terça-feira, 24 de janeiro de 2017

 Autora de Sol Nascente, Suzana Pires afirma: 
"Quero escrever novelas"
 Depois de enfrentar um período conturbado na vida pessoal e profissional, ela dá a volta por cima e diz que as críticas só a fortaleceram. E, agora, não se vê fazendo outra coisa

 Por Ligia Andrade 
O ano que passou foi de superação para Suzana Pires, 40 anos. 
A autora de Sol Nascente (Globo) e atriz passou por um verdadeiro furacão ao enfrentar o AVC (acidente vascular cerebral) do autor Walther Negrão, 75, o diagnóstico de câncer em seu pai, e as críticas com relação à novela das 6, que escreve ao lado do mestre e amigo Júlio Fischer, 58. 
Ah, um detalhe: tudo isso na mesma semana! “Falei com Deus: ‘Na boa, está difícil pra mim’ (risos)’.
 Mas ele me provou a força interna que sou capaz de ter.
 Parece que tudo está desabando, mas não está. 
Percebi que era capaz de ficar inteira. Minha astróloga me ajudou muito.
 Depois ainda teve o problema de saúde da dona Laura Cardoso (intérprete de Sinhá, e uma das personagens mais queridas do público que já voltou à trama). 
A crítica é sempre bem-vinda. Leio e depuro. Isso não me quebra, fortalece. 
Está sendo uma trajetória de superação diária”, analisa a carioca, que chegou a cancelar a festa que daria para a chegada da nova idade. 
“Quero meu pai na pista de dança — e logo ele estará. Já estava marcado, desmarquei tudo. 
Mas não vamos deixar passar em branco.”
 Suzana Pires acorda cedo todos os dias, prepara o café da manhã, vê as notícias e já começa a escrever.

  Atualmente, a rotina de Suzana tem se resumido a dar rumos aos personagens da trama. 
“A prioridade são as escaletas da novela. Não estou conseguindo fazer exercícios físicos, o que é uma pena”, conta.
 Ela acorda cedo, por volta das 7 h, prepara o café da manhã, fica por dentro das notícias e logo já está escrevendo.
 “Geralmente escrevo um capítulo por dia.” 
A atriz ressalta que essa é uma novela de mulheres fortes, gosta dessas relações de amizade, por isso, pede para escrever os diálogos entre Alice (Giovanna Antonelli, 40) e Lenita (Letícia Spiller, 43).
 “São mulheres como eu, que trabalham, tem suas questões amorosas, familiares... somos complexas.
 Também tenho um carinho particular pelo núcleo das caiçaras. 
E coisas que sugiro nos diálogos do Tanaka (Luís Melo, 69) para Alice, são parecidos com os que tenho com meu pai”, revela.
 Ela diz que o autor Walther Negrão está se recuperando bem dos problemas de saúde que teve e está participando ativamente da novela 
 APRENDIZADOS NO CAMINHO Escrever uma novela é uma tarefa hercúlea.
 Sendo titular, Suzana aprendeu que agora é responsável não só pela trama, mas por um todo. 
“Fico ciente dos problemas que estão acontecendo. 
Por exemplo: choveu na gravação na praia. 
Às vezes, vou ter de reescrever a cena. 
Fiz um curso nos Estados Unidos de showrunner – profissional com experiência em produção, roteiro e direção. 
O que venho fazendo a minha vida inteira!
 Mas foi ótimo, exercito e vejo o que posso fazer melhor.” 
Com a autora não tem tempo ruim: adora pedir opinião para o elenco e usa as redes sociais como termômetro. 
“Trabalhei com quase todos eles. Agora não vou atender meus amigos porque sou autora? 
Falo com a Giovanna sobre os caminhos da Alice, vamos meio que fazendo juntas. 
Dona Laura estava doida para voltar, e fizemos em grande estilo, com uma história maravilhosa. 
Aracy Balabanian manda WhatsApp só para dizer que está amando tudo. 

É incrível esse retorno! Nunca tive a experiência do autor tão próximo, e isso não pode ser forçado. 
Sempre fui próxima do set”, reconhece. 

DEPOIS DA TEMPESTADE
 Após o susto com Walther Negrão, Suzana garante que tudo está voltando aos trilhos.
 “Ele está divertido, ótimo, participa, é um mestre, sabe tudo. 
Realmente teve problemas de saúde, requer cuidados, mas não para de criar. 
E temos o Silvio de Abreu, que está sendo fundamental para todos os produtos da empresa (diretor de dramaturgia, 73, que atua como supervisor da novela). 
O problema de audiência foi consertado. 
É outro mestre de olho, está sendo ótimo termos o apoio do Silvio.”
 Para ela, a carreira de autor é uma meta a longo prazo. 
E explica por quê: “Sou uma criança nesse meio. O autor se ajeita com 60, 70 anos. Nossos grandes autores têm essa idade.
 Estou começando na titularidade, só que não estou com medo. 
Tenho respeito, por isso peço opinião, recorro, escuto as pessoas com mais experiência e conserto. 
Confesso que quero escrever novela.” 
 Se fizessem essa mesma pergunta há uns dois anos, Suzana diria que não se imaginava escrevendo uma trama autoral.
 “Essa novela está sendo importante para me mostrar que meu caminho é esse. 
Não largaria a atuação, fico jogando no teatro. 
É legal, porque agora o público quer saber sobre os personagens, o que vai acontecer... o tipo de curiosidade muda, é engraçado. 
Já entendi que não vou deixar de fazer nada, é uma soma”, destaca. 
 Suzana está de volta aos palcos do Rio de Janeiro comemorando 10 anos da peça De Perto Ela Não É Normal, que vai virar filme em breve.
  A MAIOR LIÇÃO DE 2016
 Solteira, Suzana brinca que atualmente, namorado “não dá para encaixar na agenda, não”.
 E pelo visto não dá mesmo. Já está cheia de projetos à vista. 
Ela comemora com turnê no Rio de Janeiro os 10 anos da peça De Perto Ela Não É Normal, que vai virar filme em breve.
 “Será uma comédia tão deliciosa quanto a peça”, define. 
Em março, a autora vai tirar as tão sonhadas férias: duas semanas curtindo o dolce far niente na Bahia. 
“Quero ficar com o pé no chão e de biquíni – só vou levar um short.” Meses depois, viaja com os pais para Áustria.
 “O médico liberou e já compramos a passagem. 
Meu pai é muito astral. Todos surtando em volta e, ele, sereno, dizendo que ia encarar a situação.
 Foi uma inspiração, não tinha como ficar caída com essa lição – a maior de 2016!”, confidencia. 
 Solteira, Suzana brinca que está com a agenda lotada de compromissos, por isso não consegue encaixar um romance agora
FONTE/CONTIGO

Nenhum comentário:

Postar um comentário