sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Rafaela Mandelli: 
"Ser uma boa mãe é o que importa para mim, o que realmente faz sentido"
A brasiliense é mãe de Catarina, fruto do antigo casamento com o também ator Marcelo Serrado

Aos 37 anos, a brasiliense Rafaela Mandelli coleciona boas histórias e experiências na vida pessoal e profissional. 
Peças de teatro, filmes no cinema, séries - inclusive com visibilidade internacional - e uma infinidade de novelas preenchem o seu currículo.
 Quando não está trabalhando, a atriz divide seu tempo e atenção entre a filha, o marido, amigos, familiares e, claro, cuidando de si mesma.
Prestes a estrear nas telonas com o longa Anjos da Lapa, que é dirigido por seu companheiro de vida, Johnny Araújo, conta a história do Planet Hemp, grupo fundado por Marcelo D2 e Shunk. 
Entre uma atividade e outra, Rafaela bateu um papo com a Vogue. 
Catarina, sua filha com o ator Marcelo Serrado é a sua cara. Ela deseja seguir os passos dos pais e ingressar na carreira artística?
Não. Quando ela era menor até ficava interessada, mas de uns anos para cá desencantou. Ela tem a curiosidade muito aguçada e se interessa por muita coisa, de tempos em tempos inventa uma coisa nova. Já disse que seria chef de cozinha e escritora. Agora está em uma fase em que quer ser bióloga marinha (risos). Qualquer que seja a escolha dela, vou estar sempre junto e apoiando. Jamais interferiria em uma escolha da Catarina nesse sentido.

Como é sua relação com seu ex-marido, Marcelo Serrado?
Maravilhosa, somos muito amigos desde sempre! É claro que também temos nossas divergências, mas sempre conseguimos contorná-las da melhor maneira possível pensando no bem estar da nossa filha e na nossa parceria também.

E você pensa em ter mais filhos?
Eu pensava quando a Catarina era mais nova. Porém, o tempo foi passando, ela foi crescendo e meu trabalho ficou cada vez mais intenso. Hoje em dia não penso mais, isso ficou cada vez mais distante para mim. Se dependesse do meu marido, nós teríamos mais filhos desde o início do relacionamento (risos). Ele tem duas filhas lindas, então pra mim o time está completo!

Você conheceu seu marido, Johnny Araújo, no trabalho, em 2012, e agora trabalhou novamente com ele nas gravações do longa "Anjos da Lapa". Como é dividir a vida pessoal e profissional com a mesma pessoa?
Somos muito profissionais e sabemos separar bem as coisas. Na verdade, isso só nos ajudou! A cumplicidade e o companheirismo foram levados também para o trabalho. O João é um excelente diretor, tem um cuidado muito especial com os atores e não existe um que não goste de trabalhar com ele. O seu cuidado e atenção são qualidades que eu admiro muito. Tanto no trabalho quanto em casa.

Conta um pouco mais sobre “Anjos da Lapa”, que está previsto para estrear no próximo ano, e da sua carreira nas telonas?
Esse filme é um projeto de oito anos do João. É um trabalho muito especial para ele e para todos os envolvidos. Fiquei muito feliz quando me convidaram para fazer, porque sei da importância dele. Também por se tratar de cinema, que é algo que eu amo! Esse é o meu terceiro filme e os outros dois também tiveram uma importância enorme pra mim. Minha trajetória no cinema tem sido muito feliz, com personagens riquíssimos e com a oportunidade de trabalhar com pessoas que eu prezo muito. Espero continuar assim.

Quais seus planos de trabalho?
O que eu quero é cada vez mais fazer séries e filmes. É claro que não vou parar de fazer televisão, pois é algo que adoro e que dá visibilidade e ajuda na realização de outros projetos, além da bagagem do exercício diário. Também quero muito voltar a fazer teatro, confesso que estou distante e sentindo uma enorme falta disso. Minha formação vem daí. Preciso e necessito recuperar a minha base nele. É extremamente necessário e fundamental.

Que papel gostaria muito de fazer?
Que pergunta difícil! São tantos personagens de diferentes tipos... Mas se fosse para escolher agora, hoje, poderia ser um papel forte e pesado como o da Jennifer Connelly no filme "Um Réquiem para um Sonho" e, quando mais velha, o da Meryl Streep em "As Pontes de Madson".

Onde se imagina daqui a 10 anos?
Feliz como estou hoje, cercada das pessoas que eu amo, com muita saúde e continuar a viver do meu trabalho, que é onde eu me encontro. Imagino também ter conseguido dar andamento às novas possibilidades que estou almejando agora. Quero poder, daqui a 10 anos, estar colhendo os bons frutos disso.

