terça-feira, 6 de dezembro de 2016

 Jonatas Faro:
 "Minha rotina era de samurai" 
Por Beatriz Bourroul 
Em cartaz com o Wicked – O Musical, Jonatas Faro celebra o sucesso nos palcos do Teatro Renault, em São Paulo. 
Fluminense de Niterói, o ator, de 29 anos, está está feliz com a vida na capital paulista e se diz adaptado com as mudanças. 
“Sou itinerante. Depois que fiz 6 anos nunca fiquei mais de dois anos no mesmo endereço.
 Sou desapegado e bem-resolvido quanto a isso.
 Já morei em São Paulo, Rio de Janeiro, Estados Unidos e Argentina”, conta. 
 A saudade do filho, Guy, de 5 anos, do casamento com a atriz Danielle Winits, é o único obstáculo que o ator enfrenta por não estar no Rio. 
Coruja, ele diz que foi dolorido não deixar o convívio diário com o pequeno, mas conta que já o levou para assistir ao espetáculo.
 “Ele ficou louco com a peça”, diz Jonatas, que passou por três meses de ensaios intensos para viver o desmiolado galã Fiyero – dividindo o personagem com André Loddi.
 Para conquistar o papel, o ator conta que passou por sete audições até receber a aprovação da equipe internacional da produção. 
“Era um sonho meu. Queria muito o papel.” 
 Você está em cartaz com o musical Wicked. Como surgiu a chance de fazer a versão brasileira deste espetáculo da Broadway? 
A seleção começou no fim do ano passado. Ao todo, foram sete audições e posso dizer que foram as mais difíceis da minha vida. Uma equipe veio de fora do Brasil para acompanhar as etapas e eles nos testam à exaustão. É para ver se a gente aguenta o tranco. A galera foi testada ao limite mesmo. E era um sonho meu. Queria muito o papel. 

 Já conhecia a história? 
 Já tinha assistido cinco vezes ao musical fora do Brasil. Duas vezes em Londres e outras três em Nova York. Por isso, acho que cheguei bem preparado aos testes. Até brinquei com a produtora de elenco. Falei que estava com “sangue nos olhos” (risos). 

 Você falou que foram várias etapas de seleção. Como lida com testes? 
Achei que seriam umas duas audições, mas acabaram sendo sete. Ser testado nunca é fácil. A bancada julgadora é com os americanos que fizeram o musical na Broadway. É realmente tudo bem criterioso. Ser julgado não é confortável, mas me tira da zona de conforto. Não me importo em ser testado. Recebi a confirmação do resultado de que faria o musical no fim do ano passado. 

 E como foram os ensaios? 
 No dia 3 de janeiro, já estávamos reunidos para as primeiras leituras. Foram três meses de ensaio intenso até a estreia. Esse período é de dedicação integral ao projeto. A estreia é uma satisfação. O palco me faz muito feliz. Não só como pessoa, mas como profissional. Fiquei três meses vivendo para isso em todos os sentidos. Não dá para tomar uma cervejinha com os amigos, por exemplo. A minha rotina era de samurai. 

 Quando surgiu a sua relação com os palcos? 
Desde pequeno era fascinado com o teatro. Quando tinha uns 4 ou 5 anos, vi uma peça da escola que me deixou extasiado. Minha prima estava no elenco, mas parecia que não era ela. Fiquei fascinado. Acho que naquele momento soube que queria ser ator. Já a minha prima não quis saber de seguir com isso (risos). Mas posso dizer que a novela Chiquititas me colocou em cima dos palcos. Fiz o Samuca quando tinha 10 anos e a novela tinha shows com coreografias, clipes... Uma superprodução para a febre da época. 

Sente falta das novelas? 
Sempre dá saudade, mas durante a temporada de um musical é impossível conciliar. Na minha opinião, sinceramente, ensaiar musical e fazer novela não dá. Para Wicked, ensaiávamos de domingo a domingo. 

Wicked fica em cartaz até dezembro. Já faz novos planos profissionais? 
Tenho planos para mais um musical em São Paulo no ano que vem, mas ainda nada concreto. Para gravar uma novela no Rio de Janeiro, ficaria difícil. Vai depender. Vamos aguardar. Neste ano, fiz uma participação especial no Vai que cola, do Multishow. 

 Sente-se à vontade para fazer humor? 
Eu gosto, sim. Fiz o Peralta, de Malhação, que tinha uma veia cômica grande. Em Vai que Cola, os atores com quem dividi as cenas são incríveis. Quando li o roteiro, tive uma crise de riso interna. 

 Com o musical, você tem ficado na ponte aérea ou optou por passar a temporada em São Paulo? 
 Estou ficando mais em São Paulo. Sou de Niterói, no Rio, mas já tinha morado na cidade. Sou itinerante. Cresci em uma fazenda, plantando e era muito lúdico. Lembro de passar uma infância muito divertida, brincando de pique-esconde. Depois que fiz 6 anos nunca fiquei mais de dois anos no mesmo endereço. Sou desapegado e bem-resolvido quanto a isso. Já morei em São Paulo, Rio de Janeiro, Estados Unidos e Argentina. 

 Ainda na infância, você se mudou para Buenos Aires, na Argentina, para fazer Chiquititas. O que lembra da época? 
Fazia o Samuca e foram quase dois anos morando em Buenos Aires. Lembro que, de tempos em tempos, vínhamos para o Brasil em um voo de umas duas horas e era uma farra de chiquititos. Adorei a experiência de ter morado na Argentina. Nunca mais voltei e tenho vontade de ir novamente. Foi uma fase muito boa. Fui com a minha mãe e lembro que ela também foi muito feliz por lá. Temos vontade de voltar. 

A rotina do teatro traz dificuldades para o seu papel de paizão do Guy? 
Fiquei sem encontrar com meu filho durante um período durante a temporada de ensaios e, não nego, foi muito difícil. Estávamos convivendo muito. Então, foi dolorido não ter o convívio diário. Mas eu o trouxe para São Paulo e ele chegou a assistir aos ensaios. Antes de levá-lo, eu vi uma apresentação sentado exatamente no lugar em que ele sentaria. Quis me certificar de que seria bacana para a idade dele. Caso tivesse dúvidas de não seria uma experiência legal, não o levaria. Quando viu, ele ficou louco. Adorou mesmo tanto que não parava de falar sobre a peça quando voltou para o Rio. 

 Nessa convivência, o que você nota de semelhança entre o Guy e você? 
Ele é muito parecido comigo. Atualmente, ele está na fase de jogar videogame. E o Homem-Aranha é o herói preferido dele. Na TV, curte ver desenhos como Patrulha Canina. 

 Você falou sobre o Guy de maneira muita carinhosa. Cogita ter mais filhos?  
Penso, claro. Não agora. Se fosse planejar, deixaria para quando tivesse uns 35 anos. Guy veio quando eu era novo e foi um presente de Deus. Se ele tiver mais um irmão, será mais pra frente. Estou solteiro. 

 Sua boa forma tem chamado a atenção. Precisou intensificar as atividades físicas? 
 Sou super regrado por natureza. Sou filho de uma triatleta. Cresci vendo a minha mãe comer ovo cru antes de ir treinar. Para fazer musical, é fundamental ter essa disciplina. Se você não dorme direito, não dá para fazer no dia seguinte. Além das atividades para manter o condicionamento, é fundamental beber muita água para manter-se hidratado.

FONTE/QUEM

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