quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

 Taís Araújo diz que filhos mudaram sua carreira: 
‘Um passo de coragem’ 
Atriz grava ‘Mister Brau’, prepara para cinebiografia de Pixinguinha e estreia peça no Rio 

 Por Zean Bravo 
 Taís Araújo começou 2016 internada. Depois de emendar trabalhos na TV, no cinema e no teatro, a imunidade baixou, e ela foi parar no hospital com uma crise séria de asma.
 — Foram nove meses sem folga em 2015. 
Fiquei quatro dias no hospital de tanto que trabalhei. 
Saí no dia do aniversário de 1 ano da minha filha (Maria Antônia, que nasceu em 23 de janeiro) — conta ela.
 Mas o ritmo seguiu corrido ao longo de 2016. 
A atriz, que encontrou o GLOBO no horário do almoço, na semana passada, antes de uma gravação de “Mister Brau”, está envolvida com a terceira temporada da série desde setembro.
 E só encerra o trabalho na próxima sexta-feira. 
Com estreia prevista para abril, os novos episódios do programa escrito por Jorge Furtado e estrelado por ela e pelo marido, Lázaro Ramos, trarão novidades para os protagonistas. Brau (Lázaro) e Michele (Taís) vão adotar três crianças. 
E também terão um programa de auditório chamado “Os Brau”, onde irão receber convidados do meio musical. 
O novo ano da série vai mostrar flashbacks dos protagonistas antes da fama.
 — Michele vai aprender a ser mãe. Com os filhos, ela e Brau vão para outro lugar, terão que se voltar para as próprias dores. 
Por isso filho é tão transformador, vejo isso na minha vida. 
Fui obrigada a me voltar para mim, ao que era, lembra a infância que tive...
 MULHER DE PIXINGUINHA 
 Taís Araújo - Ana Branco Taís vira o ano com a família numa praia da Bahia. 
Em janeiro, vai interpretar a mulher de Pixinguinha (1897-1973) nas filmagens da cinebiografia do músico. 
Dirigido por Denise Saraceni e produzida por Carlos Moletta, o longa trará Seu Jorge no papel do protagonista. 
 Também em janeiro, a atriz estreia a temporada carioca da peça “O topo da montanha”, que recria os últimos momentos na vida do reverendo Martin Luther King (1929-1968).
 O espetáculo, em que ela contracena com Lázaro, que também dirige a encenação, chega ao Rio após estrear em São Paulo e rodar parte do país em 2016. 
 — Depois do filme, aí sim, faço só a peça. 
Não tá bonito assim? Tenho dois filhos, né amor (ela também é mãe de João Vicente, de 5 anos)? 
Quero levar e buscar na escola, ficar mais com eles. 
 Aos 38 anos, Taís reconhece que só entendeu mesmo o que queria como atriz há cinco. 
A mudança de mentalidade, diz, “pode parecer meio clichezão”, mas veio após o nascimento dos filhos. 
 — Comecei muito nova, sem referência artística.
 Minha mãe é pedagoga e meu pai, economista.
 Aos 11 eu trabalhava e com 17 já fazia “Xica da Silva” (sua primeira protagonista, na novela da extinta Manchete, em 1996). 
Minha carreira é próspera de coisas que aconteceram e fui fazendo, mas sem critério. 
Parece maluquice. Tenho 22 anos de carteira assinada, só de Globo são 20, mas fui atropelada pelos acontecimentos.
 Só entendi a carreira agora. Uma das decisões da atriz foi imprimir mais a sua marca nos trabalhos. 
 — Depois que tive o João, fiz a Penha (de “Cheias de charme”, reprisada atualmente no “Vale a pena ver de novo”, da Globo). 
É um personagem que tem a minha identidade como atriz, sem nenhum pudor ou vergonha. 
E após o nascimento da Maria dei mais um passo de coragem nesse sentido. Fui buscar autoria, ser dona da carreira. 
Hoje discuto, opino, sei os textos que quero dizer.

'NÃO QUERO SER EXCEÇÃO' 
 A atriz, que assumiu com Lázaro a produção de “O topo da montanha”, diz que pretendo produzir mais peças e escrever textos para crianças.
 Primeira protagonista negra de uma novela da Globo (“Da cor do pecado”, exibida no horário das 19h em 2004), e primeira protagonista negra do horário nobre da emissora (em “Viver a vida”, de 2009), Taís conta que gosta do papel social que desempenha: 
 — Eu me sentia incomodada quando diziam:
 “É a primeira protagonista, a primeira apresentadora negra (do ‘Superbonita’, do GNT)”. 
Tinha um pouco de pudor porque achava chato, mas depois fui entender que, na verdade, chato era ver pouca continuidade. 
Não via uma segunda, uma terceira, uma quarta pessoa ocupando esse espaço. 
Hoje, encaro isso como trabalho. Fazer capa de revista, para mim, é uma atitude política também.
 Não quero ser a única, não quero ser exceção.

FONTE/OGLOBO

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