O que ninguém sabe sobre você? Tem algum talento oculto?
Ao fazer um retrocesso, não tenho do que reclamar. Desde pequena sempre tive o incentivo dos meus pais para tentar e conhecer as coisas mais inusitadas. Fiz todos os esportes que se pode imaginar, até mesmo participei de um campeonato profissional de boliche no Equador, para ter uma ideia (risos). Mas se tenho uma frustração na vida é não ter um vozeirão. Deve ser a melhor sensação do mundo fazer um show para milhares de pessoas com todos cantando a sua música. Adoraria, mas confesso que esse talento eu não tenho (risos). Fico restrita às cantorias no chuveiro mesmo.
Tudo o que vivo, vivi e ainda vou viver são e serão sempre bagagens para o meu trabalho. Eu tento me superar e me tornar uma pessoa melhor em todos os sentidos.

Você está com inacreditáveis 37 anos. O avançar da idade é algo que te assusta?
O que me assusta realmente é a velocidade das coisas. A sensação que eu tenho é de  correr contra o tempo para fazer tudo que eu ainda tenho vontade. Tenho muito tempo ainda, mas queria que tudo fosse mais devagar. Fisicamente já existem mudanças, mas até agora tenho lidado muito bem com elas. A pele, o corpo... Tudo já está diferente de um ano atrás. O meu objetivo é conseguir envelhecer bem, me aceitando e entendendo que uma hora isso chega pra todo mundo. Não é fácil, principalmente sendo mulher e atriz no Brasil! Ao mesmo tempo, a idade e a maturidade trazem uma estrutura emocional que permite tomar decisões por você mesma sem se preocupar com as consequências delas.

Qual o melhor conselho de beleza que já recebeu?
O melhor conselho que já recebi é de que só vale a pena ir atrás e conviver com o que te faz realmente bem e feliz. O que te deixa mais ou menos ou abaixo disso, você literalmente tira da frente. Com o tempo você vai entendendo e dando prioridade para coisas e para as pessoas que te aceitam e te enxergam de verdade. Vai entendendo que é ruim e desnecessário agradar a todos.

Qual o maior elogio que você já recebeu?
O maior elogio que já recebi é de que eu sou uma excelente mãe. Isso é o que importa para mim, o que realmente faz sentido.

E a crítica que mais te marcou?
Foi da minha primeira peça profissional. Lembro como se fosse hoje, pois me marcou muito! Eu fazia uma peça de Nelson Rodrigues com a direção do Moacyr Góes. A Bárbara Heliodora estava na plateia e eu superansiosa porque já a conhecia e ela tinha dirigido a minha peça de formatura. Ela gostava de mim. Supostamente, achei que iria gostar do meu trabalho nessa peça. Quando peguei a crítica dela no jornal, quase caí para trás (risos). Ela detonou todo mundo! Eu chorei muito. Depois, passado o calor do momento, entendi que o que ela dizia fazia todo o sentido e me impulsionou a melhorar.

Você se renderia (ou já se rendeu) a procedimentos estéticos, como lentes de contato nos dentes, Botox e lipo?
Eu me renderia ao botox. Se feito com um bom profissional e na medida certa, não vejo problema algum. Mas não dá para virar um boneco sem expressão como a gente vê por aí. Tem que se ter bom senso. Vejo muita gente passando muito dos limites e não sei o que acontece. Acho que as pessoas têm uma dificuldade imensa de se aceitar e envelhecer. É a lei natural da vida, não tem jeito. Hoje em dia existem recursos para se viver bem, sem exageros e na medida certa.

Qual o segredo para manter o corpo sempre em dia? Você chega a fazer dieta (ou já fez) para conservar as curvas ou é "magra de ruim"?
Antigamente eu era ‘magra de ruim’. Nem me preocupava com exercícios ou com dieta (risos). Hoje em dia não, tudo mudou e tenho que me cuidar mesmo! Adoro comer! O melhor programa para mim é reunir pessoas que eu gosto para almoçar e jantar. Mas para conseguir fazer isso tenho que fazer exercícios, algo que gosto muito também. Eu corro, a corrida para mim é uma terapia, jogo todo meu estresse nela. Gosto de exercícios aeróbicos, então corro e faço spinning. Estou tentando voltar para a yoga, que sempre me fez muito bem, mas na falta de tempo não dá pra fazer tudo, então vou com calma e mesclo as coisas de acordo com o meu limite.

O que não entra no seu guarda-roupa de jeito nenhum?
Não sou muito fã de babados. Sou muito clássica e definitivamente não combino com eles. Nada contra, mas não consigo usar. Me faz lembrar de quando era criança e minha mãe me obrigava a usar saias e blusas cheios de babados. Acho que traumatizei (risos).

Que itens não faltam em seu nécessaire?
Primeiro de tudo fio dental, escova e pasta de dente. Impossível sair sem isso. Depois
protetor solar, corretivo, água termal e hidratante labial. Adoro máscara de cílios e blush também. Como normalmente saio de casa de manhã e só volto à noite, não vivo sem isso.

Qual a maior loucura que já fez por moda (uma peça mais cara que economizou pra comprar, por exemplo)?
Tenho um sapato que é praticamente uma joia, me apaixonei por ele! Pensei mil vezes se comprava ou não. Mas uma amiga figurinista que estava comigo me impulsionou a comprar e não teve jeito. Não é sempre que faço isso, mas nesse caso valeu a pena o investimento.

FONTE/VOGUE

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