domingo, 4 de dezembro de 2016

 Ex-paquito, Alexandre Canhoni fala da vida na África e dos 19 filhos adotivos 
Por Rafaela Santos
Morando desde 2001 na África, Alexandre Canhoni, que ficou conhecido como o paquito Xand do "Xou da Xuxa" nos anos 1990, está no Brasil para exames de rotina. 
Ele e a mulher, Giovana Canhoni, vivem em Niamey, capital do Níger e cuidam do Projeto Esperança Niger.
 - Vim para ver como está a saúde. Lá tem hospital, mas é tudo muito precário.
 Estamos falando de um dos países mais pobres do mundo. 
Fazer uma endoscopia, por exemplo, é muito complicado. 
 Alexandre tem 19 filhos adotivos e estima que seu projeto cuide de aproximadamente 2 mil crianças.
 - São 17 meninos e duas meninas. Uns já estão maiorzinhos. 
A mais nova tem 12 anos e o mais velho, já passou dos 20. 
Então, enquanto estamos aqui, um cuida do outro. 
Na instituição fazemos um trabalho de nutrição, temos quatro creches, duas escolas e um projeto na área do esporte. 
Vivemos de doações, de trabalhos voluntários. 
 Ele diz que percebeu uma mudança - ainda que pequena - no país e relata o que mais marcou sua vida por lá.
 - Ao longo desses anos, teve uma melhora, bem devagar. 
Hoje, as principais ruas já são asfaltadas, mas no lugar onde eu moro, por exemplo, as vias são de areia.
 Já vi crianças de 1 ano com 1,5 kg. Fora a fome, que sempre choca, teve surto de meningite, a fase da malária. 
Mas o que mais me pegou foi um ataque que sofremos no ano passado.
 Nossa base foi destruída - diz ele sobre o episódio no qual 45 instituições foram incendiadas em Niamey durante as manifestações contra as charges do profeta Maomé publicadas no jornal francês "Charlie Hebdo".
 Alexandre conta que não pensa de forma alguma retomar a carreira artística e relembra o envolvimento com drogas. 
 - Estava cansado do dia a dia, da rotina de shows. 
Do jogo de interesse. Até me incomoda pensar em voltar. 
Para o público, era uma coisa maravilhosa, mas mal conversava com meus colegas de grupo. 
Naquela época, experimentei de tudo (substâncias ilícitas), mas o efeito era sempre o contrário, me deixava para baixo. 
Não enveredei para esse caminho e nunca precisei de droga ou bebida.

FONTE/OGLOBO

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