segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Aos 40, Suzana Pires recusa Botox e fala sobre machismo: 
“Nunca me curvei”
 A atriz conta como se tornou uma das poucas novelistas mulheres no Brasil e revela não ter feito procedimentos estéticos mais invasivos por medo de agulhas 

Por Thiago Baltazar 
Suzana Pires está se tornando um dos nomes femininos mais importantes da TV brasileira. 
Há mais de duas décadas como atriz, já atuou em grandes sucessos da Globo, como o remake de "Gabriela", "Fina Estampa", Caras e Bocas" e "Flor do Caribe" -- nesta última, integrou o time de coautores liderado por Walther Negrão. 
Agora, ao lado do novelista, escreve "Sol Nascente", provando suas habilidades não somente na frente das câmeras, mas também atrás delas. 
"Focamos em contar uma boa história para o público", comentou sobre a novela das 18h. 
"Fechamos o ano com aumento de audiência considerável, foi uma superação. 
Termino 2016 realizada”, comemorou.
 Para alcançar o sucesso, no entanto, foi necessária uma dose de confiança extra diante dos desafios em um meio dominado por homens."
Gosto de conquistar este espaço. Foi importante não ter ficado tímida". 
 Nesta entrevista, Suzana fala também sobre a chegada dos 40 e como a idade não afetou sua autoestima.
 “Estou muito satisfeita com meu corpo.
 Adoro cada idade que faço". E sobre plástica? “Não, estou maravilhosa! [risos]. 
Tenho um dermatologista ótimo, mas não uso botox, tenho agonia de agulha". Marie Claire - "Sol Nascente" vai completar quatro meses no ar. 

Já é possível fazer um balanço da trama? 
 A novela se superou em todos os sentidos. Começou com muitas críticas antes de estrear e tivemos problemas de saúde dentro da equipe com [Walther] Negrão e Laura, Cardoso, mas conseguimos superar tudo. Estamos no ranking de novelas das 6 em dezembro. Demos mais audiência que "Flor do Caribe". 

 De onde surgem suas inspirações para escrever?
A inspiração é toda do público. Quando saio aqui no prédio ou vou ao mercadinho, as pessoas vêm falar comigo sobre a novela, isso tudo entusiasma e traz inspiração. Faço questão de ouvir as pessoas, porque é quem me dá essa injeção de ânimo. 

Como se descobriu uma novelista? 
Escrevo desde os 15 anos, mas na Globo comecei em “Caras de Pau”. Minha intenção era ficar no humor, nunca havia pensado em fazer novela. Foi então que recebi um convite para trabalhar com Negrão em 2010 na criação de "Flor do Caribe". A Globo gostou, disse que eu deveria investir na área e foi o que fiz. 

 Você é uma das poucas novelistas mulheres no Brasil. Acha que existe uma diferença para um homem? 
 Talvez possa existir na visão de mundo, mas não é isso que compromete a escrita de alguém. Seja mulher ou homem não se pode julgar o ser humano. É preciso compreendê-lo em todas as suas facetas. 

 Você irá estrear, no dia 7 de janeiro, no Rio, o monólogo "De Perto Ela Não é Normal" em que interpreta 10 personagens diferentes. Como faz para diferenciá-los? 
Não é uma peça simples de atuar, mas já faço há dez anos, hoje é mais tranquilo. Para não me perder, uso a respiração. Cada personagem respira de um jeito. Na minha troca de roupa, as músicas de cada personagem me levam aquela respiração. 

 Pensa em diminuir o ritmo de trabalho no futuro para ter filhos e casar? 
Agora não estou pensando nisso. Quando o desejo pintar, se ele pintar, pode ter certeza que vou me organizar para tal. Casar não é um problema, mas é preciso muita responsabilidade para botar uma criança no mundo. Meus filhos são meus projetos e por enquanto está tudo ótimo. 

 Completar 40 anos se tornou uma questão para você? 
Não, porque tenho muito fôlego [risos]. Estou adorando cada idade que faço. A foto está saindo bem no Instagram [risos]. 

Nas redes sociais você fala sobre empoderamento da mulher. Você se considera feminista? 
 Quando você é feminista tem um olhar para a dignidade da mulher. Isso é feminismo para mim, reduzindo ao máximo um movimento que tem uma explicação muito maior. Nesse sentido sou, sim. Nunca me curvei a coisas que não seriam para mulher. Aos 14 anos já estava lendo Simone de Beauvoir e tentando entender por que os meninos podiam algumas coisas e eu não. Mas acabei podendo tudo [risos].

FONTE/MARIECLAIRE

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