamos juntos. Fui a única a participar de um projeto que veio para consolidar a carreira deles e foi maravilhoso. Nunca senti emoção comparada a essa.”
Ah, o mozão! “Estamos juntos há quase um ano. Ele (Yugner Ângelo, 29) é bonzinho, ciumento, mas de forma saudável, nada anormal. 
Só com coisas que realmente se deve ter ciúme. Entende meu trabalho, é muito tranquilo. Quando consegue, até me acompanha em shows, mas também tem a própria vida profissional. 
Penso em fazer uma música para ele... Mas quando a história é bonita, a gente precisa de um pouco mais de tempo para pensar (risos).”
Quieta para casar “Penso muito em casamento. Mas agora é uma fase para trabalhar bastante. 
Quando chegar o tempo certo, eu quero estar mais quietinha, tranquila e ter mais tempo livre. Na loucura que estou vivendo hoje, não funcionaria.”
Para sempre Marília “Sou tranquila, descomplicada. Gosto de me sentir bem e confortável. Ninguém merece fazer 1h40 de show usando salto alto! 
Eu subo ao palco para cantar e mostro que estou ali para isso, não para um desfile. Eu não sou nenhum tipo de modelo, nunca vou ser.
 Quero que as pessoas vão ao meu show para ouvir minha voz. Sempre peço para não exagerarem na minha maquiagem, não quero mudar nada em mim. Quero continuar sendo esta Marília e serei assim até as pessoas entenderem.”

FONTE/CONTIGO

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